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São Paulo sobrou na Sul-Americana

Não podia ser outro o resultado final da Copa Sul-Americana. Com um time muito superior a todos os adversários, o São Paulo levantou o troféu mesmo sem jogar o segundo tempo da final, diante do argentino Tigre. Não daria para o oponente fazer dois gols em 45 minutos, coisa que nem tinha feito na primeira partida e nos primeiros 45 minutos da decisiva peleja no Morumbi. E os eventuais dois gols levariam a decisão para a disputa de pênaltis, com vantagem para o time com o goleiro artilheiro, Rogério Ceni.

Do goleiro aos atacantes, o Tricolor arrebentou com o torneio, sem dar chance a algum clube brasileiro ou de países vizinhos. A campanha foi irretocável. A primeira vítima foi o Bahia, que já apanhou em casa antes de só passear no Morumbi.

A vítima seguinte foi a Liga de Loja, do Equador, que empatou por 1 a 1 em casa. Como o gol fora de casa serve para desempate, o jogo seguinte tornava necessário um empate por 0 a 0 no Morumbi. Bem colocado e tranquilo, foi o que fez o São Paulo, com uma defesa bem postada o tempo todo, sem correr grandes riscos.

A terceira fase, a antepenúltima, foi contra a Universidad de Chile. Logo de cara a decisão ia para Santiago. E o São Paulo ganhou por 2 a 0, com Rogério Ceni saindo de campo nervoso por não ver o time fazer mais gols e definir logo a fatura. Azar do time chileno, que levou outra pancada no Morumbi, aí então por 5 a 0.

A semifinal foi contra outra Universidad, dessa vez a Católica. E o time foi mais cascudo, empatando a primeira em casa, Santiago, por 1 a 1. Novamente a decisão deixava o São Paulo por conta de um empate por 0 a 0, e foi o que aconteceu, sem sustos novamente. A defesa ia de vento em popa, tendo tomado apenas dois gols em oito jogos, até as semifinais.

Na decisão, o oponente só ofereceu resistência na base dos pontapés e murros. Os argentinos do Tigre bateram até cansar. Lucas foi a vítima preferida, levando empurrão, solavanco, tesoura, carrinho, puxão de cabelo etc. No melhor estilo várzea, ninguém queria saber de dar o bote na bola. O jeito era encarar o desarme como no futebol americano, tentando a trombada com o adversário são-paulino. Na primeira partida os argentinos seguraram um honroso empate, que deixava a decisão meio aberta, pois o 0 a 0 deixava caminho para novo empate e decisão por pênaltis no Morumbi.

Só que o Morumbi há tempos não via uma noite tão bonita proporcionada pela plateia. O coro sabia de antemão que seria um massacre de bom futebol diante da truculência. Estava definitivo que não seria fácil o São Paulo levar gols, pois entrava com Rogério Ceni, Paulo Miranda, Rafael Tolói, Rhodolfo e Cortez na defesa, auxiliados por Wellington e Denílson, estes os volantes. É uma solidez defensiva pra ninguém botar defeito. Defesa que fechou o torneio com dois gols tomados em dez jogos. Um gol sofrido a cada 5 jogos, ou melhor, um gol a cada sete horas e meia. A chegada de Ney Franco foi a melhor notícia para os tricolores nos últimos anos. Todos só esperam pela debandada de Juvenal Juvêncio para comemorarem a volta dos bons tempos às alamedas do Morumbi.

Pra fechar o 12 de dezembro de 2012 perfeito, falta só dizer que os atacantes arrebentaram na reta de chegada do Brasileirão, garantindo presença na Libertadores 2013, e ainda levantaram o troféu da Sul-Americana com insinuantes Osvaldo, Jadson, Luís Fabiano e Lucas. Na final, Fabuloso foi expulso na Argentina, ficando de fora do fight decisivo do Morumbi. Não fez mal, pois Willian José, artilheiro tricolor no torneio, entrou e ajudou Osvaldo e Lucas a contabilizarem os dois tentos do título. A briga do intervalo só serviu de pretexto para o Tigre tirar o time de campo e encerrar o torneio sem o brilho de um apito final do árbitro. Venceu o time com mais elenco, camisa e futebol jogado. Venceu o time que promete muito em 2013, com retorno à Libertadores e grupo de bons jogadores, mesmo com a saída de Lucas, o craque do time e da seleção brasileira.

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dezembro 20, 2012 at 5:46 pm 1 comentário

Nada de tríplice coroa

Nem a presença do Reizinho de São Januário ajudou o Vasco no duelo de ontem, contra o Universidad de Chile, em Santiago. Juninho Pernambucano e companhia jogaram bem, tentaram de todas as formas, mas o adversário era duro demais. O Bacalhau sucumbiu diante de um time que fez quatro gols no Flamengo, em pleno Engenhão. Canales e Vargas são os melhores jogadores deles, e muitos se perguntam se a derrota terá reflexo na decisão de domingo, contra o Mengo.

O jogo começou com certo domínio do Vasco, mas as investidas perigosas dos chilenos foram paradas por Fernando Prass, que saiu providencialmente quando o atacante adversário se preparava para driblá-lo e entrar com bola e tudo. As disputas de bola eram acirradas demais, muitas divididas e grossa pancadaria em alguns lances. O gol poderia sair a qualquer momento, para qualquer lado, mas saiu no gol do Vasco, na metade final do primeiro tempo. A bola foi cruzada para a área e, após diversas tentativas de estouro da defesa vascaína, caiu no pé de Canales, que chutou forte, cruzado, alto, sem chance para Dedé e Prass, que se atiraram para tentar impedir o iminente gol. A torcida, que já cantava e vibrava com o empate, foi à loucura no acanhado estádio do líder do campeonato chileno.

Veio o segundo tempo, mas La U seguiu com um jogo mais tranquilo, tanto que Fagner acabou expulso de campo. Aí o caldeirão vascaíno entornou de vez. Com um a menos, logo os chilenos fizeram o segundo gol, com bola cruzada e Vargas batendo à queima-roupa para Prass não conseguir a defesa. Então Dedé virou atacante. O “monstro” da zaga é mais perigoso que Alecsandro, mas não teve sorte nas investidas. O tempo passou muito rápido para o Bacalhau, que precisava de dois gols para alcançar a vaga, pois empatara por 1 a 1 em São Januário. Por fim, saiu de campo com uma honrosa derrota, em que seu grande feito foi dar trabalho ao time chileno, hoje o grande favorito ao título da Sul-Americana, que será decidido nas próximas semanas entre La U e LDU, esta do Equador.

Agora o Vasco volta suas atenções para o Brasileirão. A ideia era tentar a tríplice coroa, com Copa do Brasil e Brasileirão. Agora resta ganhar do Flamengo e torcer por uma vitória do Palmeiras contra o Corinthians, hoje o líder do certame. Em três dias o Vasco vai ter que se recompor para tentar um título que poderá vir por merecimento, assim como acontecerá se o campeão for o favorito Corinthians. Ninguém ganha na véspera, é sempre bom lembrar.

dezembro 1, 2011 at 12:39 pm Deixe um comentário

Palmeiras surpreende a América, com todos os méritos ao Goiás

   O ato de colocar o Palmeiras, o Alviverde imponente, como protagonista dessa história de sua eliminação na Copa Sul-Americana, nada tem a ver com a intenção de diminuir o feito epopeico do Goiás, algoz dos paulistas na semifinal do torneio. Os esmeraldinos do cerrado não tiveram facilidade, ou por outra, não viram um time adversário entregar o jogo para eles, mas tiveram que suar sangue para a obtenção de uma virada histórica em pleno Pacaembu, onde o Palmeiras já comemorou a conquista de 24 troféus, sendo o time que mais deu voltas olímpicas no Estádio Paulo Machado de Carvalho. E o jogo de ontem, finalizado com a virada por 2 a 1 a favor dos goianos, é gigante pelo fato de o Verdão paulistano ter vencido a primeira no Serra Dourada, por 1 a 0, entrando em campo ontem com a classificação antecipada à final. Hoje era para ser dia de o Palmeiras ver de camarote Independiente da Argentina X LDU do Equador e saber com quem iria decidir o torneio, mas esse papel cabe ao Goiás, time de Rafael Moura, o intrépido He-Man; Carlos Alberto, o “gato” ex-Figueirense, Corinthians e Galo; Otacílio Neto e tantos outros. Se o palpite desse blog era uma final entre Independiente e Palmeiras, agora passa a ser Goiás contra os argentinos, que têm tudo para uma vitória simples em Avellaneda. Como palpite não é o forte desse blog, melhor ver o jogo com boas ressalvas, até esperando surpresas de gente como Cevallos e Reasco, atletas da LDU e velhos conhecidos do público brasileiro.

   E o desastre do Palmeiras se configura num dia que tinha tudo para ser especial, pois a torcida estava até mais preocupada com a alegria de poder entregar os jogos restantes no Brasileirão, deixando o rival Corinthians em maus lençóis, pois o Palmeiras enfrenta Fluminense e Cruzeiro, adversários diretos dos alvinegros na luta pelo título do certame nacional. O jogo de ontem era dado como favas contadas pelos mais de 37 mil presentes, que totalizaram renda de R$700 mil. Descontando os impostos e as outras despesas, sobra o valor justo para o pagamento de um mês de salário de Luiz Felipe Scolari, o treinador das multidões, o Orlando Silva do banco de reservas, ainda colhendo os louros da Copa do Mundo de 2002 e da boa performance com a seleção portuguesa, apesar de nenhum título com os lusitanos.

   O Goiás viu o seu caldo entornar durante o primeiro tempo, com lançamento primoroso de Edinho, ex-volante do Internacional, pegando Luan na corrida para ajeitar o corpo e chutar cruzado, sem defesa para Harlei, que ainda esbarrou na bola. O primeiro tempo seguiu com o Goiás lutando contra o Golias, e eis que aos 47 minutos um lance mudou o rumo da partida. A torcida palmeirense deu uma brochada quando a bola foi na trave, em cobrança de falta. No rebote, foi lançada novamente para a área e sobrou para Carlos Alberto, o ex-corintiano, embolar-se com a defesa paulista e ver a bola ser desviada para a rede do gol defendido por Deola, que não é dono da famosa padaria paulistana. Terminava a primeira etapa com a pulga atrás da orelha de cada palmeirense, mas a confiança ainda era forte, bem como a diferença da folha de pagamento das duas equipes. Ah, se ela entrasse em campo.

   No segundo tempo, o Goiás jogou melhor, criou boas chances e só não conseguiu a estocada final para a rede logo. O Palmeiras teve algumas bolas importantes, mas Kléber não conseguia fazer nada sozinho, sem um grande companheiro de ataque, e certamente esse não seria Luan. Até que o que parecia ruim virou pesadelo, quando o Goiás avançou pela esquerda, aos 37, com bola chutada da defesa goiana. A pelota pingou e Márcio Araújo cabeceou o vento, deixando dois jogadores esmeraldinos livres para articulação de jogada pela esquerda. Com dois contra Maurício Ramos, Marcão Xampu recebeu na frente do becão Shrek e cruzou na ponta oposta para a assistência de cabeça rumo a Ernando, o beque, que mandou de cabeça para o fundo do gol de Deola. Que lance sensacional, sem que a defesa conseguisse brecar o ímpeto goiano. Linha de passe pelo chão e pelo alto, com bola na rede, e era isso que faltava ao Goiás para carimbar sua vaga na final do torneio continental. Tantos jornalistas pedirão o fim do torneio caso o Goiás seja o campeão, por causa do rebaixamento da equipe no Brasileirão, mas não há vergonha nenhuma em vencer um torneio, mesmo a equipe não sendo paulista ou carioca, como querem os críticos. Mesmo na série B, o Goiás mostra que continua grande e pode fazer o mesmo caminho que fez o Coritiba, que caiu no ano passado e neste ano já subiu para a série A, de onde não quer sair tão cedo, com todos os méritos, claro.

   A quinta-feira é de festa em Goiânia, exceto para torcedores de Vila Nova e Atlético, além dos simpatizantes de times de todo o Brasil e inclusive do interior goiano, pois a cidade é democrática e aceita gente de todas as bandas do País e do mundo. A colorida Goiânia hoje é toda verde, toda esmeraldina. E vale ficar de olho no adversário da final, Independiente ou LDU. Certamente o Serra Dourada estará lotado, seja para a primeira partida, caso o embate se dê contra os argentinos, ou no caso de final contra a LDU, e aí será a partida final.

novembro 25, 2010 at 3:50 pm 1 comentário

Nem kicker de futebol americano chega perto de Marcos Assunção

   O volante/meia palmeirense Marcos Assunção vem carregando o Palmeiras rumo à Libertadores 2011. O moço  já era considerado morto e sepultado pelos que o viram voltar dos Emirados Árabes Unidos, neste ano, para o Grêmio Prudente, de onde previam que fosse para Salgueiro/PE, América/AM ou Vilhena/RO. E não é que o jogador surpreendeu a todos com suas cobranças de falta e escanteio primorosas, coisa que ele sempre dominou, desde os anos 1990, quando desfilou sua categoria por times como Santos e Flamengo, depois de ter sido revelado pelo Rio Branco, de Americana. E neste ano ele chega à melhor marca de gols em sua carreira, com mais de 15 tentos. O atleta carregou o Palmeiras no segundo semestre, depois de ter feito bonito pelo Prudente nos primeiros meses de 2010. Com 34 anos, o atleta tem maior destaque do que Kléber Gladiador, Valdívia, Marcos, Danilo e outros, mais cotados que o veterano para um título brasileiro, que certamente não chegou perto de vir. E engraçado que alguém de 34 anos seja tratado como um morto, um zumbi, quando está no começo da vida, a menos que uma tragédia se abata sobre o indivíduo. Quase morto para o futebol, mas nem isso, pois tem sido a peça-chave do Alviverde paulistano, sendo mais precioso que um kicker de futebol americano, o aclamado responsável pelos chutões de longe do esporte idolatrado pelo povo dos Estados Unidos. Lá, Assunção faria fortuna.

   Anteontem, o craque recebia todas as bolas na intermediária ofensiva, em jogo contra o Goiás, válido pela semifinal da Copa Sul-Americana, para desferir torpedos perigosos, ainda mais porque do outro lado estava o miúdo mas elástico goleiro Harlei. Uma bola rápida e bem endereçada dificilmente seria defendida pelo pequeno arqueiro, mais propício para um gol de futebol de salão ou society, no máximo. E o primeiro tempo teve mais oportunidades palmeirenses, especialmente com os chutes de longe de Assunção. A torcida do Verdão paulista também dominava a arquibancada do belo estádio goiano, o Serra Dourada, com pouca gente do lado esmeraldino, talvez guardando dinheiro para acompanhar o time na série B em 2011, coisa líquida e certa, a menos que o time vença três jogos finais e uma combinação maluca o favoreça na reta final da série A.

   O segundo tempo mal começou, e eis que a bola sobrou para Marcos Assunção. E com um chute à Rogério Silveira, um torpedo de onde der, o atleta desferiu um golpe direcionado ao ângulo do goleiro de pouca envergadura. Harlei até pulou, mas a bola já estava destinada à rede esmeraldina. Um atleta dado como morto era novamente a arma palmeirense para um título inédito, que vai ganhar mais força agora, com o título palmeirense. Certamente, os palmeirenses valorizarão o feito, enquanto os adversários dirão que o torneio nada vale, é taça de primavera etc. É sempre assim com a rivalidade que desperta o futebol. O Goiás ficou nas bolas alçadas na área durante toda a partida, e o único gol goiano foi bem anulado, pois havia dois jogadores impedidos. A defesa palmeirense deu conta de segurar o fraco ímpeto goiano, e certamente estará inteira na próxima quarta, quando tem o jogo da volta, num Pacaembu repleto, além de muitos que ficarão para fora do estádio, com os ingressos nas mãos, como ocorreu no pega diante do Atlético Mineiro, pelas oitavas-de-final. O conselho a estes é que procurem uma boa barraca de pernil e levem um MP3 para degustarem um saboroso lanche e escutarem o jogo pelo rádio, e aí vale Transamérica, CBN ou Eldorado/ESPN, pois difícil é ouvir rádio AM de lá.

   E na próxima quarta, ninguém duvida que a arma palmeirense continuará sendo o chute potente e certeiro de Marcos Assunção, que fechará o ano como um dos melhores atletas em atividade no Brasil. Ainda que seja considerado um velho, aos 34 anos, ele vai levando o Palmeiras rumo a um título importante, pois coloca o time na Libertadores, o que deixa os corintianos, com os dois pés no torneio continental, com a pulga atrás da orelha, lembrando de 1999 e 2000. Será que tem Dérbi na Libertadores – III – em 2011? Se depender de Assunção, sim. E se depender do adversário da final, líquida e certa, o Palmeiras já pode comemorar, pois deve enfrentar o esfarrapado Independiente, da Argentina. O time, com sete Libertadores nas costas (do tempo em que chovia ouro) perdeu ontem por 3 a 2 para a LDU, em Quito, e depende de uma provável vitória em casa, por 1 a 0 ou 2 a 1. Palmeiras X Independiente é o palpite para a final, que deve ter o Palmeiras como campeão. Só que é bom respeitar a LDU. Já o Goiás, pode encomendar dois caixões: um para o Brasileirão e outro para a Sul-Americana.

novembro 19, 2010 at 4:51 pm 2 comentários

Palmeiras atropela Galo na Sul-Americana, e a vergonha dos ingressos para palmeirenses e corintianos

   O Palmeiras, como se podia prever, atropelou o Galo no Pacaembu, ontem à noite, pela Sul-Americana. E foi uma pessoa quem acabou resolvendo a parada, porquanto o mais difícil num jogo de futebol é construir a jogada do gol da classificação, e esta foi construída por Marcos Assunção, como sempre em cobrança de falta e escanteio. Ontem foi de escanteio, e nem a alta zaga mineira conseguiu segurar o ímpeto do volante/meia/artilheiro alviverde, o nome do jogo. Era previsível que essa classificação verde iria acontecer, pois o time está bem à frente do Galo na tabela do Brasileirão, com time melhor e futebol mais consistente, apesar de não ser um azougue no campeonato. Na comparação com o adversário, vence com sobras, pois os alvinegros estão na briga contra o rebaixamento, única meta verdadeira do final de ano para o Galo, comandado por Dorival Júnior, ex-Santos de Neymar. Mesmo tropeçando, o time tem jogado o Guarani para a zona de degola. Com jogos mais complicados pela frente, parece que será mesmo o Bugre que vai se juntar a Avaí, Prudente e Goiás no embalo rumo à série C.

   Voltando à Sul-Americana, que era o que valia no jogo do Pacaembu, o Palmeiras acabou vencendo por 2 a 0, com o segundo gol de Luan, modesto jogador ex-São Caetano, opção de ataque na falta de Ewerthon ou Kléber, ou ainda como suplente. A nota triste ficou por conta do que muitos descreveram como milhares de torcedores verdes que não conseguiram adentrar o Pacaembu, mesmo com o ingresso nas mãos e com tempo de jogo transcorrido. Admirável gado novo, sempre tratado como empecilho para a partida de futebol, o torcedor deveria mesmo ficar em casa. No Brasil, deveria ser criada uma lei para manter os estádios às moscas, pois definitivamente estádio não é lugar de gente. É só entrar no banheiro do Pacaembu, tentar estacionar o carro ou dar uma volta pelas imediações do Estádio Municipal, construído em 1940 para espetáculos futebolísticos, especialmente, para ver a quantidade de flanelinhas e cambistas agindo livremente, na cara do policiamento. Bebida alcoólica, então, é vendida tranquilamente nos portões de entrada do estádio. Estrutura para o torcedor adentrar o estádio, ah isso não existe. E o admirável gado novo estará do mesmo jeito na semifinal do torneio de acesso à Libertadores 2011, com vaga antecipada para o Verdão. O próximo adversário é quase certo que será o Avaí, pois o mesmo empatou em Goiânia, por 2 a 2, precisando de um empate em casa, por 0 a 0 ou 1 a 1, além de uma vitória, é claro. É o mesmo que dizer que o Palmeiras estará na final, pois os avaianos não vão dar para o gasto contra o campeão da Libertadores de 1999, mesmo com Valdívia entrando e saindo dez ou 20 minutos depois, sentindo problemas físicos.

   Também na noite de ontem, o atual campeão da Sul-Americana, a LDU do Equador, avançou na competição ao vencer em casa o Newell’s Old Boys da Argentina, por 1 a 0. Como havia acontecido um empate na Argentina, os equatorianos farão a semifinal, provavelmente contra o Independiente da Argentina, time heptacampeão da Libertadores (64/65/72/73/74/74/84). É bem verdade que o Independiente há muito tempo não ganha nada, mas o fato de ser um time argentino, com a terceira maior torcida do país, pode pesar numa final de muita pressão, caso o time de Avellaneda passe pelo Deportes Tolima, contra o qual empatou por 2 a 2 na Colômbia, estando hoje na mesma situação que o Avaí. Palpite: Palmeiras X LDU na final, e Verdão campeão.

   Outra vergonha relacionada a ingressos refere-se à falta de estrutura do Corinthians para vender seus bilhetes. O site do Timão informava que as vendas para quem não é do Fiel Torcedor começariam ontem, às 10 horas. Quem estava na quadra da Gaviões, um dos pontos de venda, não viu a bilheteria abrir às 12 horas. Os ingressos são vendidos nas quadras das torcidas e em lojas Poderoso Timão, além do Pacaembu. Tudo tem sido muito facilitado para que se encontre um grande número de cambistas no sábado, gente que não fica duas horas na fila para compra de bilhete. Sabe-se lá como conseguem maços de bilhetes, mas o fato é que o torcedor comum não tem acesso aos ingressos, exceto em casos do plano Fiel Torcedor, uma grande comididade, à qual o clube tem obrigado o torcedor a aderir, principalmente com pontos de venda inqualificáveis e criando dificuldade para vender facilidade. É o Corinthians, o mesmo que deseja um estádio para 70 mil lugares, com direito a abertura de Copa de Mundo e tudo a que julga ter direito, sem enfiar a mão no bolso recheado de dívidas. É um retrato do Brasil. Não é à toa que o hino diz que o clube é o mais brasileiro entre todos. Alguém duvida que seja?

novembro 11, 2010 at 1:43 pm Deixe um comentário

Torcida dá show, mas Flu fica a um gol do título da Sul-Americana

     A missão era quase impossível para o Fluminense, ou por outra, só o Sobrenatural de Almeida, personagem criado pelo “Profeta Tricolor” Nelson Rodrigues, acreditava num revés após a primeira partida da final, em Quito. Naquela oportunidade, os tricolores viram a bola entrar de tudo que foi jeito, culminando com uma impedosa goleada por 5 a 1 a favor dos equatorianos. Só que a torcida carioca encheu o Maracanã, com 70 mil presentes, isso sem falar nos penetras, verdadeira praga do Maracanã. E mesmo os penetras tiveram motivo de orgulho pelo que o Fluzão fez na partida, virando com vantagem de 2 a 0 e com um jogador a mais, porquanto um adversário foi expulso ainda na primeira metade. O cenário era propício para um título épico, e ficou mais perto a comemoração quando o Flu fez um terceiro gol, ficando a um tento de levar o jogo para a prorrogação. Só que o Sobrenatural de Almeida entrou em campo a favor da LDU, e expulsou Fred, o maior jogador do time da casa, faltando 15 minutos para o término do campeonato. Depois disso, os equatorianos fizeram o que sabem fazer melhor: tocar a bola e esperar o tempo passar, defendendo a vantagem que conquistaram na altitude, no primeiro jogo. Em defesa dos equatorianos, diga-se que a altitude esteve de greve na Libertadores, pois o time foi o último de um grupo que tinha Palmeiras, Sport e Colo-Colo como suas vítimas, transformadas em algozes. Pela soma dos dois jogos, o título ficou em boas mãos, mas bem que o Almeida poderia ter dado uma forcinha para a torcida, bela e formosa, dando show na arquibancada do Mário Filho, o maior estádio do Brasil. Os torcedores mostraram o belo mosaico, promoveram um belo foguetório colorido e gritaram o tempo todo, incentivando o time. Infelizmente, não deu.

     O Fluminense começou o jogo tentando pressionar, mas o máximo que conseguiu foi um bicão de Diguinho, para o alto, bem longe do gol, aos sete minutos. Lédio Carmona, o comentarista do Sportv, dizia que a LDU “cozinhava o jogo”, e isso aos 11. Aos 12, Mariano limpou tudo e todos que apareceram à sua frente e tocou para Fred, já engatilhado para marcar, mas a arbitragem parou, pois o centroavante estava impedido. Um minuto depois, Diguinho recebeu a bola na intermediária, driblou o marcador e chutou a bola, que desviou em outro adversário e enganou Dominguez: 1 a 0 para o Fluzão. O estádio ia ao delírio, tomado pelas cores verde, grená e branca. Aos 15, linha de passe entre Conca e Fred, e o argentino cruzou para Alan desviar, mas a bola foi para fora. Aos 17, De La Cruz entrou para arrebentar Diguinho e foi imediatamente expulso de campo por Sua Senhoria. O jogo ficava com a cara do Fluminense, que acuava o adversário. De modo destoante, só Adeílson não acertava um lance, e logo ele que seria o terceiro atacante do time, aposta do treinador Cuca, mas se transformava numa nulidade em campo. As bolas cruzadas começaram a pipocar com frequência na área equatoriana, que espanava e rebatia tudo. Aos 29, Conca bate de longe, e Dominguez defende para a LDU. Aos 30, cruzamento para Diguinho marcar o gol de cabeça, mas o árbitro anotou impedimento, claramente visto na reprise do lance, pela televisão. Aos 34, Adeílson erra mais uma, chutando por cima do gol uma bola que deveria cruzar para Fred, o artilheiro. O Flu era só pressão, enquanto a LDU segurava o jogo, gastava o tempo. Aos 40, Marquinho recebe e chuta prensado, com direito a bola espirrada, giro de Fred na sobra e chute do artilheiro, mas Dominguez defendeu bonito o lance. Aos 43, não teve mais jeito, pois Alan lançou o artilheiro Fred, que chutou cruzado, com categoria, rente à trave: 2 a 0. O primeiro tempo não reservou novas emoções, mas o árbitro encerrou, aos 47, com um placar interessante para o Tricolor, que jogaria mais 45 minutos com um jogador a mais e a missão de fazer mais dois gols para levar o jogo para a prorrogação, ou então fazer logo três e dar a volta olímpica.

     Os jogadores do Flu não foram para o vestiário. Cuca pediu para o time ficar no gramado, sentindo a vibração que vinha da arquibancada, das cadeiras e de todos os setores do belo estádio, provável sede da final da Copa de 2014. O Flu foi para a pressão no segundo tempo, e aos três minutos já pedia pênalti num lance em que a bola bateu na mão de Larrea. E o Flu seguia em cima, criando chances e mais chances, mas sem dar o tiro de misericórdia. Aos 12, Conca lança Ruy, que entrara no lugar do inoperante Adeílson. O lateral chuta e a bola bate no beque e em Ruy, na volta, indo direto para a trave, deixando o estádio em polvorosa com a iminência do terceiro gol. Aos 22, Cuca trocou Diogo por Raphael Augusto, botando o Flu em cima da LDU, esperando fazer um gol logo para chegar perto da meta de vantagem de quatro gols. E aos 26, após um lance de perigo do Flu, os cariocas conseguiram um escanteio. Na batida, a bola vem com tudo para a área e se encontra com a cabeça certeira do zagueirão Gum, que entra feito uma flecha, arrebentando a rede adversária, fazendo o maracanã explodir com as cores tricolores. Aos 30, quando estava a um gol do paraíso, de levar o jogo para a prorrogação, eis que o herói Fred fez a bobagem: reclamou acintosamente com Sua Senhoria por um lance que não resolveria nada, e acabou decidindo o título para a LDU, pois o artilheiro foi expulso de campo, jogado para fora do gramado, atrapalhando o encaminhamento da jornada tricolor. Aos 34, Bieler lança Reasco, mas o lateral, que bem poderia ser chamado de fiasco, perde o gol feito, chutando em cima de Rafael. Aos 36, como alento, Campos, zagueiro da LDU, também foi expulso de campo, após puxar a camisa do ponta Alan, tornando os dez minutos finais dramáticos para as duas equipes. E bem que o Flu tentou jogar uma bola na área da LDU e fazer o gol milagroso, mas o relógio andava depressa demais. Maurício ainda entrou em campo, aos 42, no lugar do lateral Mariano. Tudo foi tentado, até a presença do goleiro Rafael na área da LDU, que segurava, amarrava o jogo o quanto podia, até ouvir, como um néctar dos deuses, soar o apito da arbitragem pela última vez na final da Copa Sul-Americana. E mais uma vez os equatorianos davam a volta olímpica no Maracanã, desta vez num torneio menos nobre que a Libertadores conquistada em 2008, mas que também tem seu charme e sua importância, apesar de toda a imprensa desprestigiar o torneio, talvez pelo fato de os próprios times brasileiros participantes colocarem reservas em algumas de suas partidas e reclamarem das partidas que fazem por este torneio. Talvez seja essa a explicação, mas o fato é que é um torneio continental, significa renda, como a de ontem, de mais de R$ 1,5 milhão.

     Agora, resta ao Flu esperar pelo jogo de domingo, em Curitiba, contra o time coxa-branca, para brigar por um empate salvador, que garante o Tricolor na primeira divisão em 2010. A torcida merece pelo menos essa, hein Sobrenatural de Almeida?

dezembro 3, 2009 at 4:55 pm 1 comentário

LDU é impiedosa com River Plate genérico e vai à final contra Flu

     Na quinta-feira magra, em que nada aconteceu no Brasil em termos de futebol, o único jogo do dia, envolvendo a sorte de um clube brasileiro, o Fluminense, foi LDU e River Plate do Uruguai. E a partida decidia quem seria o finalista da Sul-Americana, o adversário do Fluminense. E pelo que jogou, a LDU merecia até ter feito mais que os sete gols a zero que mandou para a caixa do River Plate, não “La Maquina”, como o time portenho era chamado nos anos 1940, mas o genérico uruguaio, com poucos torcedores, pois o povo uruguaio se divide entre Nacional e Peñarol, os grandes campeões da história do campeonato uruguaio. Com atuação impecável de Méndez, o meia equatoriano, a LDU realmente passeou em campo, sem tomar conhecimento do adversário, que vencera a primeira partida, em Montevidéu, por 2 a 1. Foi uma goleada para ninguém botar defeito, com direito a olé e tudo o mais.

     No primeiro tempo, a LDU logo de cara se lançou ao ataque, com William Araujo, que bateu falta, aos quatro minutos, mas a bola foi longe do gol. Aos cinco, um jogador do River Plate chutou de longe, e Domínguez fez a boa defesa. Aos nove, Varela faz um salseiro na área da LDU, mas é desarmado por Espínola, na hora “h”. Aos 11, a bola cai nos pés de Méndez, que manda ver no chute, assustando o goleiro Luciano dos Santos, do River. A LDU começa a pressionar bastante e fica próxima do gol inaugural. E logo acontece o lance que abre a porteira para os gols equatorianos: aos 16, Reasco cisca pela direita e sofre pênalti do zagueiro Diego Souza, brasileiro. Bieler cobra com força, sem chance para Dos Santos, fazendo 1 a 0 para a LDU. O Estádio Casa Blanca foi ao delírio, já antevendo uma revanche diante do Fluminense, vítima da LDU na final da Libertadores 2008. Aos 19, Rizotto chuta para longe do gol de Domínguez, sem grande susto para o goleiro da LDU. Aos 22, Bolaños manda bem uma bola de longe, mas Luciano dos Santos faz a defesa. O time equatoriano, mais técnico, jogava melhor, dominava a partida. Aos 27, escanteio bem cobrado encontra a cabeça de Espínola, no segundo andar, e o zagueirão faz 2 a 0, resultado muito bom para o time do Equador. Lédio Carmona, comentarista do Sportv, viu falha do goleiro no lance, mas cabeceio foi muito próximo do gol, soando mais como exagero do analista. Só dava LDU; pressão total. Aos 29, Calderón limpou Dos Santos e chutou, mas o goleirão se recuperou a tempo de impedir o terceiro gol equatoriano. Um minuto depois, foi a vez de Bieler quase fazer o terceiro do time da casa, gol que já estava maduro, maduro. Aos 35, contra-ataque mortal cai nos pés de Méndez, que mandou na trave, assustando os uruguaios. O River, de vez em quando, ameaçava com algumas jogadas de ataque, mas sem qualquer perigo. Aos 46, o gol maduro caiu do galho e se transformou em 3 a 0, quando a LDu fez linha de passe no ataque, culminando com toque de cabeça para Bolaños fuzilar o goleiro Luciano dos Santos. Foi o último ato do primeiro tempo, que já definia praticamente o outro finalista da Sul-Americana, adversário do Fluminense.

     No segundo tempo, o River tentou uma bela jogada aos dois, mas Rizotto, seu mais perigoso jogador, mandou bola com curva, raspando a trave defendida por Domínguez. A LDU tocou a bola no começo do jogo, vendo o sparring entregue em campo, sem muita condição de esboçar reação na altitude de Quito. E aos 11, o Estádio Casa Blanca veria o início de uma goleada monumental, quando Méndez, o craque do jogo, mandou um torpedo no canto, sem chance para Luciano dos Santos, que foi buscar a quarta bola no fundo do gol. Reiniciado o jogo, aos 14 já havia novo perigo de gol a favor da LDU, mas Calderón chutou de longe e viu Dos Santos defender bonito. Aos 16, um respiro para o River, quando Rizotto, sempre ele, bateu uma falta perigosa, mas para fora. Aos 18, bola na área da LDU, e Córdoba perdeu gol feito, ao chutar para defesa de Domínguez, desperdiçando a chance do gol de honra. A LDU matava o tempo, tocando a bola e esperando o relógio correr. Lédio Carmona não se cansava de falar da fragilidade defensiva do River Plate. Aos 32, Jorge Fossati, técnico da LDU, trocou Calderõn por Estupiñan, isso com o jogo já resolvido, pois a essa altura os uruguaios precisavam fazer três gols para conquistar a vaga na final. E ainda aos 32 veio mais um golpe na frágil defesa uruguaia: De La Cruz, da entrada da área, ajeitou  e deu o chute seco, no canto, sem defesa para Luciano dos Santos, computando 5 a 0 no placar. Lédio Carmona disse que dava para defender mais essa, implicando com o goleiro dos uruguaios. Rufavam os tambores dos torcedores equatorianos, à espera da final contra o Flu, confiantes em mais uma vitória sobre os brasileiros. Aos 36, Salas entra em lugar de Bolaños, ainda pelo lado da LDU. Aos 38, o atacante argentino Bieler faz 6 a 0, após receber passe do descansado Salas e mandar o pé na bola, sem chance para o goleiro do River. E a LDU seguia com a bola nos pés, tocando e gastando o tempo, à espera de uma nova chance de torpedo em direção ao gol adversário. Aos 43, Salas, descansado e arrasador, dá o passe para Bieler fazer 7 a 0, numa bela conclusão. Dois minutos depois, com pena dos uruguaios, o árbitro encerra a peleja, sem nenhum desconto, pois o River não merecia mais que os sete gols que já levara, uma verdadeira coça. No fim do jogo, se perguntasse a cor da bola ao goleiro dos uruguaios, diria que era azul ou verde, mas não saberia definir bem, pois participara de um baile, promovido por Bieler, Méndez, Bolaños e companhia.

     Como um dia antes o Fluminense vencera novamente os paraguaios do Cerro Porteño, desta vez por 2 a 1, no Maracanã, a final da Copa Sul-Americana 2009 será uma reedição da final da Libertadores 2008, vencida pelos equatorianos. A primeira decisão será na quarta-feira, em Quito, no belíssimo Estádio Casa Blanca. Será que dessa vez o Flu vai esmorecer de novo? Pelo que vem fazendo no Brasileirão e na própria Sul-Americana, os tricolores cariocas esperam nada menos que o título. Vejamos o que Fred, Conca, Alan e companhia vão aprontar nesta final.

novembro 23, 2009 at 12:44 pm Deixe um comentário

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