Duelo de tricolores termina empatado nos pampas

Novembro 6, 2009

     O grande duelo entre os tricolores campeões mundiais foi de arrasar. Grêmio, o Imortal Tricolor, e São Paulo, o Tricolor Paulista, fizeram um jogo bastante emocionante na quarta-feira, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre. E como o Grêmio está imbatível em seu estádio, todos creem que o resultado foi muito favorável ao clube paulista, em busca de seu sétimo título nacional. E uma pessoa em especial já guarda dinheiro para comprar algumas camisetas do São Paulo com a numeração 7-3-3 (já contabilizando o título brasileiro deste ano, que : Fernanda Carvalho. Algumas porque ela vai presentear familiares e amigos nas festas de fim de ano. Depois desse empate, conseguido “no muque”, como disse Fernanda, em pleno território dos pampas, o São Paulo agora volta a liderar o campeonato até domingo, quando o Palmeiras enfrenta o Fluminense, que vem de duas vitórias seguidas no Brasileirão, sendo a última no Mineirão, contra o Cruzeiro, por 3 a 2, de virada. Fê Carvalho gostou da raça do time, inexpugnável mesmo com três expulsões. Fernanda acha difícil o São Paulo perder pontos nos seus quatro últimos confrontos, contra Vitória e Sport, no Morumbi, e nos jogos fora de casa, diante de Botafogo e Goiás, mesmo com as três suspensões automáticas. É que ela vê no elenco equilibrado, com bons reservas, a maior virtude do clube que ama. Pelo que jogou no Rio Grande do Sul, o São Paulo tem condições de ganhar mesmo pela quarta vez seguida o Brasileirão. Fernanda até diz que essa história da TV Globo de volta dos mata-matas, ou play-offs, como preferem os anglófilos, está ligada à facilidade que o São Paulo encontrou para disputar o torneio por pontos corridos, tornando a coisa meio monótona. Desde 2003, ano da implantação do sistema, os são-paulinos ganharam vaga para a Libertadores seguidamente, mostrando o significado de sua organização e de seu planejamento. O time pode até perder o título, mas que o Paul Tergat do futebol vem assustando a todos, disso ninguém tem dúvida. Já o Grêmio, esse tem que se contentar em manter sua invencibilidade em casa, pois o resultado tirou as chances de uma possível disputa de vaga para a Libertadores.

     No primeiro tempo, Aos 44 segundos, Washington ajeitou rápidinho para Hernanes bater para fora, mostrando os dentes dos tricolores paulistas. Aos três minutos, Souza ajeita para Maxi López, o argentino, que empurra o beque e chuta na rede, mas pelo lado de fora, atiçando os castelhanos torcedores gremistas. E no início foi o São Paulo que controlou mais a posse de bola e as ações. Aos nove, Jorge Wagner, o bom baiano, bateu falta em cima de Victor, sempre bem colocado. Aos dez, Souza, ex-São Paulo, arriscou de longe e assustou a torcida paulista, mas a bola foi por cima do gol. Aos 13, Tcheco bateu escanteio preciso, na cabeça de Thiego, o zagueirão, e este cabeceou por cima do gol. Aos 17, Túlio dá um carrinho violento em Dagol, o principal ídolo de Fernanda Carvalho, e ele não decepcionaria a moça bonita, cavalheiro que é. E o cartão amarelo saiu do bolso do árbitro para ser mostrado a Túlio. Um minuto depois, a defesa gremista erra, e a bola sobra para Hernanes chutar, mas por cima do gol, assustando Victor. Aos 21, novamente o São Paulo, que controlava a partida, chega com perigo, em batida de falta executada por Jorge Wagner: a bola pinga na grande área, entre Washington e Victor, mas vai para fora. E aos 24, como quem não faz, toma, o São Paulo acabou sendo castigado, logo o time de melhor defesa no campeonato, com 34 gols tomados: Douglas Costa, jovem talento dos gaúchos, cruzou na medida para Rafael Marques, livre, solitário, cabecear com estilo, mandando para o fundo do gol. Fernanda começou a temer pelo pior, mas logo se lembrou que seu ídolo estava em campo, o Dagol, e o repórter do PFC, canal de pay-per-view, não se cansava de dizer que Dagoberto dava sorte contra o Grêmio, tanto que fizera os dois gols da vitória são-paulina no primeiro turno. Depois de fazer o gol, o Grêmio ficou tocando mais a bola, esperando o São Paulo, que tentava ir para cima, mas sem desespero. Aos 31, o frenesi de Fê Carvalho, que viu quando Hernanes cruzou e a bola passou por cima de todas as cabeças para chegar no peito do ídolo, Dagoberto, que dominou e chutou rapidamente, sem dó, para que a bola desviasse em Rafael Marques e enganasse o goleirão Victor, indo parar na rede gremista. Era a senha para Fernanda ir para a janela retribuir a gentileza dos corintianos e palmeirenses que comemoraram o gol gremista nas vizinhanças. E o São Paulo seguiu atacando, tanto que Jean bateu uma falta perigosa, aos 37, mas a bola foi para fora. Aos 38, Arouca, prova de que a moça está certa quando fala dos bons reservas, lançou Washington, que encheu o pé, mas a bola foi para fora, teimosa. Depois disso, nada de grandes sustos no primeiro tempo. O árbitro encerrou a primeira metade do jogo, na qual o São Paulo foi visivelmente superior, ainda mais aos olhos da bela são-paulina.

     As equipes voltaram com os mesmo jogadores para o segundo tempo. E logo aos três Hernanes assustou, batendo falta no cantinho, exigindo defesa de gato de Victor, que espalmou para escanteio. O jogo seguia com muita disputa, com muita garra de ambos os lados. Aos 11, Souza lançou Douglas Costa, do Grêmio, e o lépido atacante avançou e chutou perigosamente, sendo surpreendido por defesa fantástica de Rogério Ceni. Um minuto depois, foi Maxi López quem arriscou de longe, no canto, mas Ceni buscou novamente. Aos 18, Ricardo Gomes, o homem que foi contratado quando o São Paulo estava na 16ª colocação, tirou Washington e mandou Borges para campo. Aí Fê Carvalho foi à loucura, pois Borges, segundo ela, só sabe ficar de costas para os zagueiros, protegendo a bola até perdê-la ou errar o lance. E parecia que ela estava pressentindo que não era dia de Borges. Aos 20, quase Borges faz das suas para o lado do bem, quando recebeu na área, cortou para lá e para cá, tirou o beque da jogada e chutou para defesa de Victor, o goleiro da seleção brasileira, obviamente na reserva de Júlio Doze Césares, a muralha. Aos 24, Douglas Costa recebe um cruzamento e cabeceia com perigo, mas Rogério Ceni defende. Logo depois, Paulo Autuori substituiu Thiego, o zagueiro, por Perea, atacante, mostrando que queria a vitória a qualquer custo. Aos 27, Réver recebe um cruzamento na área do São Paulo e cabeceia perigosamente, mas para fora. Aos 30, Ricardo Gomes saca Jorge Wagner e manda Marlos para campo. Aos 31, após cruzamento na área são-paulina, o meia Tcheco para o corpo na frente de Jean, esperando a trombada para cair, num lance absolutamente normal. Batista, comentarista do PFC, ex-jogador de Grêmio e Internacional, achou que foi pênalti, mas o árbitro não viu dessa forma, mandando seguir o jogo. Aos 32, Borges deu um pontapé em Túlio, sendo imediatamente expulso após levar o segundo cartão amarelo. Fê disse que já sabia que isso ia acontecer, pois o insatisfeito Borges caiu de rendimento em relação aos anos anteriores, em que foi fundamental para as conquistas dos campeonatos de 2007 e 2008. Neste ano, está jogando muito abaixo do que sabe e pode. E para piorar as coisas, o São Paulo teve mais um expulso no minuto seguinte, quando Dagoberto entrou de carrinho em Túlio, o saco de pancadas do Grêmio: cartão vermelho direto. Aí entrou em cena o experiente Rogério Ceni, que argumentou com o árbitro, conversou, discutiu e assim o tempo correu um pouquinho, de forma boa para o São Paulo, àquela altura com oito jogadores na linha, contra dez do Grêmio. O jogo foi retomado aos 37, quando Herrera entrou em lugar de Túlio, tornando o Imortal Tricolor mais ofensivo. Aos 38, Perea cabeceia para fora um cruzamento perigoso de Tcheco. Aos 40, Souza recebe um rebote e manda um petardo, perigoso, mas para fora. E a cada bola fora, Rogério Ceni, experiente, com títulos e mais títulos nas costas, ganhava todo o tempo possível para recolocar a bola em jogo. Aos 42, Hugo entra em lugar de Arouca. Fê Carvalho lembra do gol decisivo de Hugo contra o Sport, e tem esperança até de uma vitória, naquele momento quase um milagre. O tempo corria, e os oito jogadores do São Paulo pareciam doze, da forma como controlaram o ímpeto gaúcho. O Grêmio rondou a área, tentou e tentou, mas não criou a grande chance de vazar a melhor defesa novamente. Aos 48, foi a vez de Jean fazer uma falta ríspida, em Souza, e levar o segundo amarelo, sendo imediatamente expulso. O jogo teve pouca coisa depois disso, até que o árbitro encerrasse a peleja, na qual o São Paulo foi melhor quando estava no 11 contra 11, mas teve que recuar e se defender nos 15 últimos minutos, mais especificamente a partir dos 33 da etapa final, quando Dagol foi expulso.

     Com o resultado, o Tricolor Paulista retoma a liderança. Domingo, cada são-paulino vai se sentar à frente da televisão e torcer muito pelo Tricolor Carioca, o Fluzão, confiante depois de duas vitórias seguidas. E Fernanda Carvalho já torceria por uma vitória dos cariocas no duelo de quinta-feira, pela Sul-Americana, para o time entrar no Maracanã cheio de moral, no citado domingo, pronto para vencer o Palmeiras. A missão é difícil, pois o Verdão não vai se entregar fácil. Além disso, as notícias da semana dão conta de que Pierre e Edmílson voltam, mas muitos, e Fê se inclui nesse meio, acham que é blefe. Domingo o Brasil verá um jogo que mexerá não só com o Maracanã lotado, mas com torcedores de muitos clubes, sejam os que disputam o título com o Palmeiras, sejam os que disputam a saída da zona de rebaixamento com o Fluminense. O Brasil vai ferver com a continuação da reta final do Brasileirão, cada vez mais emocionante.

Entry Filed under: Série A do Brasileiro. .

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