Jorge, mais que um nome

O nome Jorge é o do santo absolutamente ligado ao time do Corinthians e desde sempre muito famoso pra qualquer brasileiro, além de um expoente religioso cultuado em muitas partes do mundo.

Desde pequeno convivo com esse nome, pois meu pai era torcedor do Corinthians, clube que eu sempre vi ser chamado de time do Parque São Jorge. Eu me tornei corinthiano a partir de 22 de agosto de 1982, dia em que fui levado ao Morumbi pra ver a torcida do Corinthians. Fui ver o time de Sócrates, Casagrande, Biro-Biro e Zenon ganhar por 1 a 0 do Santos, mas acabei me apaixonando pela torcida, que naquela época incrementava a festa da arquibancada com muito papel higiênico jogado, muita bandeira tremulando e muito rojão estourando no alto, não em direção à torcida adversária. Eu imaginaria que aquele era verdadeiramente “O Maior Espetáculo da Terra”, não o filme com o Charlton Heston, ganhador do Oscar de 1952 como o melhor filme e utilizando um nome mais adequado à torcida tão exaltada por todos.

A sede social do Corinthians fica na Rua São Jorge, no Tatuapé, e o estádio de propriedade do clube raramente foi visto como Alfredo Schurig, nome oficial, mas sim Parque São Jorge, em homenagem ao local onde foi construído nos anos 1920, no lugar em que antes existia o tal parque com nome em homenagem ao santo guerreiro.

Faz tempo que vejo a citação ao Corinthians no dia 23 de abril, dia de São Jorge, santo padroeiro da Inglaterra e do Corinthian, time inglês que inspirou o nome do clube brasileiro, hoje com 105 anos de glórias. Eu algumas vezes imaginava inocentemente ou em um modo de delírio a imagem de São Jorge em cima do cavalo, abatendo o dragão, no meio do símbolo do Corinthians, no lugar onde está a bandeira paulista.

Por fim e pra justificar o título deste texto, eu conheci aos 14 anos um amigo chamado Jorge. Era 1984. Nunca pensei no meu amigo com relação ao santo ligado umbilicalmente ao Corinthians, pois ele ia muito além do seu nome, era o sujeito mais divertido e gente fina por perto. Vivi essa amizade com meu amigo sendo chamado por todos carinhosamente de Jorginho, apesar de geralmente ser mais alto que todos que o chamávamos no diminutivo. E sempre foi difícil dissociar a imagem do Jorginho com a do Corinthians. Ele idealizou um site chamado Corinthianíssimos, pois queria trabalhar com o que mais lhe dava prazer na vida: o Corinthians. Jorginho foi um torcedor que viu altos e baixos do time, mas sempre foi fiel ao seu amor. Não diminuía ou aumentava a intensidade, fosse em que fase fosse, pois torcia sempre no limite, vivia o Corinthians e estava sempre à espera dos títulos que estavam por vir e vieram.

No site idealizado pelo Jorginho, passei a escrever crônicas sobre o time que eu e o Jorginho vimos sempre como o maior do mundo, mesmo em 1984, ano em que eu e meu grande amigo nos conhecemos e quando o time ainda não possuía sequer o primeiro título de campeão brasileiro, conquistado em 1990. Mesmo que eu achasse o texto médio, o Jorginho nunca me deixava baixar o astral, sempre comentava o texto e achava que estava bom. Ele fazia com que eu me sentisse o Nélson Rodrigues, meu ídolo entre os cronistas da vasta carteira mundial de escritores do glorioso futebol. Jorginho era o próprio cara da música “Brincar de Viver”, do Guilherme Arantes. Tinha como grande característica a arte de sorrir sempre. Mesmo quando o mundo dizia não, ele tinha sempre uma gargalhada pra presentear os amigos.

E pra surpresa minha e de todos que conviveram com o amigo de uma força mental e física sempre inexpugnável, Jorginho se foi há uma semana. Fará muita falta ver a gargalhada do amigo Jorginho e especialmente escrever textos sem saber a reação do corinthianíssimo, o xará do santo do Corinthians e muito mais que um nome, muito mais que um homem, um amigo, e amigo fica pra sempre, estará sempre comigo vendo as peripécias do time e reagindo na minha imaginação a cada palavra que eu escrever sobre o time que nos tornou mais amigos ainda.

março 30, 2016 at 6:34 pm Deixe um comentário

Paulistão finalmente vai começar

O Campeonato Paulista já valeu o mundo. Prova disso é a importância que o Corinthians e sua torcida dão à conquista de 1977. O clube vinha de uma fila de 23 anos sem qualquer conquista. É verdade que o time ganhou um desorganizado Rio-São Paulo de 1966, mas foi um título em conjunto com Vasco, Santos e Botafogo, pois o torneio foi encerrado antes do esperado naquele ano de Copa do Mundo.

Ontem terminou a longa e entediante primeira fase, disputada por 20 equipes, algumas com média de público horrível e sem futebol que justifique mais gente nos estádios. Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras sempre começam como favoritos. A dúvida inicial era a respeito dos quatro que fariam companhia aos gigantes na fase derradeira. Ponte Preta era boa aposta pela fase recente do clube, mantido na primeira divisão do campeonato nacional. Outra boa aposta era o Mogi Mirim, vindo de uma classificação para as finais estaduais no ano passado, além de um acesso à série C nacional, confirmado no segundo semestre de um bom ano do Sapão. Essas duas apostas se confirmaram.

Para as outras duas vagas, seria normal uma aposta em Oeste, Bragantino, Mirassol ou Linense. O Guarani fez um péssimo Brasileirão na série B, caiu para a terceirona e vinha de mal a pior com suas finanças. Certamente eu chutaria Bragantino e Oeste, ambos garantidos na série B nacional em 2013. O Braga até flertou com uma vaga no G-8 em determinado momento do Paulistão, perdendo o gás na reta de chegada. O Oeste, por sua vez, lutou do início ao fim contra um rebaixamento que bateu à sua porta durante as 19 rodadas. O time chega sem uma formação promissora para disputar pela primeira vez a segunda divisão do Brasileirão, junto com o gigante Palmeiras e equipes de poderio mediano no cenário nacional, como Sport, Paraná, Figueirense e Ceará.

No final das contas, as duas vagas foram preenchidas de forma surpreendente por Botafogo de Ribeirão Preto e Penapolense. Pelo que fez no ano passado, ficando a um ponto do rebaixamento no Paulistão, nada levava a crer que o Pantera fosse surpreender, mas o time tricolor da Califórnia Brasileira figurou entre os oito primeiros do começo ao fim da interminável primeira fase.

O Penapolense também foi uma grata surpresa. O time venceu por 3 a 2 o Palmeiras, em pleno Pacaembu. No mesmo estádio, semanas depois, foi o Corinthians que suou pra empatar com o surpreendente Penapolense. A notícia ruim é que o clube enfrentará nas oitavas-de-final o São Paulo, que venceu o time interiorano em Penápolis, por 2 a 0. Com uma única partida no Morumbi, já nesta semana, o time vai precisar de muita sorte e competência pra avançar, coisa na qual nem os mais ferrenhos torcedores parecem acreditar.

Os outros três duelos em jogo único são Santos X Palmeiras, na Vila Belmiro; Mogi Mirim X Botafogo, em Mogi; e Ponte Preta X Corinthians, em Campinas. O Sapão é favorito em casa, contra o Pantera. Não há vantagem do empate para ninguém, mas o Mogi se apresenta com a segunda melhor campanha da primeira fase, sendo superado apenas pelo São Paulo.

Os duelos mais parelhos serão jogados na Baixada Santista e em Campinas. O Palmeiras tem a credencial de muitas vezes surpreender na Vila Belmiro. O time aguerrido que emergiu da desastrosa partida de Mirassol patinou na última semana, com duas derrotas. Só que ninguém dá o Santos como finalista de véspera. Vai ser preciso muito futebol de Neymar, Montillo, André e Cícero para superar os raçudos do Palestra Itália. Leandro está em grande fase, tendo sido convocado por Felipão, e os volantes estão fazendo bonito para honrar o hino, que fala sobre a defesa que ninguém passa. Aposto no Santos, mas por mero palpite.

Por último, o Corinthians aparece com ligeiro favoritismo diante da Ponte Preta. Com um elenco melhor e em ritmo de decisão, o Timão vem de conquistas que o credenciam a pressionar um pouco o time da Macaca, mesmo dentro do Majestoso. Juca Kfouri pergunta na CBN se terá chegado a hora de a Ponte Preta finalmente comemorar um título, depois de 113 anos? Os corinthianos acham que não, mas a Ponte manteve a ponta da tabela durante boa parte da primeira fase, perdendo gás na reta final. Nas últimas 7 rodadas, o clube ganhou 12 pontos de 21 possíveis, tendo conquistado apenas uma vitória nos quatro últimos jogos. Por outro lado, o time chega com a defesa menos vazada da competição, além do vice-artilheiro, o goleador William Batoré, ex-Santos. Não está grande a vantagem do Corinthians, mas ela existe e precisará ser confirmada dentro de campo.

Se os favoritos absolutos e ligeiros favoritos confirmarem a teoria, São Paulo e Corinthians disputarão uma eletrizante semifinal no Morumbi, em jogo único, certamente com os quase 70 mil lugares ocupados. A outra semifinal tende a ser Mogi Mirim e Santos, no Romildão, estádio cujo nome é uma homenagem ao pai de Rivado, cria do Mogi Mirim e ídolo de Corinthians, Palmeiras, La Coruña e Barcelona, além de grande craque da Copa do Mundo de 2002, ao lado de Ronaldo Fenômeno. O craque, atual presidente do Sapão da Mogiana e atleta do São Caetano, sonha em receber o Peixe de Neymar para uma semifinal histórica na cidade com cerca de 80 mil habitantes. Isso veremos neste fim de semana, em que finalmente o arrastado campeonato vai começar pra valer.

 

abril 22, 2013 at 6:33 pm Deixe um comentário

Reta final da primeira fase da Libertadores

A Libertadores está vendo sua primeira fase se encerrar nas duas próximas semanas. Dos oito grupos, poucas surpresas aconteceram. Quase sempre os dois favoritos confirmaram a classificação, e as oitavas-de-final receberão equipes calejadas como Nacional, Vélez Sarsfield, Boca Juniors, Olímpia e Newell’s Old Boys, além do sexteto de clubes brasileiros, alguns ainda dependendo de resultados que devem vir, dada a superioridade dos clubes locais.

O São Paulo é a principal decepção brasileira até agora na Libertadores. O clube perdeu suas duas partidas em que foi visitante, uma delas para o argentino Arsenal, que apanhou duas vezes por 5 a 2 do Atlético Mineiro, disparado o melhor time da primeira fase. O Tricolor decide hoje seu futuro na Bolívia, em La Paz. Contra a altitude e um futebol mediano do The Strongest, até o empate é positivo, desde que a equipe vença o Galo em Sampa, no longínquo 17 de abril. A derrota praticamente elimina o clube tricampeão do torneio continental.

Outra surpresa desagradável é a quase eliminação do Peñarol, vice-campeão de 2011, diante do Santos. O time uruguaio não deslanchou contra o equatoriano Emelec, o iluminado e quase classificado time da empresa elétrica do Equador. Para se classificar, o time uruguaio precisa golear o Iquique em Montevidéu e torcer por uma vitória do Vélez contra o Emelec, em jogo na Argentina. Não é impossível, mas é difícil a combinação.

Além dos seis brasileiros, prováveis classificados, e dos cinco notáveis relacionados no primeiro parágrafo, devem compor as oitavas-de-final Emelec, Tijuana, Libertad e os colombianos Tolima (de triste memória para o Corinthians) e Santa Fé. As finais devem ser todas de arrepiar, pois sempre há fatores surpeeendentes quando se fala em Libertadores. Tem campo de grama sintética, escudo pra não receber tijolada nas costas ao cobrar escanteio, torcida e time adversários empolgantes, altitude, viagem longa etc. Como as decisões são em duas partidas, uma má jornada pode selar o destino de quem vem impecável até agora, como o Galo mineiro, por exemplo. Pode pintar um duelo entre Galo e São Paulo nas oitavas, com um possível emparelhamento do pior segundo colocado com o melhor primeiro.

O resumo da ópera nos mostra que será um azar danado o time fazer uma boa campanha e ser premiado com um duelo perigoso nas oitavas, mesmo com a última e decisiva partida em casa. Pode pintar um Boca, um São Paulo, um Palmeiras, um Grêmio, um Fluminense e até um Tolima. Só saberemos dos oito confrontos no dia 18 de abril, uma quinta-feira. Até lá dá para esperar pra ver se pinta alguma surpresa, entre elas uma improvável classificação do Peñarol, cinco vezes campeão da América.

abril 4, 2013 at 3:03 pm Deixe um comentário

Famigerados estaduais

Os campeonatos estaduais não estão mais com nada, segundo o que se vê. O campeão vai sempre fazer a sua festa, mas ninguém dá a menor importância para eles. Até a década de 1980, era o campeonato estadual que ocupava um semestre todo, no mínimo. Hoje ele é aquecimento e serve como engodo durante o período em que os clubes mais destacados no ano anterior estão em fase de disputa da Libertadores.

Nesta temporada, a novidade é a Copa do Brasil ter sido atrasada, pois até o ano passado ela ocupava espaço mais importante no cronograma dos clubes no primeiro semestre. O estadual nem é rentável como antigamente. Basta ver clássicos cariocas jogados para as moscas do Engenhão. O Vasco vive às voltas com 2 ou 3 mil pagantes quando joga em São Januário contra Audax, Madureira ou Voltaço. O Paulistão vive overdose de rodadas inúteis, sem nenhuma expectativa além da composição dos quatro que avançarão às finais com os quatro gigantes. O Campeonato Mineiro exibe na televisão estádios pitorescos, como o Gauchão.

O profissionalismo não permite mais esse romantismo de ver o Atlético Mineiro jogar em estádios acanhados. Os times grandes não podem servir mais para angariar votos para políticos de federações estaduais. O time pequeno tem que fazer a via certa para encontrar os grandes, mas em torneios bons, bem organizados. Basta citar o exemplo do Boa Esporte, de Varginha, na série B. Se subir de divisão, vai enfrentar os maiores times do País. Hoje vai enfrentar na série B times como Palmeiras, Sport, Ceará, São Caetano, Figueirense e Paysandu, entre outros de nível bastante competitivo.

Não há que se buscar a desculpa do assistencialismo aos clubes muito pequenos. Os times não serão extintos, mas participarão de seletivas estaduais para ganharem vaga na série D atual. Pelo menos os clubes gigantes devem ser preservados, sempre em nome do bom espetáculo. O excesso de jogos desnecessários atrapalha o rendimento de gente como Neymar, Montillo, Pato, Guerrero, Paulinho, Luís Fabiano, Jadson, Osvaldo, Rogério Ceni, Valdívia, Seedorf, Andrezinho, Lucas do Botafogo, Fred, Deco, Thiago Neves, Carlos Eduardo, Elias, Diego Souza, Dagoberto, Ronaldinho Gaúcho, Bernard, Diego Tardelli, André Santos, Zé Roberto, Elano, Dida, Diego Forlán, D’Alessandro e Leandro Damião.

A solução é enxugar os estaduais ou deixar que os gigantes entrem somente na reta final. Uma primeira fase de Paulistão com 19 rodadas inúteis não tem cabimento. Ou fazem como no Rio, com dois turnos, semifinais e finais para cada turno, inclusive com menos equipes, ou então vão jogar para poucas almas vivas em infinitas rodadas. A hora de mexer nisso é agora, mas a crença geral é de que vai imperar a regra de deixar correr o barco pra ver o que vai dar. A inoperância deverá ser a rainha desses mares brasileiros do futebol. Uma pena, pois há bons jogadores, bons times e muita torcida, mas não há organização. Se houvesse, não seríamos os únicos a ter jogos no fim de semana, em que inclusive a seleção brasileira estará excursionando pela Europa, em busca da preparação ideal para fazer bonito na Copa das Confederações.

 

 

março 19, 2013 at 6:22 pm Deixe um comentário

Champions League dos grandes jogos

Ninguém jamais duvida da força dos times que sobrevivem nas fases decisivas da Champions League, o maior e melhor torneio de clubes de futebol do mundo. Chegam às quartas-de-final deste ano Barcelona, Real Madrid, Juventus, Bayern, Paris Saint-Germain, Galatasaray, Málaga e Borussia Dortmund. Óbvio que Dortmund, Galatasaray e Málaga são azarões, mas protagonizarão jogos de suas vidas e serão adversários duros para o quinteto mais abastado, tradicional ou com melhores equipes.

O sorteio dos emparelhamentos acontecerá amanhã. Seria uma grande notícia se os grandes embates ficassem para as semifinais. A oportunidade de ver um Real X Barcelona na final é um sonho de todos os amantes do futebol, exceto os torcedores dos outros seis times vivos no torneio. E ninguém dá os dois espanhóis como favoritos absolutos, tanto que o Barça estava quase dado como morto e fracassado após levar 2 a 0 na Itália, diante do forte Milan, em franca reação no Campeonato Italiano.

O Real Madrid encontrou a sua melhor formação, sem Kaká, Higuaín e principalmente Casillas. Do meio para a frente, fica difícil enfrentar uma escalação com Khedira, Xabi Alonso, Ozil, Di María, Benzema e Cristiano Ronaldo. O treinador português Mourinho parece disposto a conquistar o 21º. título de sua vitoriosa carreira de dez anos por Porto, Internazionale, Chelsea e agora Real. O time venceu o Barça nas últimas partidas, eliminando o complexo de inferioridade que parecia existir nos últimos anos. Parece que agora vai.

O PSG tem em Ibrahimovic sua grande arma. O time tem outros grandes valores, gastou fortunas comprando os melhores da Europa e agora vive uma primavera de bom futebol, mas ainda não é campeão francês deste ano e tampouco se destaca entre os maiores do continente. Tem cacife pra pleitear o título, mas não tem a mesma força da dupla espanhola, além de bávaros e piemonteses.

O Barcelona era unanimidade até dois meses atrás. Parou de sê-la por 50, 60 dias, mas voltou a ser o temido time de Xavi, Iniesta, Villa e Messi, deixando um monstro como Fabregas no banco diante do Milan, na decisão em que os catalães atropelaram por 4 a 0. Hoje o Barça é novamente o grande favorito. A aposta é nele se todos jogarem o máximo que conseguem. O máximo do Barça supera o dos outros sete clubes, inclusive o maior rival, o Real.

A Juve está com a mão no caneco na Itália. A equipe conseguiu se destacar no país da mesma forma que tem avançado com bom futebol continente afora. Liderado pelo meia Pirlo, a equipe tem bons coadjuvantes e boa estrutura tática. O time é muito equilibrado, um legítimo representante do competente futebol italiano, apesar de Pasquale preferir Campeonato Italiano de Futebol.

Todos apostavam numa reta final do Bayern, campeão alemão desde a décima rodada. O time nada de braçada no país e vinha como um azougue no torneio continental. Ontem foi um dia de fiasco, pois o acomodado time, que vencera o Arsenal por 3 a 1, em Londres, jogou como nunca, mal demais. Quase a classificação foi por água abaixo, com uma suada derrota por 2 a 0 e sufoco até os 90 minutos. Foi no osso que a classificação veio, mas não sem bronca do presidente Uli Hoeness, para quem o time está jogando “um lixo” nas últimas partidas. Os bávaros terão que acordar, pois não terá chance de se acomodar com equipes cada vez mais fortes à medida que o torneio se afunila em sua reta final.

Os três mais fracos estão com esperança, mas um título seria muito difícil. Málaga, Gala e Borussia são equipes regulares. Espanhóis e alemães passaram longe do título nesta temporada, mas nunca se sabe num mata-mata. Numa jornada infeliz de um gigante, pode sobrar um pequeno nas semifinais. Se não fosse assim, não teríamos na galeria de campeões um escocês Celtic, um romeno Steaua Bucareste, um sérvio Estrela Vermelha ou mesmo o próprio Borussia Dortmund, campeão mundial de 1997. Não são favoritos, mas estão vivos e podem surpreender. Grandes jogos virão, e surgirão grandes heróis e vilões. Essa brincadeira de herói e vilão de finais de torneios é saudável, tem que existir. Ganha o time, o clube, mas o herói ou o vilão se eterniza com um lance decisivo. Faz parte do futebol.

março 14, 2013 at 4:56 pm Deixe um comentário

O fim de semana dos grandes paulistas

O melhor desempenho dos grandes paulistas no fim de semana foi do São Paulo. O time mostrou bons lances no ataque, criou grande jogadas e fez belos gols, desperdiçando outros tantos. O adversário estava invicto até sábado, mas foi atropelado dentro do Morumbi. Não que fosse uma sucata, pois o time ainda criou lances de perigo antes de tomar o primeiro gol. Depois do gol inaugural, de Jadson, em bela jogada da linha de frente, tudo foi para água abaixo. A força do Linense sumiu diante de um time muito mais forte, com Jadson, Luís Fabiano e Osvaldo encurralando a equipe adversária. Ganso parece ainda fora do tom. O time tem muita força para ganhar um Paulistão depois de oito anos de espera.

O pior desempenho entre os grandes foi do Corinthians. Nem tanto pelo resultado, um empate por 2 a 2 em Bragança Paulista. O time estava talvez cansado pela viagem, abatido pela morte do garoto, mexido pelas saídas de JH, Sheik, Guerrero, Danilo e Alessandro, mas o fato é que não jogou quase nada. Tite pode falar que o desempenho foi bom, mas a torcida não consegue concordar e se assusta com a peneira furada em que se transformou a defesa sem Chicão. O time tem crédito, tem bastante, mas não está jogando pro gasto. Os cinco empates seguidos fazem o time acender o sinal de alerta. Cássio ainda teve o ônus de um frango histórico, o segundo em três jogos. Ele tem o crédito de ter sido histórico na Libertadores e no Mundial, é goleiro dos bons. Fosse um Júlio César, seria expulso do estádio na hora.

O Palmeiras comemorou bastante uma vitória suada no Pacaembu, diante do União Agrícola Barbarense. O adversário não é forte, mas levou o gol decisivo no momento em que estava com um a mais em campo, nos últimos minutos do jogo. O Verdão conseguiu a vitória mesmo com jogador a menos e com seu questionado elenco. Criticado por todos, o Palmeiras começa a impressionar por estar no grupo de cima, brigando pela liderança junto com Santos e São Paulo, com os quais deve decidir o título. Se o Corinthians reagir, fica pra decidir com os outros três gigantes e a Ponte Preta. Mogi, Penapolense, Botafogo, Bragantino e Linense parecem candidatos a forças menores na hora da decisão, do tipo que se contenta com uma brilhante vaga nas oitavas-de-final. Surpresas, pro lado negativo, são as campanhas de Guarani e São Caetano, tradicionais forças medianas.

O Santos passa uma semana com boataria sobre uma campanha interna em prol da demissão de Muricy Ramalho. O técnico é vitorioso, não só no Santos, mas por onde passou, incluindo São Caetano, Fluminense, Náutico e São Paulo. Sua grande decepção foi no Palmeiras, ao entrar para substituir Jorginho e complicar a reta final do Alviverde no Brasileirão 2009, perdido para o Flamengo de Adriano, à época um imperador em grande fase. O time peixeiro não rende o esperado. Vieram reforços do calibre de Montillo, Cícero, Neto e Marcos Assunção, mas a equipe segue dependendo muito de Neymar. Alguns jornais já falam em sondagem a Paulo Autuori. Contra o XV de Piracicaba, a vitória veio numa virada sofrida, conquistada a duras penas. André foi o nome do jogo, logo ele que viveu uma seca terrível de gols e foi perseguido pela torcida em alguns jogos. Agora perdeu peso, entra em forma e pode se tornar uma boa arma para a recuperação do time e de Muricy, que vê o time meio empacado neste momento. O jogo de domingo foi sonolento para a maioria dos críticos que acompanharam.

No meio da semana tem Libertadores. Os grandes jogam. Corinthians pega o colombiano Millonarios no Pacaembu, sem torcida. O Palmeiras enfrenta o Libertad, em Assunción, no Paraguai. O São Paulo joga em casa, contra o The Strongest, que não deverá justificar o nome contra o poderoso Tricolor. O Santos vai folgar no meio da semana e se preparar para o clássico de domingo, contra o Corinthians, no Morumbi. A semana promete bons jogos, com possíveis três vitórias paulistas na Libertadores e um grande clássico no domingo.

fevereiro 26, 2013 at 4:17 pm Deixe um comentário

Um bom dérbi paulistano

Corinthians e Palmeiras realizaram um jogo de gigantes, como sempre foi o caso do encontro eternizado por Thomaz Mazzoni como dérbi. Quase centenário, o duelo viveu um clima de suspense por 90 minutos no domingo de Pacaembu, estádio onde o time alviverde é o líder no número de comemorações de títulos ao longo da história septuagenária do estádio. Mesmo em desvantagem técnica na teoria e na prática, o Palmeiras endureceu o jogo e teve condições de sair de campo com a vitória, ainda que o 2 a 2 tenha sido bastante justo, até com mais chances de gols a favor do Corinthians que dos palmeirenses.

O primeiro tempo foi quase todo do Corinthians, exceto pela reta final. O Timão começou com melhor toque de bola e boa marcação, encurralando o Palmeiras. Antes de sair o primeiro gol, de autoria de Sheik, os alvinegros perderam dois grandes lances de gol. O primeiro foi uma bomba de Jorge Henrique na trave, levantando os mais de 35 mil corinthianos presentes. Os mais de 2 mil alviverdes tiveram ainda outro lance de sufoco quando Paulinho cabeceou bonito, mas raspando a trave, deixando Fernando Prass sem reação. Logo depois veio o gol de Emerson Sheik, em lance de falta. A bola foi pra Paulo André, que desviou de cabeça e deixou pra Sheik emendar o canudo no canto. A seguir, Paolo Guerrero perdeu um gol inédito para os seus padrões. Ele dominou como craque e bateu cruzado, quase sem ângulo, mas na trave. Parecia que vinha atropelamento dos verdes, mas eis que o primeiro vacilo alvinegro permitiu o empate. A bola veio cruzada da esquerda e encontrou a cabeça de Vílson, zagueiro improvisado como volante, que meteu a testa, com fé e coragem, empatando o jogo.

Os corinthianos rezaram contra uma virada ainda no primeiro tempo. Mais cinco minutos e o gol sairia a favor dos palmeirenses. O Corinthians dominou quase o tempo todo, mas a reta final foi de sufoco verde, foi de superação do antigo Palestra Itália. O segundo tempo começou como terminou o primeiro. O palmeiras voltou melhor, mais forte, encorpado. E mais uma bola foi alçada à área alvinegra. O cruzamento ia para as mãos de Cássio, mas o gigante da Libertadores e do Mundial fracassou. Ele socou o vento, enquanto a bola passou e encontrou a cabeça de Vinícius, que acreditou no lance aparentemente perdido. A bola foi direto da cabeça do avante para a rede alvinegra. Aí era só se defender pra arrancar três pontos inesperados, apesar do tamanho do Palmeiras.

O Corinthians seguiu tentando, mas encontrou um oponente gigante, apesar da má fase. O gol do empate final saiu à custa de sacrifício preto e branco. Tite contou com um banco maravilhoso. Ele fez uso de Renato Augusto, Romarinho e Pato pra reagir na reta final. Pato recebeu um chutão da defesa e dominou como craque de 40 milhões de reais. A bola morreu a seus pés, foi pra área e voltou pro craque, responsável por um toque perfeito pra Romarinho, que ajeitou e mandou rasteiro, no canto de Fernando Prass. Era o lance final? Ainda não. Uma última bola foi pra Paulinho. O mais valioso em campo dominou e ajeitou pra bicicleta à Pelé. O lance saiu caprichado, mas a bola raspou a trave direita de Prass, que permaneceu como estava, só no golpe de vista. E terminava assim, com um belo 2 a 2, mais um dérbi, o grande clássico brasileiro, segundo quase todos os palmeirenses e corinthianos, apesar de muitos corinthianos preferirem há algumas décadas a vitória diante do poderoso São Paulo.

fevereiro 20, 2013 at 7:49 pm 1 comentário

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