Porque Deus não o quer
dezembro 19, 2011 at 5:39 pm 1 comentário
Texto de Jorge Eduardo Teixeira Filho, escrito logo após a eliminação para o Tolima, na Libertadores da América de 2011
Antes de começar a desenrolar as palavras que farão parte desse texto queria, de antemão, pedir perdão pelas blasfêmias que farão parte de todo ele.
Falo isso, pois escrevo aqui com o coração partido e a consciência de que meu time jamais será campeão do torneio mais importante das Américas, porque Deus não o quer.
Assim como o Seu povo Israel e com algumas nações africanas, tenho a total convicção de que Ele escolheu um povo especial aqui na América do Sul para o sofrimento. Aqui no Brasil, não existe terremoto ou guerras; a terra é boa e com muita água. Nosso povo é simpático, amistoso e consegue resolver quase tudo na paz. O que fazer então? Simples; criou um povo específico, com características específicas e sofrimento específico para contrabalançar. Um povo não; uma nação dentro de outra nação. Deve ter sido assim, mais ou menos quando escolheu o Seu povo, anteriormente, para caminhar 40 anos no deserto(perdão), em busca da terra prometida; um povo capaz de grandes deslocamentos em tempos de paz – só existiram dois na história da humanidade: um há mais de 4.000 anos e outro em 1976 – um povo predestinado ao sofrimento, que – em sua maioria – tem a sua sina de viver no “apogeu da miséria”, sendo humilhado por seus iguais. Um povo sem facilidades.
Acho que, quando nascemos, Ele deve nos ungir (perdão mais uma vez) e dizer:
“- Nascerás em uma terra perfeita em que – plantando – tudo dá. Não viverás em guerras, nem sofrerás com fenômenos naturais porém, torcerá pelo Corinthians.”
Devemos, em outras vidas – todos nós corinthianos – termos feito parte de alguma coisa muito ruim para passarmos essa existência nessa condição (perdão pela blasfêmia mais uma vez).
Fico pensando o que pode ter sido.
Podemos ter feito parte do exército de Átila ou de uma nação Viking que viviam por atrocidades, mas nada me parece numericamente grande para ser comparada à nossa nação. Fazer parte do exército de Alexandre ou de Julio César também, mas somos em maior número.
Quem sabe todos eles juntos mas, ainda assim, acredito em nossa superioridade numérica.
Mesmo quando vislumbramos uma luz, com certa facilidade no fim do túnel; pois uma Taça Libertadores sem Boca e River não é sempre que temos; não conseguimos alcançá-la. Da mesma forma que Moisés (perdão mais uma vez) foi proibido de pisar na Terra Santa – somente vê-la de longe – nós, Corinthianos, nunca ganharemos a Taça Libertadores da América – somente poderemos vê-la … de longe.
Escrevo isso em desagravo a uma nação que – por um simples acaso do destino – tem um time para torcer e que, mesmo jogando bem, como jogou ontem e com vitória, não consegue seus objetivos, quando falamos no nosso torneio continental.
Escrevo isso sabendo, do alto dos meus 40 anos completados a pouco mais de 30 dias, que jamais verei meu time campeão da Taça Libertadores da América …
… porque Deus não o quer. (perdão; foi a última)
Jorge Eduardo Teixeira Filho
Brasileiro, 40 anos, corinthiano, maloqueiro e sofredor … Graças a Deus. (perdão Senhor, essa sim foi a última)
Entry filed under: Libertadores da América. Tags: .
1 Comentário Add your own
Deixe uma resposta
Enviar trackback para este post | Subscribe to the comments via RSS Feed
1.
futebolisticas | dezembro 19, 2011 às 5:41 pm
Belo texto, Jorginho, parabéns. Digno de um grande corintiano, que não tardará a ver o Corinthians campeão do maior torneio das Américas, a Libertadores. Um forte abraço