Posts filed under ‘Série B do Brasileiro’

Ano de muito futebol, como sempre

Em 2013, havérá uma infinidade de campeonatos de futebol mundo afora, especialmente envolvendo clubes brasileiros. Equipes como Corinthians e São Paulo disputarão Paulistão, Copa São Paulo de Juniores, Copa do Brasil, Brasileirão, Recopa e Libertadores, podendo participar do Mundial em caso de conquista da Libertadores. Ambos começam a jogar no dia 23 de janeiro e poderão seguir até 15 de dezembro, totalizando até 91 partidas em 323 dias, se forem finalistas em todas as competições. Outros disputarão a Copa Sul-Americana no lugar da Libertadores, sem a possibilidade de disputa do Mundial em caso de sucesso.

Algumas equipes viverão situações inusitadas, como Palmeiras e Portuguesa. O primeiro vai disputar a Libertadores, grande ambição do ano para os alviverdes, mas o campeonato nacional será o da série B. Enquanto isso, a Portuguesa disputará a série A do Brasileirão, mas a A2 do Paulistão, junto com Audax, Capivariano, Monte Azul e outras agremiações simpáticas, mas sem a tradição de uma Lusa. O Verdão pode terminar o ano com o título de campeão do mundo, mas tem tido dificuldade para convencer jogadores como Barcos a embarcarem na disputa de uma série B. A Lusa, por sua vez, luta para manter o ex-atacante e atual lateral Luís Ricardo, que muitos tratam como última bolacha do pacote.

O Corinthians começa o ano com a bola toda, parecendo ter tudo acertado com Alexandre Pato e o zagueiro Gil, ex-Cruzeiro e atualmente no francês Valenciennes, além de já contar com o recém-contratado Renato Augusto, meia destro que passou por Flamengo e Bayer Leverkusen. Como Cássio e Paulinho não saíram ainda, o torcedor sonha com um time que pode ser melhorado em relação ao que encerrou o ano com o título máximo de campeão mundial. Outras peças fundamentais são Danilo, Ralf, Emerson e Fábio Santos, mas a melhor notícia para a torcida foi mesmo a renovação do contrato de Tite, o grande maestro dos três títulos em sequência: nacional, continental e mundial.

Trocando de Estado, todos veem grande potencial em Grêmio, Atlético (o mineiro, claro) e Fluminense, equipes que destinarão suas forças para vencer a Libertadores. O êxito do Flu passa pela manutenção do elenco vitorioso no Brasileirão (Deco, Fred, Thiago Neves, Diego Cavalieri e companhia), com sobras a grande força brasileira no segundo semestre. O Galo se reforçou com as chegadas de Gilberto Silva, campeão mundial da Copa de 2002; Rosinei, volante/meia ex-Corinthians; e Alecsandro, atacante ex-Vasco. O Grêmio mantém o sempre perigoso Luxemburgo no banco, além de ter contratado o paredão Dida e o atacante Willian José, ex-São Paulo.

Outras equipes (Internacional, Flamengo, Botafogo, Vasco e Santos) não apresentaram grandes novidades. Como não conquistaram vaga na Libertadores, o mais provável é que se reforcem para tirar o atraso em relação a equipes mais competitivas. O Cruzeiro já apresentou o meia Diego Souza, ex-Vasco, e o volante Nilton, outro ex-cruzmaltino, parecendo preocupado em tirar a diferença para o elenco mais forte do rival mineiro, o Galo, vice-campeão nacional. A preocupação na Toca da Raposa fica por conta da provável saída de Montillo, interesse principal do Santos para a temporada, pois Robinho, outro sonho peixeiro, parece um salário inviável para os praianos.

Por último, o São Paulo, que acabou o ano com o título da Copa Sul-Americana. Até agora, a equipe ganhou seis reforços (Lúcio, zagueiro campeão mundial de 2002; Carleto, lateral que volta de empréstimo; Juan, outro lateral canhoto; e os atacantes Negueba, Aloísio e Wallyson). Mesmo com a saída de Lucas, a equipe é forte candidata a todos os títulos que disputar, principalmente se contratar Montillo ou Vargas, com os quais negocia. O clube fez um segundo semestre louvável, com ótima reação no Brasileirão e título incontestável na Sul-Americana. A volta de Rogério Ceni e o entrosamento defensivo, além da presença de Lucas, foram o tom do time. Se Luís Fabiano conseguir se firmar em campo, lutando contra suspensões e contusões, o São Paulo vai ser parada indigesta pra qualquer um.

2013 promete, com overdose de futebol mundo afora. Pra aquecer, a Copa São Paulo de Juniores começa amanhã, com muitos atletas profissionais em campo, pois o limite de idade voltou a ser de 20 anos, sem considerarmos os eventuais gatos, aqueles jogadores com 20 anos no RG e 25 de idade.

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janeiro 3, 2013 at 12:00 pm 1 comentário

Dois Corinthians

   O Corinthians foi dois times completamente diferentes no jogo de ontem, diante do famigerado Galo, em Ipatinga. Quem esperava por uma moleza não estava vendo a agonia do líder nas últimas rodadas, com aproveitamento de zona de rebaixamento. O time entrou até que animado, surpreendendo a todos, dando pinta de que voltava a ser o time que jogava bem com Liedson, JH, Danilo etc. Só parecia, pois logo o Atlético tomou conta do jogo, começou a chegar perigoso perto do gol de Júlio César, o famoso Horácio do Parque São Jorge.

   Não demorou e logo veio o gol mineiro, com cabeceio de cearense, o Dudu. A defesa saiu para provocar impedimento, mas não Weldinho, que andava no miolo da pequena área, olhando as estrelas do céu de Ipatinga. Logo depois veio um pênalti que muitos acharam maroto, mas em lanco no qual Jorge Henrique abraçou o zagueiro Réver, parecendo querer tirar para dançar, mas no tempo das cavernas, meio bruto. O árbitro não quis conversa, e muito menos Guilherme, que mandou a bola com força, no canto de Horácio, tornando a desvantagem definitiva em Minas Gerais, isso na visão paulista.

   Tite revelou que ficou torcendo pelo fim do primeiro tempo. Todos pensam que Alessandro também, pois se arrastava em campo, parecendo um ancião de 70 anos, uma verdadeira avenida para os atacantes do ameaçado Galo. E depois o gaúcho Adenor disse que chamou a atenção do time no vestiário, pois ainda faltavam 45 minutos. Disse também que o time estava controlando o jogo, mas talvez se referisse a evitar uma goleada, pois o que menos acontecia era o Corinthians controlar o jogo. Ninguém em sã consciência poderia supor uma reação paulista depois do que ocorrera na etapa inicial.

   Tite mandou Emerson Sheik a campo no lugar de Alessandro, que parecia um senhor sonolento dentro de campo. Pesava nas costas do time, já em má fase na tabela. Pois eis que o milagre aconteceu, e o time voltou outro no segundo tempo. Sheik recebeu uma assistência para se enfiar atrás da bola, de cabeça, feito um famigerado atrás de um prato de comida, como diria Neném Prancha, filósofo da bola em tempos remotos. O atacante desengonçado fez o gol de cabeça e botou fogo no jogo, logo no início do segundo tempo. Muitos, e eu me incluo nesse grupo, pensavam que o time só irritaria o Galo com esse gol.

   E não é que Sheik participou diretamente do gol de empate, quando recebeu um lançamento e correu em direção à área mineira, pronto para igualar o marcador, mas foi calçado pela defesa adversária, recebendo de presente um pênalti e um cartão vermelho para o time oponente, na figura do beque Réver. Alex cobrou do seu jeito que provoca arrepios no torcedor, pois vai devagarinho, parando e tentando induzir o goleiro a pular antes, mas ainda assim deslocando Renan e fazendo o tento da igualdade. Um ponto conquistado num milagre era o que pensavam os corintianos, mas todos queriam mais, pois faltava mais de meia hora e o time estava dominando a partida, com Sheik em noite infernal.

   E o gol começou a demorar para sair, parecendo que a noite terminaria triste para os corintianos, que viam uma expectativa de ressurgimento. O Galo só se defendia, mandando a bola para todos os lados. A pressão estava forte, e o Timão acusava quase 70% de posse de bola quando Emerson recebeu um cruzamento de Jorge Henrique e desviou para Liedson, o Levezinho, que dominou e mandou para o fundo gol do Galo, levando a torcida corintiana, em razoável número no Ipatingão, ao delírio. Era a vitória líquida e certa, como todos esperavam depois da reação e do empate. 3 a 2 era até um placar bonito, mas Emerson queria mais. Sheik recebeu um lançamento para dividir com o goleiro, mas chegou antes e caiu tão logo levou o rapa de Renan.

   Alex novamente tentou deslocar o goleiro na cobrança da penalidade máxima, mas desta vez Renan não se dobrou e fez a defesa. Menos mal para o meia alvinegro paulista, com sotaque de Neto, o xodó do título brasileiro de 1990. Era a redenção de Emerson por uma noite, aliás em atuação de jogador profissional de futebol. Quem viu, viu, pois Sheik é uma incógnita. Não demonstra inspiração e transpiração toda noite, todo jogo. Jogador veterano e aparentemente sem compromisso, mas com capacidade de fazer mais do que vinha fazendo até então. Ele disse que sabe por que está vestindo a camisa do Corinthians, e a torcida espera mesmo que tenha dito a verdade. Não foi uma boa noite do time, pois o adversário não serve de grande base, mas foi uma reação que pode motivar o time e a torcida, que já pensava na saída de Tite após a sequência de fracassos de fins de julho e início de agosto.

agosto 18, 2011 at 6:49 pm Deixe um comentário

Sport 2X0 Náutico, na toca do Leão

   E a armadilha que o Sport preparou para o Timbu deu certo na noite de terça. O técnico Mazola Júnior entrou em campo batendo no peito, urrando que havia chamado a torcida para o campo, pois dizia que jogaria na toca do Leão, apelido do Sport, o clube da apaixonadíssima torcida. E como já é praticamente dona de tudo no Recife, exceto de um hexacampeonato, feito do Náutico, a torcida respondeu ao chamado do treinador e compareceu em massa. O público do Timbu também encheu seu pedaço no belo estádio da Ilha do Retiro, e aí a emoção foi do começo ao fim, pois o clássico é gigante como a importância de Pernambuco para o Brasil.

   O Sport tinha como trunfo a presença de Marcelinho Paraíba, pois o campeonato da série B não exige grandes craques, mas sim boleiros com experiência e muita saúde, caso do atleta com passagem destacada pela Alemanha. Marcelinho não serve para o São Paulo na série A, mas é digno de uma estátua na entrada da Ilha do Retiro, onde tem resolvido as coisas na série B, apesar de o time não repetir o mesmo poder de fogo fora de casa. Muitos tinham Sport e Goiás como favoritos disparados ao acesso, mas quem tem esticado a marcha são Portuguesa, de Edno, e a Ponte Preta, seguidos por Náutico e Paraná, meio irregulares. E série B não é essa moleza, não, como dizem muitos jornalistas paulistanos. Marcelinho Paraíba não conseguiu colocar seu time entre os quatro primeiros ainda, mas foi fundamental na vitória em cima do grande rival, deixando o time a um ponto da zona de acesso. Quem sabe a entrada no G-4 não acontece sábado, na mesma Ilha, contra a líder Portuguesa?

   O goleiro do Náutico foi um assombro no jogo, conquistando a posição mesmo quando muitos duvidavam em Recife. Gideão, nome de vilão de filme do Pinóquio, só não conseguiu prever a furada do atacante do Leão no momento do primeiro gol. Paraíba tentou um cruzamento quando estava quase dentro da grande área, e eis que a bola ficou entre o goleiro e o atacante do Sport, que furou a bola, enganando o ótimo goleiro do Timbu. A bola entrou por muito pouco, macia. E a partir daí foi só festa do time da casa. O adversário foi aguerrido, mas parece que a toca do Leão assusta time até de série A como o Náutico. O time alvirrubro tentou reagir, mas Maylson ainda fechou a conta com um segundo gol providencial. O resultado foi mais que justo, pois o Sport mostrou ser dono da Ilha, pressionando ao ritmo de “casá, casá, casá, casá, casa; a turma é mesmo boa, é mesmo da fuzarca; Sport, Sport, Sport”.

   Só não se sabe por que um jogo gigante do Nordeste e Brasil ficou para uma terça-feira, mas o fato é que a Ilha tremeu. Não foi só a frase de Mazola, o grande feito de dizer que jogaria na toca, que acirrou a rivalidade, mas o fato de as duas equipes buscarem com todas as forças o acesso, coisa que não conseguiram no ano passado. Vão precisar ainda brigar muito com Paraná, Criciúma, ABC, Goiás e outras equipes ávidas por um patrocínio maior e por direito de transmissão bem mais rico para os clubes da primeira divisão. Logo a série B deve receber de volta o Santa Cruz, hoje campeão de bilheteria na série D, a quarta e última divisão, a lona. Vai, Pernambuco, volta para a primeira divisão, mas deve voltar junto com Portuguesa e Ponte Preta, das não menos nobres Sampa e Campinas.

   É cedo ainda para projetar com convicção, apesar da tentativa de subir os dois paulistas e a dupla pernambucana, tanto que do Paraná, terceiro colocado, até o Icasa, décimo oitavo (ou antepenúltimo, como queiram), existe uma distância insignificante de apenas sete pontos. São 15 equipes, minha gente. Só a Lusa parece caminhar a passos largos rumo à série A, por enquanto. Fica como chute a possibilidade do acesso dos tradicionais times de Pernambuco, terra de João Cabral de Melo Neto, Nelson Rodrigues, Paulo Freire, Gilberto Freyre, Mario Filho, Rivaldo, Ariano Suassuna e tanta gente boa.

agosto 11, 2011 at 5:18 pm Deixe um comentário

Edno da Portuguesa

   Edno voltou para o lugar de onde nunca deveria ter saído: a Portuguesa de Despostos, sua casa. Ele saiu escorraçado, com ameaça de tiro na cara se continuasse no clube. Pegou uma fase ruim do clube e acabou pagando o pato junto com treinador. Verdade seja dita que a torcida da Lusa espera muito mais dela do que ela efetivamente pode dar em troca. O fanático espera um título de Brasileirão ou pelo menos Paulistão. E isso quase aconteceu em 1985 ou 1996, por uma daquelas grandes fatalidades. Não que o time fosse fantástico, mas o campeonato com mata-mata deixa a oportunidade para que um América do Rio seja semifinalista, mesmo caso de um Bangu finalista e por aí vai, até chegar nos bons times lusos dos anos citados, em que a Lusa poderia até ter brigado mesmo que fosse por pontos corridos. O caso é que os times lusos têm sido bem mais modestosneste século.

   Nos dias atuais, dificilmente veremos a Lusa numa grande decisão, primeiro porque o Brasileirão é disputado no sistema de pontos corridos. E no caso do Paulistão, a equipe tem pela proa quatro gigantes que sempre estarão no seu caminho, poderosos na camisa, no dinheiro, na torcida etc. A Lusa vive de glórias como a disputa da série B, campeonato em que os rubro-verdes ocupam a liderança momentânea, com campanha destacada por últimas apresentações regadas a muitos gols, principalmente de Edno, o homem deste texto. Ele voltou com tudo, destacando-se à custa de uma boa equipe, comandada por Jorginho Cantinflas, vice-campeão paulista em 1985, jogando pela Portuguesa. E os 2.800 pagantes têm sido frequentes na campanha do time do Canindé dos últimos 40 dias.

   Ninguém espera por exibições exuberantes contra grandes adversários, mas a torcida poderia colaborar e colocar as faixas de cabeça para cima, demonstrando seu apego ao time, sem pensar em títulos de primeira divisão, coisa que ficou lá pelo início dos anos 1950, quando a equipe montou uma máquina que fornecia jogadores para a seleção brasileira e ganhava Rio-São Paulo com categoria. O último título que quase foi para o Canindé aconteceu em 1996, com um time à base de alguns jogadores revelados pela Lusa, como Zé Roberto e Rodrigo Fabri, além de experientes atletas no meio, como Caio, revelado pelo Grêmio, e a dupla de volantes Capitão e Gallo. Outro ponto forte daquele time era a dupla de zaga, com César e Émerson, que não deram certo em outro lugar, assim como acontece com Edno.

   E o time de 2011 tem em Edno a sua ponta da flecha, mas a estrutura se reforça com o lateral-esquerdo Marcelo Cordeiro, o goleiro Weverton e os meias Guilherme e Marco Antônio, principalmente este, um talento revelado pelo São Paulo. Edno não se intimida jogando pela Lusa. No Corinthians, era como um São Francisco de Assis, muito humilde, tímido. Mesmo quase sem um fio de cabelo na cabeça, demonstrando a idade já avançando para chegar nos 30 anos (hoje ele tem 28), o catarinense de Lages entrava como se fosse um contínuo de Botafogo e Corinthians, um office-boy. Só faltava chamar um Caio de professor no Fogão, ou ainda pedir licença para espirrar perto do atacante Dentinho Samambaia, do time do Parque São Jorge. Edno é capaz de cantar “O Portão” e declarar amor à Lusa, mas só tem feito isso com seus gols, que por enquanto fazem com que ele esteja nos braços da fiel torcida lusa, sedenta por títulos que não virão, os de primeira divisão. Este da série B está com cara de Lusa, mas ainda é cedo, ainda mais que Ponte e Americana estão com os mesmos 17 pontos do time rubro-verde, que por sinal joga amanhã em Arapiraca. Jogo bom para o ataque luso aumentar seu saldo de 15 gols.

julho 1, 2011 at 4:25 pm Deixe um comentário

Guarani se arrasta na série B

   Que jogo modorrento disputaram ontem Guarani e Bragantino. O estádio de Bragança Paulista, o Nabi Abi Chedid, estava com pouco público, pois o time da casa está no grupo dos quatro últimos colocados da série B, sem muita expectativa de reação. O craque do time é Luís Mário, que fez história no remoto ano de 2001, vencendo a Copa do Brasil jogando pelo Grêmio. Há algum tempo o craque do Braga tem sido presença constante em times com jogos exibidos pela Redevida, das divisões secundárias do Estado de São Paulo. Seu grande feito foi um gol com jogada exuberante, numa manhã de domingo, em Mogi Mirim (já que a cidade quer, subverta-se então o tupi-guarani, que pede moji, cujo significado é rio).

   Pois o Guarani, com um time muito limitado, conseguiu um empate fora de casa, e num campeonato que em outros tempos, principalmente do final da década de 1970 até o final da década de 1990, levaria de roldão do começo ao fim, na ponta da tabela. Não há mais a expectativa de que isso aconteça. A cidade de Campinas sabe que o time possivelmente luta para subir num ano e cair no outro, mesma situação pela qual passa a Ponte Preta, pelo menos poupada de tal vexame no Paulistão, campeonato em que o Bugrão disputou a segunda divisão por duas vezes nos últimos anos. Para quem teve uma linha de frente com Djalminha, Amoroso e Luizão em 1994, é para lá de decadente. Nem o antes belo Brinco de Ouro da Princesa escapa do tempo, hoje parecendo um esqueleto dos grandes tempos, quando o time alviverde foi campeão (1978) e vice-campeão (1986 e 1987) do Brasileirão, conquistando vaga para disputar três vezes a Libertadores, em tempos de só duas equipes por país no torneio. Se fosse hoje, o Bugrão estaria todo ano, de tão regular que era. Só para comparar, o Corinthians só disputou sua terceira Libertadores em 1996.

   A perspectiva de quem vê o Guarani é de que as coisas piorem. Se o time subir para a série A, possibilidade que existe, pois a decadência também faz parte do cotidiano de Lusa, Ponte, Sport e outros times médios do Brasil, cai no ano seguinte para a competitiva série B. E leia-se competitiva porque tudo pode acontecer, inclusive o rebaixamento do Guarani para a série C, como ocorreu há alguns anos, quando pareceu que o clube atingiu o fundo do poço. A julgar pela realidade atual, o poço pode ser mais fundo. Dificilmente o cenário poderá ser revertido tão brevemente, pois não há dinheiro. Os clubes grandes da série A às vezes passam um susto e caem para a série B, casos recentes de Corinthians, Atlético Mineiro e Vasco. O Bugre, às vezes poderá viver um “Tempo de Despertar”, aquele filme com Robert De Niro, voltando à elite da série A, mas logo cairá à sua realidade de clube de série B, bolso vazio, Durango Kid etc.

   Quanto ao adversário, hoje não está numa condição tão ruim, pois não teve tradição antes de 1988, quando subiu para a primeira divisão em São Paulo e no Brasileirão, e depois de 1994, ano em que chegou a assustar o Corinthians nas quartas-de-final do Brasileirão. Foi o último suspiro do time do ex-mandatário Chedid, falecido dirigente do clube e da CBF. Com a saída dele de cena, entrou o filho, Marquinho, político de cidade e de time de futebol, sem muito êxito para nenhum dos dois lados. 

   Esse é o retrato da série B, com palpite para Ponte Preta, Vitória, Portuguesa e Sport no acesso, mas sem muita expectativa para esses times na série A em 2012. O Brasil vai criando cada vez mais abismo entre os gigantes, os médios e os já esquecidos pequenos, que podem surgir do nada à custa de algum bom mecenas ou mandatário, aquele esperto político regional. E ninguém quer assumir o endividado e cambaleante Guarani, o outrora temido Bugrão de Campinas, campeão do Brasil em 1978, com Renato, Careca, Zenon, Zé Carlos e outros, comandados por Carlos Alberto Silva, que também já treinou a seleção brasileira. Sendo assim, outros jogos modorrentos como o de ontem virão.

junho 22, 2011 at 5:40 pm Deixe um comentário

Peixe e Bacalhau com fome, e série B começa a se definir

   A noite de ontem foi quase definitiva para o Corinthians. Quem pensava que os jogadores estavam fazendo corpo mole para derrubar Adílson Batista do comando do Corinthians se convenceu que o time não está bem, isso sim. Com a volta da defesa titular, a equipe mostrou que um ataque com Iarley e Souza é incapaz de ofender quem quer que seja. A ausência mais sentida do Timão, atualmente, é mesmo Jorge Henrique, que ainda segurava os adversários, pois representa o perigo da velocidade, coisa que não dá para esperar de Iarley e muito menos de Souza, as opções que restaram, porquanto Ronaldo está fora de forma e Dentinho está contundido desde o começo do primeiro turno. O Vasco ganhou com grande facilidade, fazendo 2 a 0 no primeiro tempo, e até tirou o pé do acelerador na segunda etapa, preocupado com a sequência do campeonato e adversários mais consistentes que virão pela frente.

   Na Vila Belmiro, um gol, e que belo gol, bastou para o Santos encostar de vez nos líderes Cruzeiro e Fluminense e crescer no retrovisor corintiano. Mesmo sem Ganso e outros jogadores contundidos, além de técnico demitido, o Peixe mostra que não padece do mal do qual padece o Corinthians. Acabou o gás pelos lados do Parque São Jorge, enquanto a molecada da Vila vem voando baixo, com Alan Patrick, Danilo e Alex Sandro sendo figuras destacadas no momento atual. O Inter, vítima da vitória magra do Peixe, está claramente preparando o time para o torneio mundial de dezembro, mas também não despreza o campeonato, sempre aprontando das suas, principalmente em virtude do rico elenco, mesclado em algumas partidas, principalmente nas últimas oito semanas de jogos às quartas e aos domingos. Haja fôlego. Sábado, o Colorado pega o Mengo, no Rio, enquanto o Peixe joga no Morumbi, no dia seguinte, diante dos donos da casa. O Corinthians seguirá sua sina de derrotas diante do Guarani, no Brinco de Ouro, também no domingo, data prometida por Ronaldo para a sua volta ao relvado, como diriam os portugueses.

   Enquanto a série A segue com suas alternativas, sendo três os principais candidatos ao título (Cruzeiro, Fluminense e Santos) e seis os ameaçados pelo rebaixamento (Vitória, Avaí, Atlético Goianiense, Atlético Mineiro, Goiás e Prudente, com vantagem para Vitória, Avaí e Goiás, que ainda não enfrentaram o Corinthians), a série B tem tudo meio engatilhado para os que sobem e descem. Os quatro primeiros há algum tempo são Coritiba (com os dois pés na série A), América Mineiro (bem forte, apesar do tropeço na última rodada), Figueirense (bom elenco e G4 há muito tempo) e Bahia (demorou a engrenar, mas está no G4 há algumas rodadas). Os que ameaçam o seleto grupo são Ponte Preta e Sport, mas sem grande perspectiva, apesar da negativa de Vito Zago, o homem que garante dérbi campineiro na série A em 2011. Duque de Caxias, Portuguesa e São Caetano, abaixo de Macaca e Leão, já fazem planos para a temporada 2011, em que vão disputar a série B novamente, entre outros torneios. Com relação à queda para a série C, os fortes candidatos são América de Natal (bateu na trave nos dois últimos anos), Ipatinga (fez um campeonato sofrível, mas vem reagindo de forma espantosa na reta final), Brasiliense (merece cair pelo mau futebol, mesmo com o ex-desempregado Andrade no comando, depois de tanto tempo à procura de um clube) e Santo André (deve cair após um fantástico Paulistão, pois negociou Cesinha, Nunes, Branquinho, Rodriguinho e Bruno César). Pouca coisa à frente do grupo nada seleto, ainda estão sob risco Vila Nova e Bragantino, pela ordem. Como faltam dez rodadas, os quatro últimos e os quatro primeiros devem se manter, mas nada impede uma Ponte ou um Ipatinga de uma sequência de três vitórias, o que mudaria rapidamente o quadro. E são justamente esses dois times que se enfrentam amanhã, no Ipatingão, certamente cheio, pois as empresas da cidade têm bancado o ingresso a preço de banana. Certamente Vitório Zago, um corintiano que é ponte pretano nas horas vagas, vai estar atento e torcendo por Eduardo Martini, Ivo, Kieza, Willian e companhia. Só que do outro lado estarão Walter Minhoca e Alessandro, além de mais de 10 mil pagantes. E o mesmo Zago vai torcer contra o Bugre, seu terceiro time, pois este enfrentará o boquirroto Corinthians, esgotado pelas contusões e pelo cansaço dos velhos jogadores.

outubro 14, 2010 at 4:56 pm Deixe um comentário

Ponte guerreira, no último segundo, e Neymar Futebol Clube

   E ontem todos viram rodada cheia na série B, com dez jogos disputados palmo a palmo, pois ninguém está em condições de adormecer no campeonato, sempre havendo chance de rebaixamento ou acesso para qualquer dos times. O quarto colocado é o Figueirense, com 39 pontos, e o primeiro da zona de rebaixamento é o Bragantino, com 26. Nos 13 pontos que separam uma região da outra, habitam muitos lutam para não descer ou mesmo para subir. E ontem quem ascendeu bonito foi a gloriosa Ponte Preta, o segundo mais antigo entre os clubes em atividade no meio futebolístico nacional, só perdendo para o Rio Grande, fundado em 19 de julho de 1900, 23 dias antes da famosa Macaca. Ontem, os alvinegros de Campinas choravam por uma derrota por 2 a 1 até os 40 minutos do segundo tempo, o que deixava o time fora do G-4, o grupo dos quatro primeiros, que ao fim do campeonato são os que vão ascender à primeira divisão, a série A.

   O primeiro tempo terminou com o placar de 0 a 0 em Guaratignuetá. Por um problema nos refletores do estádio Dario Rodrigues Leite, o popular Ninho da Garça, a partida demorou a começar. E os times pareciam mais frios pela demora no início do embate. Tanto que as coisas aconteceram mesmo na etapa complementar. Reis, da Ponte, fez o primeiro gol do jogo, aos 12 minutos. Não demorou, e o zagueiro pontepretano Léo Oliveira fez gol contra aos 26, empatando a peleja, apesar de a Ponte ter um time mais estruturado e em noite melhor. E não é que aos 33 as coisas ficaram piores para a Macaquinha, com gol de Lúcio Flávio, obviamente não aquele eterno jogador do Botafogo do Rio, hoje na reserva de Renato Cajá, ex-Ponte Preta. E parecia que os poucos alvinegros presentes à arquibancada do Ninho sairiam insatisfeitos com o time de Jorginho Cantinflas. Só que aos 40 apareceu o espírito guerreiro dos pontepretanos, surgiu a chance de um gol, e o centroavante William, ex-Santos, não desperdiçou, mandando para a rede.

   E aos 50 minutos, no último suspiro do relógio, Renan fez o gol derradeiro, levando a equipe ao grupo dos quatro primeiros, àquela altura temporariamente. Escrevo temporariamente em virtude do jogo do América de Minas e do Figueirense, ainda em andamento no momento em que os campineiros faziam a festa no Vale do Paraíba. Com a confirmação da derrota do Figueira para o Náutico, em Recife, a Ponte ficou mesmo em quatro lugar, com os mesmos 40 pontos do terceiro colocado, o Coelho Mineiro. Sexta tem nova briga para a Ponte, e aó a parada será no Majestoso, diante do São Caetano, o outrora poderoso Azulão, vice-campeão por duas vezes do Brasileirão, em 2000 e 2001, e também vice-campeão da Libertadores em 2002. O Azulão não parece páreo para o time guerreiro e técnico de Cantinflas, por quem muitos palmeirenses choram após a perda do título nacional no ano passado.

   Hoje tem série A, com destaque para os clássicos Santos X Corinthians e Vasco X Botafogo, mas também com Cruzeiro X Ceará, sendo a Raposa talvez o maior aspirante ao título brasileiro, com bom futebol e sequência incrível de cinco vitórias, antes de empatar no Engenhão, sábado, diante do Fogão. E a grande notícia do dia é sem dúvida a demissão de Dorival Júnior, ex-técnico do Santos. Grande porque se trata de uma queda de braço entre o técnico, campeão paulista e da Copa do Brasil, e o maior astro do Brasileirão, Neymar. Júnior queria esticar o afastamento do jogador, punido após xingar Dorival e Edu Dracena em jogo contra o Atlético Goianiense, duas rodadas atrás. Neymar já não participara do empate contra o Guarani. E venceu o garoto prodígio, chamado de Neymala ou Neymarra por muitos, já preocupados com o comprotamento egocêntrico do craque, hoje se imaginando até maior que Pelé e Maradona juntos.

   Não se sabe se o ventríloquo é o empresário Wagner Ribeiro, que vendia Lulinha como Maradoninha, ou os pais do garoto, ou ainda se ele próprio é quem toma as atitudes de menino mimado, mas o fato é que a atitude do clube reforça a importância que ele vê que tem, deixando a agremiação como autêntica refém do garoto. Hoje, quem pode com Neymar? Símon, árbitro do jogo contra o Corinthians, corre risco de ser inibido para não levar bronca ou aquela tradicional fala cuspida na orelha, proferida pelo craque. Uma coisa é certa: a audiência da Globo vai estourar, pois todos esperam pelos dribles, pelas provocações e talvez por mais confusão envolvendo o Bad Boy da Vila, quase um dono do clube, principalmente após demitir o treinador. Quem sabe não é hora de ele dar uma de Woody Allen, que produz, dirige e atua. Ney poderia ser presidente, técnico e jogador do Santos Futebol Clube, por enquanto, até ele mesmo mudar o nome do time para Grêmio Neymar Futebol Clube. O clube é muito grande para ficar nas mãos de Wagner Ribeiro e seu pupilo.

setembro 22, 2010 at 1:26 pm 2 comentários

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