Fim da linha para o santo
janeiro 18, 2012 at 6:18 pm Deixe um comentário
Um dos maiores goleiros da história do Palmeiras encerrou a carreira neste início de ano. Depois de muitos títulos pelo Palmeiras e uma Copa do Mundo pela seleção brasileira, São Marcos parou após uma série de contusões e a proximidade dos 40 anos, idade com a qual Zoff foi campeão da Copa 1982 com a Itália. Só que o povo espera que o ídolo não abandone seu público, sempre fiel às suas defesas, hoje esperançoso por boas entrevistas, característica muito típica do bem-humorado goleiro.
Marcos teve muitos insucessos nos últimos anos, mas a glória que viveu foi muito maior. Ele teve que esperar Velloso sair para assumir o posto de goleiro titular do Palmeiras, em 1999, aos 25 anos. Tendo sido lançado na Lençoense e passado um mês tentando se profissionalizar no Corinthians, Marcos entrou para a galeria que tem Oberdan, Valdir de Morais e Leão como principais expoentes.
Diferentemente do Corinthians, o Palmeiras teve Leão, Gilmar, João Marcos, Martorelli, Zetti, Velloso e Marcos como goleiros titulares nos últimos 40 anos, uma média de quase seis anos para cada arqueiro. Se tivesse condição, Marcos usaria sua experiência e técnica para fazer o que Zoff fez.
Se perdeu alguns jogos decisivos para o Corinthians, Marcos foi responsável pelas duas maiores derrotas que o Timão sofreu no dérbi, nas duas disputas de mata-mata da Libertadores, em 1999 e 2000. Na primeira, São Marcos fechou o gol no primeiro jogo, garantindo uma vitória por 2 a 0. Na segunda, mesmo com reversão de vantagem por parte do Corinthians, a decisão foi para os pênaltis, e aí o santo defendeu a cobrança de Vampeta e viu Dinei desperdiçar a sua, fazendo o Palmeiras avançar rumo ao primeiro título continental de sua história.
Em 2000, Marcos fez mais, pois o time verde se segurou num placar agregado de 6 a 6, em duas partidas mais que emocionantes. No final, decisão por pênaltis e Marcos buscando uma bola milimétrica de Marcelinho, no cantinho. O Palmeiras eliminou o rival, então numa semifinal. Notem que a linha a partir do meio-campo corintiano tinha Vampeta, Rincón, Marcelinho, Ricardinho, Luizão e Edílson, todos jogadores com passagens pelas seleções brasileira e colombiana, com Copas do Mundo nas costas.
Em 2002, apesar de Kahn ter sido eleito pela Fifa o melhor jogador do mundial, aliás em eleição antes da final, Marcos fez miséria no gol brasileiro, garantindo escassez de gols contra a seleção canarinho, principalmente a partir das oitavas-de-final. O Brasil venceu nos mata-matas a Bélgica por 2 a 0, a Inglaterra por 2 a 1, a Turquia por 1 a 0 e a Alemanha por 2 a 0. Só o inglês Michael Owen, com ligeira colaboração do zagueiro brasileiro Lúcio, conseguiu furar o quase intransponível Marcos, o paredão, a muralha.
Os torcedores sentirão falta da técnica apurada e das defesas arrojadas? Disso ninguém duvida. E a mesma certeza vale para a falta que farão as entrevistas extremamente sinceras e espontâneas, seja no calor de uma derrota ou na alegria de uma vitória. E as entrevistas em programas de rádio e tv, com Marcos contando suas histórias? Isso já faz parte da história, e todos esperarão pela próxima aparição em que o moço de Oriente vai surgir para contar seus causos de futebol, de vida, algo que sobra no espirituoso goleiro.
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