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O que é Craque? (por Nogueira, do blog ofinodabola.net)

Ao longo dos anos, nós, contaminados pelo vírus, ouvimos falar sobre o craque de bola. Aquele sujeito que trata com carinho a gorduchinha, resolve partidas e ganha títulos (e segundo o conceito, ele os ganha independente dos outros que estão ao seu lado).

Mas o que é realmente esse sujeito?

Muitas pessoas, hoje em dia, para não terem o descuido de empregar mal esse termo sagrado, criaram um outro que é o ‘jogador diferenciado’. Uma expressão que seria um estágio anterior ao craque, meio que para preservar o termo e não queimarem a língua.

Existem jogadores que, com uma ou duas boas temporadas, conseguem ostentar esse adjetivo que o coloca no hall da fama de equipes, na memória de torcedores, no mundo da propaganda e principalmente nos contratos milionários.

Mas será que um ou dois anos são suficientes para um jogador ser considerado craque?

Ronaldinho Gaúcho é um bom exemplo disso. Não acho ele um craque de bola. Craque pra mim é o Falcão do futsal, Ronaldo e Marcos, que durante toda a carreira foram destaques em suas equipes com títulos.

Ronaldinho é um jogador que teve uma ótima fase no Barça, espetacular, tão fabulosa quanto a de Messi hoje em dia. Mas isso não faz dele um craque! Depois do Barcelona quem foi Ronaldinho Gaúcho?

Acho que o nosso futebol é tão pobre de bons jogadores (desses que mantém uma regularidade mínima) que a obsessão por um craque nos faz usar essa alcunha em qualquer jogador que arrebenta em um campeonato estadual, faz um golaço e coisas do tipo.

Afinal, qual vai ser o craque desse ano?

 

Nogueira é Jornalista, blogueiro, podcaster e escreve no ofinodabola.net

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janeiro 14, 2013 at 3:37 pm 2 comentários

Messi 4X3

Messi demorou a engrenar jogando pela seleção argentina. Sempre foi motivo de chacota de brasileiros e mesmo de argentinos, que viam o craque da Catalunha brilhar no gramado de Barcelona e em todos os locais onde o time azul e grená se exibe mundo afora. Diziam que era fácil jogar ao lado de Xavi, Iniesta, Puyol, David Villa, Daniel Alves, Pedro e Mascherano, entre tantos outros. Sim, pois o ponto forte do Barcelona nunca foi um jogador sozinho decidindo todas as jogadas, mas o conjunto jogando a favor das individualidades, todos marcando e participando dos ataques em bloco.

Eis que neste ano o baixinho começou a deslanchar com a camisa dos hermanos. Tem decidido jogos e feito a diferença a favor da seleção que sempre decepciona nas últimas Copas, entrando como favorita e saindo sempre precocemente, com Messi, Cambiasso, Di Maria, Tévez, Higuain, Milito, Aimar, Mascherano e outras feras em campo. Só que com Sabella no comando técnico a coisa parece que vai ser diferente. O ex-técnico do Estudiantes parece ter encontrado um jeito de acertar o time para que Messi renda seu melhor futebol.

Ninguém vai saber ao certo se foi a mudança promovida por Sabella ou mesmo o fator idade, amadurecimento de Messi, que provocou a melhora que vemos pela televisão. Maradona também passou por isso, pois foi mal na Copa de 1982, só entrando para valer e valendo o ingresso na Copa de 1986, em que foi com sobras o grande espetáculo, o maior da Terra, aos 25 anos, idade que Messi terá no fim de junho. Vejamos nos próximos jogos como vai se comportar o novo Pide D’Oro argentino.

Contra o Brasil, o jogo pode ser considerado Messi 4X3 Canarinhos. Não só pelos três gols do argentino, mas pela bola que ele jogou, com pura categoria contra um time forte. O elenco brasileiro das Olimpíadas foi bem, mostrou garra e talento, mas não deu para barrar o futebol de Messi. Rafael, goleiro santista, disse que Messi chuta sempre de forma inesperada, faz a jogada improvável. Ele não viu Garrincha e Pelé jogarem, mas poderia requisitar alguns vídeos com imagens de Maradona jogando pela Argentina, pelo Napoli e até pelo Boca Juniors, em fim de carreira. O gênio sempre é imprevisível. E Rafael deveria saber disso jogando com o genial Neymar, ainda em fase de amadurecimento e no caminho de se tornar um novo Messi no futuro.

junho 13, 2012 at 1:37 pm Deixe um comentário

Ataliba e Douglas

Ataliba jogou pelo Corinthians no início dos anos 1980. Ele veio do Juventus da Mooca, tradicionalmente chamado de Moleque Travesso, por ser um time pequeno, sem torcida expressiva, mas que sempre aprontou surpresas para os times grandes, principalmente o Corinthians, isso nos tempos de Ataliba. Pois hoje Ataliba não existe mais para os campos de futebol, nem ninguém sabe de seu paradeiro. Difícil que tenha virado técnico, pois sempre foi muito reservado e de raras entrevistas, sem demonstrar ser um grande líder.

Nos tempos de Juventus, Ataliba enfrentou o Corinthians por 12 vezes, tendo marcado nove gols. A solução encontrada pelo pessoal do Parque São Jorge foi contratar o travesso ponta-direita. Ele fez boa carreira no Coringão, amparado pelas companhias de Zenon, Juninho, Casagrande, Biro-Biro, Leão e principalmente Sócrates, nos áureos tempos da Democracia Corintiana. Ele era perfeitamente enrolado, trôpego, mas corria muito e era muito aguerrido, tendo jogado 136 vezes pelo Timão, acumulando total de 25 gols, bom número para um ponteiro sem grande habilidade. A principal utilidade dele para o clube foi principalmente acabar com a fama de “asa negra” que o Juventus tinha contra o Alvinegro, especialmente com a presença do gago ponteiro no começo dos anos 1980.

Hoje temos um exemplo de um jogador de carreira que lembra um pouco a situação de Ataliba, mas não a falta de qualidade técnica nem a caracterísitca de jogo. Trata-se de Douglas, que cansou de ajudar o São Caetano, seu ex-clube, a levar vantagem nos confrontos contra o Alvinegro. Douglas não é fazedor de gols, mas é um daqueles chatos de galochas, capaz de prender a bola e nunca ser desarmado. Deu muitas assistências, deixou companheiros em boa situação de gol e manteve a posse de bola sob o comando de seu time azul durante bons períodos. Quando saiu do Azulão, que diga-se de passagem despencou de lá para cá (não só pela saída do meia), acabou a supremacia do time caetanense em cima do Corinthians. Desde então, a maioria das vitórias tem sido favorável ao time atual de Douglas.

E no sábado de carnaval foi bem o que aconteceu. O novo Ataliba deu um passe de ouro para Willian liquidar a fatura, mais uma vitória magra a favor do Corinthians, então em cima do atual freguês São Caetano, que aliás jogava em casa. Tite fica bravo se alguém comenta que suas vitórias são esquálidas, mas é a realidade. A defesa está segurando o rojão, pois o time não tem sequer tomado gols. O ataque vai lá e se encarrega de fazer o gol da vitória (muitas vezes e até a defesa que faz o gol) e levar o jogo em banho-maria. Esse foi o retrato 3×4 do jogo no ABC, com passe do novo Ataliba, o Douglas.

Douglas tem a qualidade rara de prender a bola e ter lucidez na hora do passe. Está fora de forma nesse recomeço pelo Timão, mas dá indícios de que pode competir de igual para igual com Danilo ou até mesmo Alex, os dois meias hoje titulares. Tite vai saber administrar os bons valores, pelo andar da carruagem. E Douglas, nada parecido em termos de velocidade e dificuldade no domínio de bola se comparado com Ataliba, deve ser o responsável pela organização do meio, aí se convertendo num dos artífices, protagonistas do time, papel que nunca coube a Ataliba, um coadjuvante assumido. A coincidência fica só pelo fim de uma era de “asa negra” do Azulão.

fevereiro 27, 2012 at 4:02 pm Deixe um comentário

Fim da linha para o santo

Um dos maiores goleiros da história do Palmeiras encerrou a carreira neste início de ano. Depois de muitos títulos pelo Palmeiras e uma Copa do Mundo pela seleção brasileira, São Marcos parou após uma série de contusões e a proximidade dos 40 anos, idade com a qual Zoff foi campeão da Copa 1982 com a Itália. Só que o povo espera que o ídolo não abandone seu público, sempre fiel às suas defesas, hoje esperançoso por boas entrevistas, característica muito típica do bem-humorado goleiro.

Marcos teve muitos insucessos nos últimos anos, mas a glória que viveu foi muito maior. Ele teve que esperar Velloso sair para assumir o posto de goleiro titular do Palmeiras, em 1999, aos 25 anos. Tendo sido lançado na Lençoense e passado um mês tentando se profissionalizar no Corinthians, Marcos entrou para a galeria que tem Oberdan, Valdir de Morais e Leão como principais expoentes.

Diferentemente do Corinthians, o Palmeiras teve Leão, Gilmar, João Marcos, Martorelli, Zetti, Velloso e Marcos como goleiros titulares nos últimos 40 anos, uma média de quase seis anos para cada arqueiro. Se tivesse condição, Marcos usaria sua experiência e técnica para fazer o que Zoff fez.

Se perdeu alguns jogos decisivos para o Corinthians, Marcos foi responsável pelas duas maiores derrotas que o Timão sofreu no dérbi, nas duas disputas de mata-mata da Libertadores, em 1999 e 2000. Na primeira, São Marcos fechou o gol no primeiro jogo, garantindo uma vitória por 2 a 0. Na segunda, mesmo com reversão de vantagem por parte do Corinthians, a decisão foi para os pênaltis, e aí o santo defendeu a cobrança de Vampeta e viu Dinei desperdiçar a sua, fazendo o Palmeiras avançar rumo ao primeiro título continental de sua história.

Em 2000, Marcos fez mais, pois o time verde se segurou num placar agregado de 6 a 6, em duas partidas mais que emocionantes. No final, decisão por pênaltis e Marcos buscando uma bola milimétrica de Marcelinho, no cantinho. O Palmeiras eliminou o rival, então numa semifinal. Notem que a linha a partir do meio-campo corintiano tinha Vampeta, Rincón, Marcelinho, Ricardinho, Luizão e Edílson, todos jogadores com passagens pelas seleções brasileira e colombiana, com Copas do Mundo nas costas.

Em 2002, apesar de Kahn ter sido eleito pela Fifa o melhor jogador do mundial, aliás em eleição antes da final, Marcos fez miséria no gol brasileiro, garantindo escassez de gols contra a seleção canarinho, principalmente a partir das oitavas-de-final. O Brasil venceu nos mata-matas a Bélgica por 2 a 0, a Inglaterra por 2 a 1, a Turquia por 1 a 0 e a Alemanha por 2 a 0. Só o inglês Michael Owen, com ligeira colaboração do zagueiro brasileiro Lúcio, conseguiu furar o quase intransponível Marcos, o paredão, a muralha.

Os torcedores sentirão falta da técnica apurada e das defesas arrojadas? Disso ninguém duvida. E a mesma certeza vale para a falta que farão as entrevistas extremamente sinceras e espontâneas, seja no calor de uma derrota ou na alegria de uma vitória. E as entrevistas em programas de rádio e tv, com Marcos contando suas histórias? Isso já faz parte da história, e todos esperarão pela próxima aparição em que o moço de Oriente vai surgir para contar seus causos de futebol, de vida, algo que sobra no espirituoso goleiro.

janeiro 18, 2012 at 6:18 pm Deixe um comentário

Um sonho

Texto de Jorge Eduardo Teixeira Filho, escrito em homenagem aos títulos corintianos de 2009, especialmente a Copa do Brasil

 No começo desse ano eu tive um sonho mas, imaginem vocês, que pesadelo. Sonhei que meu time fora a Porto Alegre enfrentar o Grêmio e que voltava de lá rebaixado.

Sonhei que passei por diversas humilhações, por um ano difícil vendo meu time jogar contra adversários de nomes impronunciáveis, em estádios “desgramados”, com vestiários sofríveis e estrutura inexistente.

Sonhei que meus amigos, torcedores de outros times, criaram piadas homéricas, de gosto discutível e caráter descartável.

Mas eu acordei.

E vi meu time disputar três campeonatos esse ano e levar os três; ou alguém vai discutir a Copa São Paulo … maior vitrine de jogadores do mundo.

Realmente só poderia ser um sonho. Imaginem … eu vi – em meu sonho – um time desacreditado, humilhado, se arrastando em campo … não poderia ser o mesmo time que vi esse ano; um time que com gana, suando sangue, gritando, sem fugir do pau – Exceto pelo Willian ontem com aquela risadinha, mas eu o perdôo – e vencendo, o que para nós não é importante, pois nós, corinthianos, vamos ao estádio ver o Corinthians jogar.

Assim como a fênix que ressurge das próprias cinzas, o Corinthians ressurgiu – ou como a Fiel prefere: Voltou – e na mesma cidade onde caiu. Cidade, aliás, onde obtivemos a primeira Copa do Brasil em 1995.

É; Porto Alegre faz jus ao nome … ao menos para nós.

Realmente não foi o mesmo time. Foi um sonho ruim mas, já passou.

Agora é festa na favela, churrasco na lage, comprar o Lance e zoar os outros Office-boys do escritório.

Porque o Coringão Voltou !!!

dezembro 23, 2011 at 11:00 am 1 comentário

Sócrates Brasileiro

Texto de Gui Monteiro

             Esse foi o maior de todos. Não foi louco como Heleno, nem torto como Mané, mas foi genialmente simples, como Pelé, o simplesmente genial. O Rei fazia tudo dentro de campo, mas não se valia da propalada competência para jogar de calcanhar. Tinha medo de errar ou não sabia mesmo. Nunca fez um gol utilizando a arma sutil do filósofo da bola. Seu calcanhar de Aquiles era e é a falta de humildade; era e é a falta de sabedoria, a fanfarronice; e era a obsessão pela vitória, a mesma que levou Ayrton Senna à morte. O Rei era apenas uma máquina de fazer gols e nem os cometia tão belamente como Zico e Maradona. Sócrates não: esse brasileiro, político em sua essência, passa para a eternidade pelo conjunto da obra, por tudo de bom e de mau que já falaram dele.

De bom, temos o futebol que conciliou duas técnicas aparentemente incompatíveis: objetividade e arte. Ao lado do Galo de Quintino (esse, nunca o entendi diminutivo, grande caráter de uma família de finos boleiros) e outros gênios, encantou o mundo com um futebol que podia ser retratado pelos grandes mestres da pintura. Zico, Sócrates e Maradona foram estetas do futebol.

De bom, temos o espírito democrático que plantou num Corinthians anacrônico a semente da vitória, para germinar nas décadas seguintes. O Brasil de um presidente operário e corinthiano agradece a contribuição do Doutor Sócrates como cidadão ciente de suas responsabilidades políticas. Ah, se todos fossem iguais a você, na defesa do que realmente importa, este seria um país menos miserável.

De bom, temos um homem que nunca se meteu em escândalos, nunca atacou quem quer que seja movido pela estúpida paixão, nunca cedeu às regras impostas pela corrupção que campeia no futebol dito profissional. Sócrates combina com Falcão e com a elegância que se curva aos pés de ambos. Esse tipo de atleta pertence a uma estirpe em extinção. Deixe-me citar pelos menos uns dez: Domingos da Guia, Gilmar dos Santos Neves, Nilton Santos, Didi, Djalma Dias, Figueroa, Ademir da Guia, Luís Pereira, Beckenbauer e Beckham.

De mau, temos o seu amor incondicional pelo álcool, a droga legal. Só isso. E mesmo assim, Sócrates não matou ninguém em acidentes automobilísticos. Nunca foi flagrado bêbado, pelas lentes de um desgraçado, numa balada cheia de mulheres de fama duvidosa, frequentadoras de programas de tevê de fama não menos duvidosa. Nunca estampou as páginas dos jornais ou protagonizou o noticiário televisivo ao lado de travestis e nem por ter espancado companheira ou acompanhante. Lá no Céu, para deleite do Roger aqui na Terra, o Magrão vai ensinar Inútil ao Kurt Cobain, e ambos vão chamar a Amy para fazer backing vocal. E ela vai, é claro. De graça.

dezembro 9, 2011 at 9:24 am 2 comentários

Doutor Sócrates

A primeira vez em que fui a um estádio de futebol foi para ver o Corinthians de 1982, time que à época tinha como grande símbolo o craque Sócrates. Naquele dia, alguns detalhes do jogo me chamaram a atenção: primeiro a admiração pela grama verde do estádio, um Morumbi colossal, gigantesco, divino. Em segundo lugar, a festa da torcida corintiana, naquele dia muito maior que a torcida do Santos, que estava já com seis anos sem vencer o Timão. Por último, o Doutor Sócrates, meu grande ídolo em campo.

Quando um torcedor passa pelo portão de acesso à arquibancada e vê o gramado, a sensação é como a que se tem na primeira vista do mar, descendo a serra, principalmente quando o estádio é um colossal Morumbi, que já chegou a receber 138 mil pagantes. E quando o estádio conta com 60 mil torcedores, como naquele domingo de agosto, uma criança de 9 anos vê como se fossem milhões os torcedores quando acontece o gol, como o que Biro-Biro fez aos 19 minutos do segundo tempo. Nunca mais vi o gol, mas na minha mente é como se tivesse sido de canela, como aquele que Biro fez nas semifinais de 1979, diante do Palmeiras.

Só que o artista principal do dia era mesmo Sócrates. A lembrança que tenho é a de um jogador de basquete em campo. Numa partida de futebol, um homem com 1,92m destoava de jogadores na faixa de 1,70m, altura média dos atletas brasileiros no período. Tudo bem que o gigante Casagrande também estava em campo, mas o autêntico astro da companhia era mesmo um homem que destoava de tudo, pois além de muito alto era muito magro, o que justifica o apelido de Magrão. Não bastasse ser alto e magro, era formado em Medicina. Enquanto muitos nem conseguiam o diploma do ensino fundamental (na época o primeiro grau), Sócrates já tinha nível superior completo e num curso de difícil acesso, em virtude da dificuldade de ingresso e do tempo dedicado à formação. O mais engraçado é que o Doutor jogava contra seu time de infância, o Peixe.

Sócrates, o gigante, era famoso nos gramados não só por ser um jogador médico, alto e magro, mas principalmente por ser muito habilidoso, tendo ficado famoso pelo seu surpreendente toque de calcanhar. Quando os adversários menos esperavam, lá estava ele pronto para tocar de calcanhar e desmantelar a marcação do time oponente. De 1978 a 1984, o craque jogou 298 vezes pelo Timão, fazendo 172 gols, uma média superior a um gol a cada duas partidas, número razoável para quem nunca foi centroavante. Só para comparar, seu companheiro Casagrande fez 103 gols em 256 jogos, média inferior à do estupendo Doutor. Marcelinho Carioca, Neto e Viola são outros grandes ídolos que perdem para Sócrates em termos de média de gols, assim como Rivelino. Dirão que isso não é parâmetro para encerrar discussão, pois falarão dos títulos (Sócrates ganhou três paulistas). Só que a própria torcida do Corinthians elege Sócrates o grande jogador do clube ao longo da história. Tal eleição se deu por meio da Placar, revista com 40 anos de credibilidade e com leitores loucos por futebol, matéria-prima da publicação.

Nelson Rodrigues dizia que o uso indiscriminado de adjetivos era um erro terrível da imprensa, e ele reconhecia sua participação nisso, pois eram chamados de formidáveis, estupendos e insignes verdadeiros borra-botas. Como fazer com Sócrates, o inqualificável jogador? Craque no meio e no ataque, só não era grande coisa como marcador. Domínio de bola inigualável, chute perfeito, passe preciso, visão de jogo e posicionamento inacreditável. A vida pessoal e o amor pela bebida são fatos particulares, então não entram na questão do ídolo, pois nada disso visivelmente atrapalhou sua carreira. Os idiotas da objetividade dirão que o Doutor poderia ter mais conquistas se não tivesse bebido. Se não tivesse feito o que fez, deixaria de ser o ídolo, o Doutor, o rebelde da campanha pelas eleições diretas para presidente do Brasil, o líder da Democracia Corintiana e o grande ícone dos milhões de loucos que o viram jogar. Sócrates é Sócrates, ainda que tenha parado de jogar há mais de 20 anos. Ainda que tenha disparadotantas vezes a metralhadora contra os dirigentes de seu ex-time, por meio do Agora São Paulo e do Cartão Verde, nenhum torcedor vai ficar a favor de Andrés Sanchez e outros contra Sócrates. Talvez até fique um ou outro, mas é só para dar razão a Nelson Rodrigues, que dizia que toda unanimidade é burra. Sócrates não é unanimidade, nunca foi, mas é único, será sempre.

setembro 20, 2011 at 7:15 pm Deixe um comentário

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