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Barcelona 4X0 Santos

O Barcelona foi impiedoso. Muitos, e eu me incluo nesse grupo, pensavam que havia necessidade de ver os dois times jogando para ver se realmente o Barça era tão superior ao campeão sul-americano. O primeiro tempo já mostrava que o jogo podia ser encerrado, pois os três gols do time catalão eram decisivos. Na final da Liga dos Campeões de 2005, um 3 a 0 a favor do Milan se transformou em 3 a 3, com posterior vitória do Liverpool nos pênaltis. Só que não era o caso do dono da festa Barcelona e do sparring Santos, morto na véspera e sem força para reagir diante de tamanho abismo entre os dois times. O passeio poderia ter sido maior, terminou num magro 4 a 0, e isso não é só lugar-comum, não, é a realidade de um jogo que não poderia nunca ter outro desfecho. Talvez só uma vitória por placar diferente, mas longe de um mísero empate que fosse a favor do Peixe.

Rafael foi quem mais apareceu no time do Santos. Fez boas defesas, viu duas bolas explodirem na trave e ficou totalmente impotente diante de tanto toque de bola. Ninguém carrega a bola no time azul e grená, às vezes Messi, mas sempre em direção ao gol, sempre com o intuito de ferir o gol adversário. O adversário nem tem o ímpeto do pontapé, pois a bola não para nos pés de Fulano ou Sicrano, é logo jogada de um lado para outro. Não tem firula ou provocação.

Fácil dizer depois do jogo que o Santos ficou a ver navios, deslumbrado por ser o oponente do melhor time do mundo no século XXI. Já são dois títulos mundiais e três europeus neste século. Difícil conter a fúria do time que é a base da seleção espanhola, hoje finalmente justificando o antigo apelido de Fúria. Com Valdés, Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, Fábregas, Iniesta, Pedro e Villa, só precisa de mais dois jogadores o técnico do time vermelho para escalar a seleção campeã mundial. Podem ser Sérgio Ramos e Capdevilla os dois para completar o grupo junto dos 9 barcelonistas.

Claro que Casillas é o titular do time furioso, e não Valdés, mas o fato é que quase dá para montar a seleção campeã mundial de 2010 com o time do Barça, hoje o melhor time do mundo. E o time do Barça não tem só os catalães e espanhóis. O principal é que o elenco se completa com Daniel Alves, Abidal, Alexis Sánchez, Mascherano, Keita, Thiago Alcântara (naturalizado espanhol, filho do brasileiro Mazinho, campeão da Copa de 1994) e Messi. A principal notícia para os amantes do Barça é que não adianta torcer para que Messi pare de jogar lá, pois o forte é o conjunto. Junte-se a isso o fato de lá jogar uma geração de craques e teremos um time quase imbatível. O Santos que o diga, pois não perdeu por culpa de Durval, Ganso ou Rafael, mas por culpa do Barça, que vai sempre atropelar quando estiver num dia normal.

dezembro 21, 2011 at 5:28 pm 2 comentários

E deu Inter, a Torre de Babel, para cima dos congoleses

   A equipe da Internazionale, uma autêntica Torre de Babel com sede em Milão, venceu o Mundial de Clubes da Fifa com facilidade na final, fazendo 2 a 0 logo de cara e levando o resto do jogo em banho-maria, sem que os congoleses do mazembe conseguissem assustar de verdade, até que no final o terceiro gol viesse de um promissor jogador da França. E o dono da festa foi um africano: o camaronês Eto’o, o melhor em campo, de forma disparada. Com quatro brasileiros, três argentinos, um camaronês, um macedônio, um romeno e um colombiano entre os 11 titulares, a equipe azul e preta dominou o jogo amplamente, com mais posse de bola e seis chutes na direção do gol, com três endereçados à rede de Kidiaba, o goleiro da dancinha animada dos jogos anteriores. Milito perdeu ainda dois gols feitos, na cara do goleirão dançarino, que defendeu com estilo. Só que o placar poderia ser mais dilatado, se fosse o caso, não mais apertado.

   E como teve brasileiro da imprensa chorando, dizendo que o Inter de Porto Alegre poderia dar mais trabalho à Internazionale. Nunca se saberá, mas o fato é que o Inter não conseguiu dar todo esse trabalho ao Mazembe, merecendo ser derrotado pelos dois gols da semifinal. Sábado, foi a vez do brilho de Eto’o, que logo de cara mandou passe preciso para Pandev soltar o torpedo no canto de Kidiaba, que pulou sem a menor condição de defesa, aos 13 minutos. Cinco minutos depois, era Zanetti que fazia boa jogada e tentava passar para Pandev, mas a bola chegaria até Eto’o, que girou e fuzilou Kidiaba, então enfurecido com sua defesa e com a adversidade, a primeira no Mundial. Estava liquidada a partida, dada a superioridade técnica da Internazionale. A força dos africanos não mais adiantaria, pois o placar adverso era monumental, uma goleada por 2 a 0. O primeiro tempo seguiu em banho-maria, mesmo sem o melhor jogador interista da temporada, Sneijder, em campo. Thiago Motta e Cambiasso davam show na marcação, impossibilitando o susto congolês.

   E o título mundial veio com tranquilidade num segundo tempo sem grandes emoções. O tempo passava rápido rumo ao terceiro título mundial da Inter, agora a um apenas de alcançar o Milan, rival histórico de cidade, de país, de continente e também planetário. O prêmio foi justo para todos os atletas da Inter, mas muito mais para dois autênticos sul-americanos interistas, há muitos anos em Milão: Ivan Córdoba, o zagueiro baixinho, e Javier Zanetti, eleito o melhor jogador da história do tradicional e centenário clube, segundo votos dos próprios torcedores. Os dois são a alma interista, a Torre de Babel personalizada. Entra técnico, sai técnico, muda jogador, morre torcedor etc., e eis que os dois intermináveis jogadores estão no elenco do time hoje maior do mundo. Não vale comparar com Barcelona, Real Madrid, Chelsea, Manchester United ou Milan, pois o campeão mundial, até dezembro de 2011, será mesmo a Internazionale, do hoje bastante contestado técnico Rafa Benítez, o espanhol que está na corda bamba e dependendo de uma melhora do time nas próximas rodadas do italiano e da Liga dos Campeões. Só que isso é para depois das festividades de fim de ano, certamente com festa do quinteto brasileiro pelas nossas terras. Além dos quatros titulares, Philippe Coutinho, revelação vascaína, também faz parte do vitorioso grupo da Torre de Babel, campeã sem que nenhum atleta italiano tivesse entrado em campo nos 90 minutos, mais os acréscimos. E o mundo dormiu azul e preto em todos os lados, das Américas à Ásia, e da Antártida ao Pólo Norte.

dezembro 20, 2010 at 11:04 am Deixe um comentário

Colorado sucumbe diante da força dos africanos do Mazembe

   Muitos dirão equivocadamente que a derrota do Inter de Porto Alegre para o Mazembe, no Mundial de Clubes de Abu Dhabi, foi por puro salto alto do time brasileiro. Outros dirão que a equipe menosprezou o rival e esqueceu o futebol no Brasil, adormecido num Brasileirão levado em banho-maria. O fato principal da derrota do Internacional foi que a equipe não conseguiu passar pela barreira africana no primeiro tempo, em que os gaúchos tiveram 70% de posse de bola, mas só obrigaram o agora lendário goleiro Kidiaba a uma única grande defesa, quase milagrosa, em lance de Rafael Sóbis, o jogador mais perigoso do time brasileiro. E no segundo tempo vieram os dois gols que causaram a derrota por 2 a 0, sem direito sequer a gol de honra vermelho. A África mereceu, apesar das críticas de Maurício Noriega à dupla de zaga do Inter, vacilante no primeiro gol e cambaleante em importantes  momentos do jogo.

   O Mazembe segurou o ímpeto brasileiro no primeiro tempo, jogando como se espera que um time de força física faça, correndo inapelavelmente atrás da bola, com muita resistência. O Inter não conseguiu superar uma barreira à frente do gol, mas esperava que uma hora o time africano se cansasse. Isso não ocorreu.

   Veio o segundo tempo, e os africanos resolveram arriscar mais, dando chutões e confiando no corpo a corpo dos atacantes fortes contra os beques brasileiros. Kabangu recebeu a bola de longe, mas teve a qualidade de dominar a bola no ar, ver a indecisão de Bolívar e Índio, zagueiros que não são definitivamente o ponto forte da boa equipe campeã da Libertadores, e chutar com tranquilidade, visto de perto pelos passivos beques, tão criticados por Noriega. Depois de tomar o gol, finalmente o Inter, meio atabalhoado, conseguiu criar algumas chances dignas, mas esbarrou nas defesas de Kidiaba, o goleiro da dança com a bunda no chão, comemorando agora o milagre de estar numa final de Mundial da Fifa.

   Rafael Sóbis foi o mais perigoso do Colorado, chutando e vendo o goleiro defender num lance, mas depois cabeceando rente ao travessão logo em seguida, além de abrir espaço para tudo o que é lado do ataque. D’Alessandro ficaria em campo até o fim, tentando, criando, mas teria novos companheiros após as trocas de Celso Roth, nada eficientes, e como é fácil dizer isso depois do resultado. Tinga e Rafael Sóbis dariam seus lugares a Leandro Damião e Giuliano, mas o gol não saía, além de as chances desaparecerem, exceto por uma defesa à queima-roupa de Kidiaba, com o diabo no corpo. Entraria ainda Oscar, meia, mas nada mais poderia ser feito quando um bicão de Kidiaba chegasse ao ataque, direto para domínio de Kaluyituka, que iria para cima do temível Guiñazu, que sambaria com as pedaladas do africano, antes de o atacante ajeitar e dar o tiro cruzado, de pé direito, no canto direito de Renan, que se esticaria e veria a bola encher a rede dos Emirados, aos 40 do segundo tempo. Estava definida a vaga dos congoleses para a final.

   Quem esperava um duelo Inter X Inter, na final de sábado, verá Internazionale X Mazembe, com direito a reclamação de Júlio César, goleiro brasileiro do time milanês. O arqueiro não gostou da dancinha do goleiro africano; achou puro deboche e oportunismo. Com esse espírito brincalhão e com uma folha salarial de R$ 400 mil, mas jogando com força, os africanos podem surpreender ainda mais. Não surpreenderam dentro da partida, pois jogaram com força, assim como Camarões e Argélia, em 1982, os primeiros selecionados africanos a assombrarem o mundo. Os africanos surpreenderam quem achava que eles fossem para cima feito loucos e se tornariam então presas fáceis para o infinitamente superior Colorado. Num jogo entre duas equipes que nunca se enfrentaram, nem sempre é fácil fazer a previsão antes do jogo. O fato é que o Inter não jogou com desdém em momento algum do jogo. O desdém veio mesmo de quem acha que a final do Mundial será sempre entre sul-americanos e europeus, ainda mais quando os sul-americanos são brasileiros. E o Brasil já sucumbiu em duas Olimpíadas para campeões africanos: Nigéria e Camarões, este último terminando o jogo com dois a menos que o Brasil de Wanderley Luxemburgo. Vale a pena esperar a final de sábado antes de dizer que vai ser 5 a 0 para a Inter, placar que não será o fim do mundo, assim como não será o fim do mundo se o time italiano, recheado de brasileiros e argentinos, se apertar diante do Mazembe.

dezembro 16, 2010 at 8:45 pm Deixe um comentário

Messi e Barcelona são os maiores do mundo em 2009

     O Barcelona conseguiu o tão sonhado e esperado título de campeão mundial de clubes, em Abu Dhabi, no último sábado. Dias depois, eis que Lionel Messi, o argentino do time catalão, ganhou da Fifa o prêmio de melhor jogador do mundo em 2009, ano em que o Barça arrebatou os títulos de campeão espanhol, da Copa do Rei, da Supercopa Europeia, da Supercopa da Espanha e da Liga dos Campeões, além do mais importante, conquistado nos Emirados Árabes Unidos. O time jogou muito bem, dominou a posse de bola em grande parte do jogo e mereceu a vitória, mas que foi um baita de um castigo para o Estudiantes, o oponente da digna final do Mundial, ah isso foi. Os argentinos saíram na frente, com um golaço de cabeça no primeiro tempo, em jogada que começou dos pés geniais de Verón, o craque condutor do time argentino. E seguraram a vitória desde então, com muita competência defensiva, muita raça e uma parede à frente de seu goleiro, impedindo grandes chances dos catalães. Eis que aos 44 minutos da etapa final, quando já se preparavam os argentinos para comemorar o título, Pedro recebe uma bola para cabecear e levar o jogo ao empate e à prorrogação. Aí foi tranquilo, pois o Barça, com um time mais jovem, aparentemente menos desgastado, sobrou nos 30 minutos, tendo em Messi o autor do gol que foi o tiro de misericórdia para que os barcelonistas possam gritar campeão do mundo pela primeira vez, após as batidas na trave em 1992 e 2006, quando a equipe foi atropelada por São Paulo e Internacional, respectivamente.

     No primeiro tempo, o Barcelona começava com Keita substituindo o contundido Iniesta, opção elogiada por Lédio Carmona, comentarista do Sportv. Aos três, Verón lançou Perez, que demorou a chegar na bola, permitindo a Valdés uma saída rápida e o chutão para a bola sumir da área catalã. Um minuto depois, o jogo fica 60 segundos parado após trombada entre Braña e Keita. Aos sete, Ibra toca para Xavi, mas este cruza em vez de arriscar o chute. Na arquibancada do estádio, os cerca de quatro mil argentinos cantavam sem parar, empurrando o time para uma vitória consagradora. O Barça dominava a posse de bola e tomava a iniciativa, mas a marcação argentina era implacável. Aos 19, a estatística apontava 57% de posse de bola para os catalães, contra 43% para os argentinos. Aos 23, cartão amarelo para Messi, que reclamou de falta não marcada, mas não houve mesmo a falta alegada por Lionel. Aos 26, após batida de escanteio, a zaga do Barça desvia e Verón ajeita e chuta, bem perto da trave, arrancando um “uh!” da galera. E o esperado passeio dos espanhóis não acontece, pelo menos àquela altura, pois Verón sobrava no meio de campo, apesar da grande posse de bola espanhola. Aos 32, um pênalti não marcado a favor do Barça, na opinião de Lédio Carmona e Luiz Carlos Júnior, este o grande narrador do Sportv. Aos 36, o inesperado acontece, e Verón, dono do jogo, passa para Diaz, o lateral uruguaio do Estudiantes. Ele cruza na medida para Boselli, acossado por Abidal, cabecear uma bomba para o fundo da rede defendida por Valdés. E a torcida sul-americana foi ao delírio em Abu Dhabi, confiante na segura defesa do time campeão da Libertadores. Aos 41, Henry cruza para tentar o empate, mas Albil segura firme. Aos 42, Messi cobra falta e lança Ibrahimovic, que tenta uma puxeta, mas não alcança a bola, deixando-a tranquila para Albil agarrar. E foi o último lance de perigo do primeiro tempo, encerrado aos 47, para alegria dos argentinos, a 45 minutos da comemoração de mais um título mundial.

     Para o segundo tempo, Pep Guardiola, o técnico e ex-jogador do Barcelona trocou Keita por Pedro, chamado por todos de Pedrito, o moço que marcou gols em seis competições diferentes no ano de 2009. E logo aos dois minutos, Henry serve Ibrahimovic, que chuta cruzado, perto da trave, em lance propiciado por uma saída errada da defesa do Estudiantes. Aos quatro, Verón bate falta de longe, mas Valdés agarra. Um minuto depois, foi a vez de Xavi bater falta e a zaga do Estudiantes tirar na base do “Deus nos acuda”. Aos seis, Henry faz boa jogada e cruza, mas Albil defende para os argentinos. Ainda aos seis, com forte pressão do Barça, Ibra leva no peito e na raça, só parando na frente do goleirão argentino, que bloqueia a passagem da bola, endereçada ao gol.  Luiz Carlos Júnior dizia que seria “difícil segurar a pressão do Barça”, sendo apoiado por Lédio Carmona, o comentarista do Sportv, colega do narrador. La Brujita Verón era o encarregado de segurar um pouco a bola, baixar a poeira da pressão barcelonista, tentar fazer o relógio andar e garantir a posse de bola para os argentinos. Aos 13, Rodriguez bate em Henry e leva o amarelo. Aos 14, lançamento para Pedro, após linha de passe do Barça, mas o atacante não chega a tempo de mandar para a rede. Aos 16, Ibrahimovic lança, e Pedro é interceptado na hora do chute, quando aparece um pé salvador da zaga do time de La Plata. O Estudiantes se defendia como um gigante, ou por outra, como se fosse um George Foreman, dos tempos de fim de carreira, quando o boxeador, veteraníssimo, apanhava a luta inteira, mas não caía nem com reza brava. Aos 24, Pedro faz bela jogada e cruza para Messi, mas Albil corta com o pé, como se fosse goleiro de futebol de salão. E o jogo seguia no ataque contra defesa, com sufoco para cima do Estudiantes. Os argentinos ganhavam todas de cabeça na área; cada cruzamento era escorado para longe pelas cabeças mágicas argentinas. Aos 30, lançamento para Piqué, o zagueiro, que manda para o meio, mas Albil manda para fora, salvando sua meta. Aos 31, Sabella, o técnico argentino, ex-jogador do Grêmio, do Brasil, troca Benítez por Sanchez, um meia por um volante, segurando as pontas. Aos 32, em contra-ataque perigoso, Albil salva na hora “h”  o perigo iminente de gol. Com Yaya Touré e Jeffrén em campo, as últimas cartas lançadas por Pep Guardiola, o técnico catalão, a equipe do Barça partiu para a pressão forte nos minutos finais, senão morreria pela terceira vez na praia do Mundial de Clubes. Aos 36, Henry faz simulação de falta perto da área, tentando cavar para Messi fazer o gol do respiro, mas em vez disso veio o cartão amarelo para o francês, que adora jogar com as mãos e iludir a arbitragem. O Barça iria pressionar até o fim, sem deixar o Estudiantes passar do meio de campo. E mesmo com todo o nervosismo do Barça, uma bola foi levantada na área do Estudiantes e, na única vez em que o time argentino perdeu pelo alto, Piqué tocou para o lado, com a cabeça, e Pedro chegou para cabecear por cima de Albil e ver a rede estufar com a bola certeira, primorosa, catalã. Era o gol da redenção espanhola, ou catalã, como preferem os barcelonistas. E eles pularam e festejaram o gol inacreditável àquela altura, a um minuto do fim do tempo regulamentar. O árbitro ainda deu mais três minutos de acréscimo, mas nada além da substituição de Re por Rojo, por parte dos argentinos, aconteceu de perigoso. Todos iriam mesmo para a prorrogação.

     No primeiro tempo da prorrogação, logo a um minuto, Jeffrén cruza com perigo, mas a bola passa pelo carrasco Pedro e vai para fora do gol argentino. Aos três, Desábato dá carrinho perigoso em Messi: amarelo para o beque do Estudiantes. Um minuto depois, recuperado, Messi bate a falta e a bola passa perigosamente perto do travessão. Aos seis, pressão de novo, e o argentino Messi tabela com Ibra, recebe e chuta rasteiro, com perigo, mas para fora. A marcação argentina estava menos rígida, dando sinais de cansaço, com o Barça no pique total, disposto a resolver antes dos pênaltis. Aos 11, Touré lança Ibra, que senta o pé na bola, mas manda para fora. Em cima da marca dos 15, o árbitro já apita fim do primeiro tempo e logo dá a saída para os 15 minutos finais da prorrogação. E aos quatro da etapa final da prorrogação, eis que surge o gênio em campo: Dani Alves cruza na medida para Messi, que aparece como uma flecha, antes de Albil ou qualquer defensor argentino, e manda de peito para a rede do Estudiantes, botando abaixo o estádio com os gritos de campeão dos catalães, virgens em conquistas como essa. A coisa se complicava para os argentinos, que não acreditavam em mais um gol para tirar o bicampeonato mundial que parecia tão certo antes do gol de Pedrito. Aos seis, Rojo dá um pontapé em Dani Alves e leva cartão amarelo. Aos nove, Lédio dizia que o “Estudiantes foi um grande adversário para o Barcelona”, já mandando descer o caixão dos argentinos, dando a partida como encerrada. Só que o Estudiantes ainda tentou nos minutos finais, na base da raça. Aos 12, Valdés levou amarelo por fazer cêra na saída de jogo. E aos 15, em cobrança de falta, Verón lançou a bola na cabeça de Desábato, que inacreditavelmente mendou para fora, perdendo um gol que ele costuma fazer sempre que vai para a área do adversário, jogando fora a última chance de reação dos argentinos. Logo depois disso, o árbitro encerraria a peleja, dando o merecido título de campeão do mundo aos espanhóis, ou catalães, ou time do mundo, como queiram.

     Jogando muito, dando espetáculo o ano inteiro, o Barça mostrou o espetáculo que todos queriam ver durante a temporada. Reinou soberano na cidade, no país, no continente e no planeta, encantando a todos que puderam vê-lo, no campo ou pela televisão, e até mesmo aqueles que escutam pelo rádio, viajando nas ondas dos narradores, todos maravilhados com o futebol mágico de Messi, Ibrahimovic, Iniesta, Xavi, Puyol, Dani Alves e companhia, mas que companhia, meus amigos. O time fechou o ano com chave de ouro. Pep Guardiola, o técnico, já se prepara para o que vem em 2010, pois será muito difícil passar perto de igualar uma temporada de magia e futebol como foi a de 2009 para o Barcelona, hoje o maior time do mundo com toda a glória e toda a justiça. Parabéns, barcelonistas.

dezembro 23, 2009 at 10:46 am Deixe um comentário

Mexicanos provam do gosto apimentado do time do Barcelona

     O Atlante, do México, teve um gostinho especial quando fez um gol logo de cara no jogo semifinal do Mundial de Clubes, diante do Barcelona. O mundo via perplexo um time desconhecido, de um país respeitável, diga-se de passagem, conseguir furar um time tido como imbatível, ou pelo menos dono do melhor jogo do planeta em termos de futebol. Só que não passou de um susto rapidamente contornado pelos jogadores do time catalão, hábil em viradas, em goleadas e em qualquer tipo de vitória. Não à toa, são os atuais campeões europeus, espanhóis e da Copa do Rei. Falta-lhes um mundial, e todos creem ser agora a hora, a menos que Verón, do adversário Estudiantes, faça uma de suas muitas bruxarias, coisa que muitos não veem como possível; mas não é bom brincar com os hábeis argentinos, donos de uma das mais perigosas escolas de futebol do planeta. E por falar nisso, o astro do Barça é realmente um argentino, talvez o melhor jogador do mundo: Messi. O Barcelona não foi só amplamente superior, foi dono do jogo, senhor da partida, enquanto o Atlante desfrutava do momento histórico de enfrentar o gigante time desejado pelos jogadores de todo o mundo. Foi a realização de um sonho para os jogadores mexicanos, que provaram da apimentada atuação do time espanhol, que prefere ser chamado de catalão.

     E tão logo o jogo começava, e as duas equipes nem tiveram tempo de se estudarem direito, eis que aos quatro minutos sai o primeiro gol da partida, feito por Rojas, que recebe bola açucarada, chega mais rápido na bola e toca por cobertura diante de Valdés, o goleirão do Barça, que nada pôde fazer. Com a vantagem, o estádio olhava estupefato se perguntando por uma possível hecatombe para cima do Barcelona, caso esse não conseguisse reverter a adversidade. Aos seis, resposta rápida do Barça, com Busquets cabeçeando firme e vendo Vilar defender com maestria. O Atlante também arriscava seus lances, mas pecava na hora de armar o grande chute. Enquanto isso, o Barça permanecia com dificuldade para criar o seu gol de empate. E os mexicanos seguiam dourando a pílula, segurando o jogo o quanto podiam, mas o Barça parecia saber a hora certa de agir, tocando tranquilamente a bola, esperando a hora certa da estocada fatal. Aos 22, a estatística do jogo apontava 80% de posse de bola para os espanhóis, um verdadeiro massacre. Apesar de o relógio correr a favor dos mexicanos, os barcelonistas confiavam nessa supremacia na posse de bola. Aos 24, Ibrahimovic, a mais sentida ausência da Copa 2010, ganhou uma bola de bandeja servida por Yaya Touré e chutou, mas sem grande perigo para o Atlante. E com o Barcelona marcando mais à frente, o Atlante não conseguia sair do seu campo de defesa sem perder a posse de bola. Aos 29, Márquez resolve arriscar de bem longe, mas a bola vai para fora, sem perigo para o Barcelona. Aos 32, em cobrança de falta, Ibrahimovic bate com talento, perto do travessão defendido pelo arqueiro Vilar, que nada poderia fazer se a bola fosse para o gol. E aos 35 o suspense acabou, pois uma cobrança de escanteio encontrou, após desvio, Busquets, que só mandou para a rede mexicana, apimentando o embate com o resultado de 1 a 1. O Barcelona queria resolver a parada ainda no primeiro tempo, mas o fechado Atlante não permitia novas estocadas tão facilmente. Aos 43, quando Ibrahimovic se preparava para virar o jogo, eis que o bandeirinha anota impedimento. A0s 46, foi a vez de Daniel Alves mandar a bola para a rede, mas pelo lado de fora, após bela jogada com Ibra, o craque sueco. Logo em seguida, Sua Senhoria pôs o apito na boca e soprou, decretando o fim do primeiro tempo. A igualdade no marcador era um feito epopéico para os mexicanos. Será que eles segurariam o gigante na etapa derradeira?

     O segundo tempo começou com a torcida em estado de frenesi, pois o argentino Lionel Messi se aquecia à beira do gramado, pronto para entrar e liquidar a fatura a qualquer instante, com toda a sua genialidade de melhor do mundo. Aos quatro, Iniesta cruza a bola perigosa, mas Ibrahimovic não alcança. Aos oito, delírio na arquibancada em Abu Dhabi, pois o Barcelona processa duas substituições, com as entradas de Messi e Piqué nos lugares de Yaya Touré e Rafa Marquez, respectivamente. Poucos segundos depois disso, eis que Messi recebe passe de Ibrahimovic, dribla o goleiro e manda para o fundo da rede, logo no primeiro contato com a bola. Aos dez, o Atlante substitui Solari por Carevic. Aos 14, Rojas assusta o time espanhol, mas Valdés defende o perigo. Aos 16, Ibrahimovic ajeita para quem vem de trás, mas ninguém aproveita o toque genial do sueco. Aos 18, o Atlante faz mais uma substituição, com a entrada de Pereyra em lugar de Velazquez. Aos 21, as favas ficam contadas, pois Iniesta, o craque espanhol, deixou Pedro, popularmente chamado de Pedrito, na cara do gol; e o atacante só escolheu o canto e tocou no ângulo, sem chance para o arqueiro do time mexicano. Aí Inês de Castro já estava morta, o enterro já havia passado na Avenida São João, na Ipiranga e tudo o mais, pois era só esperar o tempo passar e aguardar a grande decisão. Aos 26, Ibrahimovic, em ótimas condições, chuta com perigo, mas para fora. Aos 29, finalmente um perigo para o Barcelona, que viu Márquez perder gol feito, parando em defesa de Valdés. Aos 36, Bojan, cria da casa, entra para ajudar o Barcelona, e quem sai é Iniesta, com a sensação de dever cumprido. Aos 40, Pedro, ou Pedrito, cai na área, mas o árbitro não marca nada, pois não tinha sido, mesmo. Aos 42, após erro na saída de bola, o Atlante passa sufoco com chute de Ibrahimovic, que obrigou Vilar a fazer uma defesa milagrosa. E daí para a frente foi só o Barça tocar a bola e envolver os mexicanos, que só viam a espécie de “não está mais comigo” e ficavam satisfeitos por terem sido coadjuvantes de tão nobre adversário, o melhor time do mundo, como tem sido decantado em todos os botecos do planeta, mesmo em Madri. Aos 48, Sua Senhoria pôs um ponto final no grande jogo. Agora é com o Estudiantes que o Barcelona vai duelar, no sábado, às 14 horas de Brasília. Espanhóis e argentinos estarão ligados na televisão, pelo menos aqueles que não estiverem em Abu Dhabi, loucos para soltar o grito de “campeão do mundo”. Veremos.

dezembro 18, 2009 at 8:17 pm Deixe um comentário

Estudiantes conquista vaga na final, mas com sangue, suor e lágrimas

     E o Estudiantes, de Juan Sebastián Verón, ganhou sua vaga na final do Mundial de Clubes da Fifa, ao bater o Pohang Steelers, da Coréia do Sul, por 2 a 1, mas à custa de muito sacrifício e sustos até o fim do embate de quarta-feira. Os campeões asiáticos venderam caríssimo a derrota, com muitos pontapés e entradas desleais, mostrando o excesso de vontade de sua equipe, disposta a ganhar a vaga na marra. Os argentinos tiveram que contar com bruxarias de “La Brujita” Verón. O jogo não foi de grande nível técnico, mas de muita marcação e correria, já tradicional por parte dos coreanos, mas nem tão comum assim nos times argentinos, que costumam ter como ponto forte o toque de bola. Eles tiveram que aderir a um ritmo tradicionalmente brasileiro e sambar bastante, senão a vitória e a vaga na decisão não viriam, ou por outra, viriam com alguns contundidos, resultando em terríveis desfalques. Agora, os torcedores de La Plata permanecem nos Emirados Árabes Unidos à espera de uma milagrosa vitória contra o decantado por todos como o maior time do mundo: Barcelona, time catalão que, por acaso, está atrás de seu primeiro título de campeão mundial. Como alento, o time não enfrentará um brasileiro. É que nas outras duas chances que a equipe teve, seus adversários foram São Paulo e Internacional, que passaram por cima do bom time espanhol.

     No primeiro tempo, a partida começou com bastante marcação, e logo aos quatro minutos Sua Senhoria teve que distribuir um cartão amarelo, e foi para Tae Su, do Pohang. Aos seis, o primeiro susto gigantesco do Pohang, quando Boselli manda a bola na trave após uma jogada de meia-bicicleta, levando os platenses ao delírio. Aos oito, Jae Sung bate uma falta para o Pohang, mas a bola vai por cima do gol. Aos nove, Verón lança Boselli, que é travado na hora do chute. Aos 11, Benitez tabela com Perez, mas o chute do primeiro sai para bem longe do gol coreano. Aos 12, é a vez de Jae Won levar seu cartão amarelo, após cometer uma falta. Aos 15, Verón quase faz das suas numa cobrança de falta, mas a bola vai para fora, só assustando o goleiro do time coreano. Aos 18, após cruzamento de Re, Boselli manda de cabeça para fora. Aos 19, Jae Sung mostra que o time coreano está disposto a ter jogadores expulsos, ao levar um cartão amarelo por falta violenta. Aos 22, pasmen, Verón leva um cartão amarelo; logo o craque argentino, o maestro do time, fazendo falta dura. Aos 28, Verón impede tentativa de chute de Denílson, o atacante brasileiro do Pohang. Aos 30, Rodriguez bate livre, sem marcação, mas o goleirão Yong Shin defende sem problemas. Aos 32, Jung Kyum chuta em cima de Albil, que defende com facilidade. Aos 38, quase Desábato joga a bola contra o próprio patrimônio, encobrindo o goleiro Albil, mas mandando para fora. Aos 40, Perez faz boa jogada e manda para o gol, tirando tinta da trave e assustando a torcida coreana. Aos 43, Perez, de novo, assusta o time coreano com um chute de longe, mas que passa raspando o travessão. Aos 46, Benítez bateu uma falta na ponta direita e Boselli tentou desviar, mas não encostou na bola, mesmo assim enganando o goleirão do Pohang, que só viu a bola pingar e encher a rede de alegria para os argentinos. O árbitro encerrou a primeira metade da semifinal logo em seguida, sem dar chance de reação aos jogadores do time asiático. E Lédio Carmona achava o resultado justo, pois os argentinos foram mais perigosos, mesmo. Verón distribuía a bola como queria, e os atacantes do time de La Plata eram muito mais técnicos, verdadeiros pelés perto do time azarão, destinado a dar botinadas e compensar na vontade a falta de técnica.

     Para o segundo tempo, o Pohang começa atacando, com Denílson, aos dois, mas Re afasta o perigo vindo dos pés do brasileiro. E logo a primeira chance perigosa de gol no segundo tempo foi do Estudiantes, aos oito, resultando em gol de Benítez, novamente: Verón lança um atacante pela ponta direita e vê o goleiro sair todo atabalhoado em cima do jogador argentino, que chuta para o alto, ajeitando meio sem querer para Benítez, que mandou para o gol, desviando de um beque coreano, que se posicionava em cima da linha, tentando tirar o ângulo do argentino. Com os 2 a 0, a parada parecia que seria fácil para os argentinos. E os coreanos seguiram batendo, até terem seu primeiro jogador expulso de campo, aos 11 do segundo tempo, após jogada violenta e segundo cãrtão amarelo para Jae Won. O Estudiantes cozinhava o galo, e aos 18 Perez bate escanteio na cabeça de Desábato, que manda para fora. Aos 25, uma bola despretensiosa do Pohang é mandada para a área, e Denílson, em posição de impedimento, recebe a bola pererecando, pedindo para que ele a mandasse a algum destino. Como bom atacante, o brasileiro mandou o canudo para a rede argentina, sem chance de defesa. Depois do gol, ele ficou olhando para o bandeirinha, que confirmou o gol. Um minuto depois, para piorar a situação do Steelers, Jae Sung bate em Verón e leva o segundo amarelo, resultando na segunda expulsão dos coreanos. Aí a coisa ficava difícil, mas os argentinos temiam e muito por suas canelas, e tinham razões de sobra para isso. Aos 31, Yong Shin bate em Benítez, o autor dos dois tentos argentinos. O árbitro não teve dúvida e mostrou o cartão vermelho direto para o goleiro do Pohang. Aí Denílson, o atacante brasileiro, teve que ir para o gol, pois o seu time já fizera as três substituições regulamentares. Daí para a frente, o Estudiantes, campeão mundial de 1968, cozinhava o galo e preservava as canelas do perigo asiático. Aos 36, Verón bate falta, mas a bola vai direto na barreira. Aos 38, o Estudiantes troca Benítez por Salgueiro. Aos 40, segue a sede de sangue dos violentos jogadores do Pohang, com mais um amarelo, dessa vez para Kim, após entrada dura de carrinho. Um minuto depois, Rodriguez tabela com Salgueiro e manda para o gol, carimbando a trave e deixando o rebote para o sortudo Denílson, àquela altura o goleiro coreano. O árbitro sinalizou seis minutos de acréscimo, mas o time argentino, que correra muito para acompanhar a equipe asiática e também para fugir dos pontapés, tocou a bola e gastou o tempo, com três atletas a mais. E aos 51, o árbitro encerrou a peleja, sem nenhuma contusão grave por parte dos argentinos, para delírio dos torcedores de La Plata.

     Agora resta ao Estudiantes esperar pela partida de sábado, diante do Barcelona, o grande adversário da final do Mundial de Clubes da Fifa. E que o Barça não espere moleza, pois o time sul-americano tem um atleta famoso por suas bruxarias, entre elas a de ter colocado no bolso o brasileiro Cruzeiro na final da Libertadores. Vejamos o que o sábado nos reserva de emoção, a partir das 14 horas de Brasília.

dezembro 17, 2009 at 5:46 pm Deixe um comentário


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