Barcelona desmonta Inter com toque de bola

     O Barcelona deu simplesmente um show de futebol na terça-feira, quando enfrentou o time da Internazionale, no Camp Nou, na maravilhosa Catalunha. O estádio, abarrotado, viu um espetáculo de toque de bola, no melhor estilo “não está mais comigo”, e a Inter só assistiu, estupefata, pois talvez não acreditasse que o time catalão era capaz de fazer aquilo mesmo sem Messi e Ibrahimovic, os talentosos criadores de perigo para as defesas adversárias. Do goleiro aos atacantes, foi uma atuação perfeita da equipe do Barça, com destaque até para Abidal, o lateral-esquerdo que joga muito plantado, mas fecha tão bem a defesa que permite as avançadas do lateral do outro lado, Daniel Alves, o habilidoso brasileiro, revelado pelo Bahêeeea. A torcida catalã não é como as torcidas sul-americanas, que ficam normalmente de pé, entoando cânticos, ou por outra, mais parece uma plateia de teatro, que ficou aplaudindo a maioria das jogadas do time da casa, brilhante no toque de bola. A Internazionale bem que tentou, correu, esforçou-se, estava com o técnico mais badalado no mundo em seu banco de reservas, mas era impossível segurar o ímpeto do time da camisa mais bonita do mundo, nas cores azul e grená. O resultado de 2 a 0 foi conquistado no primeiro tempo. Na etapa final, o Barça só administrou o resultado, dando show, mas sem castigar mais a rede de Júlio Doze Césares, o maior goleiro do mundo, como gostam de dizer os comentaristas brasileiros de futebol.

     Logo de cara, o Barça vai para o ataque. Xavi arrisca um chute de longe, aos dois minutos, mas a bola desvia e vai para escanteio. A pressão do Barcelona era intensa, e a Inter ficava acuada em sua defesa, só se defendendo, ou por outra, assistindo ao toque de bola do time da casa. Até que aos nove saiu o gol dos catalães: Iniesta cobrou escanteio, Henry desviou de cabeça e Piqué tocou suave, soberano, sem chance para Júlio César, a muralha de Milão. Com a vantagem do Barcelona no placar, era de se esperar que a Inter se abrisse com tudo, mas não foi o que aconteceu, pois a bola só ficava nos pés do Barcelona. Aos 14, em cobrança de falta perto da área, Xavi faz o coração de Júlio César quase parar, com uma bola batida na medida, raspando a trave, mas indo para fora. O Barça acuava a Inter, marcava a saída de bola dos milaneses, não permitia que o adversário respirasse com a bola nos pés. Aos 24, Lúcio afasta um cruzamento perigoso de Pedro, o substituto de Ibrahimovic. Um minuto depois, Pedro, ou Pedrito, como o chamam os catalães, fez um golaço e levou o Camp Nou ao delírio: Daniel Alves fez jogada pela direita e cruzou para Pedro, no outro lado, arrematar com estilo, de primeira, e ver Júlio Doze Césares ainda desviar a bola de leve, mas nada que impedisse a trajetória final para o fundo do gol interista. Estava completo o estrago: 2 a 0. E mesmo depois disso, nada fazia com que a Inter assustasse o Barça. Aos 33, Puyol entra para rachar Milito, o atacante argentino da Inter, e os dois se estranham, mas o árbitro dá cartão amarelo para o zagueiro da Catalunha, esfriando os ânimos. Aos 35, o primeiro lance da Inter, e foi propiciado por uma falha do goleiro Valdés na saída de bola, que permitiu uma tentativa de Stankovic, num bom chute de longe, mas para fora. Aos 42, Milito, Eto’o e Stankovi trocam passes, até que o último chutasse fraco para o gol, facilitando a defesa de Valdés. E o primeiro tempo foi encerrado aos 46, dando um pouco de tempo para a Inter, acossada pelo rival catalão, respirar no vestiário. O time não vira a bola no primeiro tempo.

     O Barcelona começa com o domínio da posse de bola no segundo tempo, mas cadencia um pouco mais o jogo, sob seu inteiro domínio. Aos nove, Milito passa para Eto’o, que desaba dentro da área e fica olhando para a arbitragem, à espera de um milagre, mas não viria sob a forma de uma mãozinha de Sua Senhoria, que mandou o jogo seguir, sem tempo para conversa do camaronês da Inter. Aos dez, Daniel Alves sai rápido pela ponta e cruza na medida para o baixinho Xavi cabecear e ver Júlio César defender a bola indefensável, pelo menos para 99% dos goleiros. Maicon, aos 11, passa rapidamente para Stankovic arriscar o chute, mas Valdés defende com tranquilidade. Aos 22, após um tempo sem sofrer investidas, o goleiro da Inter, Júlio César, tem que trabalhar após uma cobrança de falta efetuada por Daniel Alves, que chutou rasteiro, exigindo elasticidade do goleirão. Aos 26, José Mourinho, técnico badalado da Inter, troca Stankovic por Balotelli, apostando na juventude do atacante. Aos 28, Balotelli tabela com Maicon, que cruza bola perigosa na área, mas Puyol rebate, afastando o perigo. Aos 31, o jogo é paralisado após Diego Milito, o atacante argentino da Inter, cair dentro do seu campo de defesa, onde ajudava a parar o ataque do Barça. O jogo é retomado aos 33. Aos 36, nova substituição da Inter, com a saída de Milito e a entrada de Quaresma. Aos 39, Henry ajeita perto da área e solta um canudo, mas pega muito embaixo da bola, que vai em direção ás estrelas. Aos 40, Josep Guardiola, técnico dos catalães, troca Pedro, o lépido e habilidoso atacante, por outra cria das categorias de base, Bojan. Aos 44, mais uma substituição catalã: Abidal sai para entrada de Maxwell, mais um brasileiro a participar do histórico duelo. E como foi a tônica na parte final do jogo, não houve grande emoção, pois a Inter foi engolida pelo sistema de jogo do Barça, que pôs na roda literalmente os italianos, que sonham com a conquista do torneio, vencido por eles em 1964 e 1965. O Barcelona, por sua vez, é o atual campeão. Com cinco minutos de acréscimo, o arbitro encerrou o show do Barça, que ganhou com facilidade e, se tivesse se esforçado um pouco mais, poderia até ter aplicado uma goleada nos milaneses.

     Nos outros jogos da terça, os resultados foram Fiorentina 1X0 Lyon, Debrecen 0X1 Liverpool, Rubin Kazan 0Xo Dinamo de Kiev, Glasgow Rangers 0X2 Stuttgart, Unirea Urziceni 1X0 Sevilha, Arsenal 2X0 Standard Liege e AZ Alkmaar 0X0 Olympiakos. No dia seguinte, aconteceram os jogos Bordeaux 2X0 Juventus, Bayern de Munique 1X0 Maccabi Haifa, CSKA Moscou 2X1 Wolfsburg, Manchester United 0X1 Besiktas, Real Madrid 1X0 Zurique, Milan 1X1 Olympique de Marselha, Porto 0X1 Chelsea e Apoel 1X1 Atlético de Madrid. Com os resultados, já estão garantidos nas oitavas-de-final da Champions League Bordeaux, Manchester United, Porto, Real Madrid, Chelsea, Fiorentina, Lyon, Sevilha e Arsenal. Os outros sete, na base do palpite, devem ser Juventus, CSKA Moscou, Milan, Barcelona, Internazionale, Stuttgart e Standard Liege. Como sempre, os italianos, espanhóis e ingleses aparecem como favoritos, provavelmente com dez dos 16 possíveis finalistas. Pelo que mostraram de futebol até agora, Chelsea, Barcelona, Milan e Real Madrid, os três últimos pela tradição, também, merecem ser vistos com mais carinho. A próxima e decisiva rodada acontecerá nos dias 8 e 9 de dezembro, com destaque para Juventus X Bayern de Munique, Internazionale X Rubin Kazan, Dinamo de Kiev X Barcelona e Stuttgart X Unirea Urziceni, todos jogos com as duas equipes precisando pontuar para se classificarem. A lamentar, a desclassificação precoce do tradicional Liverpool, pentacampeão do torneio.

Add comment Novembro 27, 2009

Mengão empata e decepciona maior torcida do mundo

     A torcida do Flamengo, decantada como a maior torcida do mundo, se bem que nenhuma pesquisa a respeito foi feita até hoje, frustrou-se com sua equipe, mais uma vez, no domingo, com um frustrante empate por 0 a 0. O jogo contra o Goiás, no Maracanã, começou com a possibilidade de o Flamengo conquistar a liderança do campeonato brasileiro, ultrapassando o São Paulo, que perdera seu jogo, também no Rio de Janeiro, mas no Engenhão, diante do Botafogo, encerrado minutos antes do início de Fla e Goiás. Um mosaico maravilhoso foi apresentado pelos fanáticos rubro-negros, com os dizeres “a maior torcida do mundo faz a diferença”, mas nada disso resolveu em campo, pois o Goiás jogou com uma tranquilidade irritante, controlando e cadenciando o jogo, assustando em alguns momentos e em outros contando com a boa presença de Harlei, eterno goleiro do Goiás. Os dois times tiveram chances de ganhar o jogo, mas as chances do Goiás, mesmo que em menor número, foram mais agudas, mais claras, em contra-ataques que pegaram a defesa do Mengão desprevenida. Bruno, muralha flamenguista, fez dos seus milagres, salvando um resultado mais desastroso, que seria uma derrota. Agora, a esperança rubro-negra fica em cima do próprio Goiás, que é o próximo adversário do São Paulo, em jogo no Serra Dourada. Se não passar pelo São Paulo, ninguém vai se atrever a esperar que o Sport consiga arrancar um ponto que seja do Tricolor, ainda mais se o jogo for mesmo no Morumbi. É que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) julga a perda de mando de campo do São Paulo, em virtude de uma invasão de torcedor no jogo contra o Internacional. O fato é que o título está muito próximo do São Paulo e distante do Flamengo, que precisa da vitória a qualquer custo contra o Corinthians, em jogo transferido para o Brinco de Ouro, em virtude de o Palmeiras jogar no mesmo dia em São Paulo, como se ninguém tivesse visto isso no momento de elaboração da tabela. Dá neles, calendário.

     No primeiro tempo de Goiás X Flamengo, o Maraca viu o Goiás começar com bastante toque de bola. Aos cinco, Iarley cruzou perigosamente, mas Bruno defendeu para o Mengão. O Goiás, depois dessa, criava confiança, indo para cima. Aos dez, o Mengo manda a primeira bola para a área, desviada pela zaga para escanteio, depois muito mal cobrado. Aos 16, Petkovic bate falta de muito longe, mas a bola vai para fora. Aos 18, Fernandão matou a bola no peito, na ponta esquerda, e chutou para brilhante defesa de Bruno. Aos 21, um dos melhores lances do jogo, quando Pet bateu falta e viu a bola passar tirando tinta do travessão. Aos 22, Pet cruza e Adriano quase faz, mas é desarmado por Ernando. As duas equipes saíam com força para o ataque, e o jogo seguia muito equilibrado. O Flamengo confiava no tempo como remédio para vazar o goleiro goiano. Aos 34, Paulo César Vasconcelos, comentarista do Sportv, diz que esperava um Flamengo mais vibrante, achando a equipe pouco inspirada. A zaga goiana seguia rebatendo todos os cruzamentos, fossem da direita ou da esquerda. Aos 37, Juan, o lateral ex-seleção brasileira, chuta de longe, mas Harlei encaixa com segurança. Depois disso, o Mengo parte para uma tentativa de sufoco no final do primeiro tempo. Aos 41, o Goiás sai no contra-ataque com Iarley, Fernandão e Léo Lima, que chuta perfeito, mas Bruno defende de forma cinematográfica. Nos próximos cinco minutos, nenhuma chance digna de nota, e o árbitro encerraria a primeira metade do jogo, aos 46.

     No início do segundo tempo, Paulo César Vasconcelos, o comentarista, queixa-se bastante da marcação feita por Aírton e Toró, volantes flamenguistas. Aos dois, Willians se livrou do marcador e chutou para boa defesa de Harlei. A torcida fazia a sua parte, empurrando o time para a vitória. Aos quatro, Léo Lima deixou Vitor na cara do goleiro Bruno, mas o lateral perdeu a chance do jogo, chutando para o alto. Aos oito, contra-ataque rápido do Mengo, e a bola chega para Juan chutar, mas Harlei defende de novo. Aos dez, Juan ajeita para Pet, que chuta bem, mas Tolói desvia para escanteio. O repórter do Sportv anuncia o público, de 78.639 pagantes e de 83.489 presentes, isso sem contar os penetras, claro. A renda foi de R$ 1.470.930,00. Aos 13, Vitor cruza e Leandro Euzébio desvia de cabeça, para fora, assustando os flamenguistas. Os goianos jogavam de igual para igual, sem medo de mosaico, superlotação de estádio etc. Aos 18, Andrade, pentacampeão brasileiro como jogador, por Vasco e Flamengo, e agora técnico do Urubu, manda Kléberson para o campo, em lugar de Willians, pregado, morto. Aos 19, Pet cruza e Adriano finaliza, mas Harlei defende. No mesmo minuto, Fernandão cai, contundido. Dois minutos depois, o jogo é retomado. Aos 22, a bola pinga na área e sobra para Adriano, que domina e ajeita para Pet chutar e ver Harlei defender, deixando a sobra para um bolo de jogadores e ele, o goleiro, que se contundiu no lance, paralisando o jogo por mais dois minutos. Quando foi retomado o jogo, só se via a bola em pés goianos. Aos 28, o Mengo recupera a bola, e Juan passa para Adriano dominar e ajeitar para Kléberson chutar para fora. Aos 29, Hélio dos Anjos faz sua primeira alteração: entra Amaral e sai Rithelly. Aos 32, Pet cruza e Harlei defende com firmeza. Aos 33, Pet dá o seu lugar para a entrada de Fierro, descansado, no mesmo momento em que Fernandão sai e dá a vaga para Felipe, o artilheiro dos goianos. Aos 34, Fierro cruza e Adriano cabeceia, mas a bola vai sem força, fácil para a defesa de Harlei. Aos 35, Fierro cruza de novo e o zagueiro tira bem na hora em que Adriano ia empurrar para a rede. Aos 37, Júlio César, lateral-esquerdo do Goiás, entra na vaga de Léo Lima, bastante criticado por Paulo César Vasconcelos, o comentarista do Sportv. Logo em seguida, o Flamengo troca Zé Roberto por Bruno Mezenga. O tempo passava e começava a bater o desespero no Mengão. Aos 40, Ronaldo Angelim, zagueiro, curte uma de ponta-direita, corta para o meio e chuta, mas Harlei, impossível, defende mais essa. A estatística de faltas aponta nove cometidas pelo Fla e 26 pelo Goiás, numa tática que PCV, o analista, chamou de picotar o jogo, aludindo essa opção ao Goiás, claro. Aos 43, quase a casa cai para o Fla, quando Felipe chuta mais que perigosamente, da entrada da área, e a bola raspa a trave defendida por Bruno. Um minuto depois, em disputa de bola, caem Fernando, irmão de Carlos Alberto, do Vasco, e Toró, deixando o jogo parado por mais dois minutos. Aos 46, Kléberson chuta de longe, e a bola desvia, indo para escanteio. Aos 47, no último lance de perigo, Júlio César, o lateral dos goianos, chuta forte, mas Bruno defende mais essa. Aos 50, para frustração geral dos cerca de 85 mil presentes, incluídos aí os penetras, o árbitro encerrou a peleja, com o placar de 0 a 0. A cidade de São Paulo via um foguetório ser acionado no mesmo instante, demonstrando o delírio do líder Tricolor, que segue na liderança, de onde dificilmente será tirado nas duas últimas rodadas.

     Nada é definitivo, mas as duas últimas rodadas são amplamente favoráveis ao título do São Paulo. O clube só depende de si, precisa vencer o Goiás, em Goiânia, e o Sport, em São Paulo ou em outro local, caso o STJD mantenha a perda de mando de campo para o Tricolor. Na próxima rodada, dois jogos foram antecipados para sábado, pois não valem nada em termos de luta por título, vaga na Libertadores ou rebaixamento: Avaí X Santos e Grêmio X Barueri. No domingo, jogam, às 17 horas, Corinthians X Flamengo (pode até ser que perca, pois vem jogando muito mal, mas ninguém duvida que o Corinthians não vai entregar o jogo), Palmeiras X Atlético Mineiro (vale a Libertadores para o Verdão, que precisa de um empate), Atlético Paranaense X Botafogo (quem ganhar segue fora da zona de rebaixamento), Santo André X Náutico (só uma vitória e uma combinação milagrosa de resultados deixará um dos dois vivo para a rodada derradeira), Fluminense X Vitória (se vencer, o Flu sai automaticamente da zona de degola), Goiás X São Paulo (jogo pode até valer o título antecipado para o Tricolor, caso o Flamengo perca e Palmeiras e Inter empatem, pelo menos), Sport X Internacional (só a vitória interessa ao Colorado) e Cruzeiro X Coritiba (Zêro tem que vencer e torcer muito contra Inter e Palmeiras). Ainda sobra muita emoção para as duas últimas rodadas. E podemos ver uma última rodada com quatro equipes disputando o título e outras cinco lutando para escapar do rebaixamento. Aguardemos.

Add comment Novembro 24, 2009

Em jogo épico, Fogão vence São Paulo, mas Tricolor fica a dois passos do paraíso

     O jogo entre Botafogo e São Paulo, no Estádio João Havelange, o popular Engenhão, em homenagem ao bairro Engenho de Dentro, onde fica o centro esportivo, foi simplesmente um assombro de emoções fortes. Jogo proibido para cardíacos, com direito a viradas, bolas na trave, expulsões, emoção até o último segundo. Quem pagou o ingresso, seja ele inclusive são-paulino, viu o valor que os jogadores das duas equipes deram a esse dinheiro suado. O espetáculo lembrou um outro jogo de mesmo placar, 3 a 2, disputado na semifinal do Brasileirão de 1981. Diferente daquela oportunidade, desta vez a vantagem foi do Botafogo, que segue à beira da zona de degola, acossado pelo Fluminense, que segue em sua arrancada mortal, ainda no cadafalso do rebaixamento, precisando de duas vitórias nas rodadas finais. O São Paulo, mais técnico, mesmo com os seis desfalques, alguns motivados pelos julgamentos do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), criou boas chances de gol. Além dos dois tentos, o Tricolor, sem Hugo, Borges, Dagoberto, André Dias e Jean, suspensos, e Rodrigo, contundido, conseguiu dois chutes na trave do Fogão. O time alvinegro carioca pressionou bastante no começo, depois se segurando após ter feito o seu gol. O São Paulo então tomou conta até o final do primeiro tempo, quando de tanto pressionar fez o gol de empate. No segundo tempo, o jogo estava bem disputado, equilibrado, até que o Tricolor fez seu gol numa jogada rápida de seu ataque. Depois disso, o Fogão foi com tudo e empatou logo em seguida, deixando o jogo aberto até o final, quando o atacante Jóbson definiu uma bola e se tornou o herói botafoguense, com dois gols e jogadas perigosas para cima da defesa são-paulina. Quando o árbitro encerrou o jogo, a sensação era de que as coisas se complicariam para o São Paulo, pois o time poderia perder a liderança. Só que o Flamengo não venceu o Goiás, no Maracanã abarrotado, e o São Paulo segue a dois passos do paraíso, a dois jogos do título, sendo um contra o Goiás, no Serra Dourada, e o outro diante do Sport, provavelmente no Morumbi. Isso se o STJD não mantiver a punição ao São Paulo pela invasão de um torcedor na partida contra o Internacional. A defesa do São Paulo é que houve invasão em outros jogos, sem que acontecesse punição como nesse caso do São Paulo. O fato é que o palco onde São Paulo e Sport jogarem provavelmente não vai importar, pois a superioridade do primeiro colocado em relação ao lanterna é enorme.

     Com um minuto de primeiro tempo, o São Paulo já cruzara duas bolas na área botafoguense, mas a zaga afastou o perigo. O Botafogo tentava logo em seguida ir para o ataque, mas o São Paulo marcava muito. Aos oito, falta de Richarlyson em Jóbson. Juninho cobra bem, mas Rogério Ceni defende para o Tricolor. Aos 13, Jóbson faz jogada pela esquerda e cruza para a área tricolor, sem que a bola seja tocada por ninguém, mas levantando a massa alvinegra. Um minuto depois, o mesmo Jóbson recebe na corrida, chama Renato Silva para dançar e manda o torpedo no ângulo, sem chance para Rogério Ceni: 1 a 0. Caio, comentarista da TV Globo, imediatamente diz que “o São Paulo entrou para assistir o Botafogo jogar”. Casagrande aproveita e diz que São Paulo poderia tomar de 3, 4, se continuasse jogando daquele jeito. Aos 16, Lúcio Flávio arrisca de longe, mas Ceni, bem posicionado, defende firme. Aos 19, Washington ganhou na força e chutou para o meio da área, mas a zaga afastou o perigo. O São Paulo começava a se abrir mais e procurava o ataque. E como o Fogão recuava, a pressão tricolor começou a ser total. Aos 25, o árbitro parou o jogo para hidratação dos atletas, desgastados pelo calor intenso do Rio de Janeiro. Dois minutos após, o jogo foi retomado. Aos 29, Lúcio Flávio bateu falta perigosa na área, mas Renato Silva desviou para escanteio. O São Paulo seguiu pressionando, e entrou em campo a tática dos gandulas botafoguenses, que retardavam o tempo de jogo segurando as bolas, demorando para devolver aos atletas quando a redonda saía das quatro linhas. Aos 34, em jogada de contra-ataque, Jóbson arrisca de longe, mas Ceni defende. Aos 40, Jorge Wagner chuta com perigo da entrada da área, e a bola é desviada, indo para escanteio. Aos 42, Marlos levou a bola e deu um belo chute, defendido por Jefferson. Era um ataque contra defesa, com o Fogão acuado, assustado, rezando pelo fim rápido do primeiro tempo. Aos 45, num desafogo, Lúcio Flávio lançou Jóbson livre, mas ele, na cara de Ceni, assustou-se com o goleiro de Copa do Mundo e errou feio o chute, mandando para o lado. Aos 49, Miranda foi pela direita, deu um corte seco na marcação e emendou um tiro na trave. Na continuação do lance, a zaga afastou para a esquerda do ataque tricolor, bem nos pés de Júnior César, que cruzou na medida para Washington subir no terceiro andar e testar para o fundo da rede de Jefferson, levando a massa tricolor, presente ao Engenhão, ao delírio. O grito dos são-paulinos calou o estádio, e foi a tônica do intervalo, decretado logo após a saída de bola do Botafogo, aos 50.

     Para o segundo tempo, o sábio Estevam Soares tiou Reinaldo, apagado, e mandou Victor Simões para campo, procurando melhorar a parte ofensiva do Fogão. Aos 40 segundos, uma falta foi cometida pelo São Paulo, perto da área. Aos dois, Juninho cobrou em cima da barreira. Os dois times começaram o segundo tempo procurando o ataque, jogando aberto, pois o empate não era bom resultado para ninguém. E num lance rápido o São Paulo foi para a alegria: aos 11, o defensor botafoguense jogou a bola para a lateral. O São Paulo bateu rápido e jogou para Washington, que protegeu a bola e deixou para Jorge Wagner desferir o tiro certeiro, rumo ao gol de Jefferson, que só observou a bola estufar a rede e viu Jorge Wagner esmurrar o ar, comemorando o gol da virada. Aí Caio e Casão foram só elogios ao São Paulo e a Jorge Wagner, dizendo ambos que o São Paulo era mais time na hora da decisão, que Jorge Wagner faz a diferença na hora de decidir etc. Não deu nem muit tempo para a massa são-paulina comemorar, pois aos 14 a bola sobrou na área tricolor e, depois de rebater aqui e ali, sobrou para Renato cabecear quase em cima da linha, empatando novamente o jogo. Os são-paulinos reclamaram de um impedimento na jogada, mas Arnaldo César Coelho, comentarista de arbitragem da Globo, disse que o gol foi legítimo, sem nenhum problema. O jogo pegava fogo, e não havia refresco para nenhum dos lados. Aos 19, Zé Luís entrou em lugar do tricolor Arouca, exausto. Aos 21, falta na entrada da área tricolor, mas Lúcio Flávio bate mais uma na barreira, competindo com Juninho para ver quem batia pior as faltas. Aos 25, Victor Simões ia em direção ao gol, mas foi interceptado com falta por Richarlyson. O Ricky levou o cartão vermelho direto, atrapalhando um pouco os planos do São Paulo, que precisava mesmo da vitória. Um minuto depois, Wellington entrou em lugar de Adrián González, no São Paulo. Aos 28, Lúcio Flávio recebe pela esquerda do ataque do Fogão, leva para o meio e chuta, mas a bola desvia e vai para escanteio. Aos 29, Hernanes chega como quem não quer nada e manda a bomba, vendo a bola se chocar contra a trave de Jefferson, assombrando os alvinegros. A essa altura, a torcida botafoguense sabia que o Fluminense ganhava do Sport, em Recife, e mandava o Fogão para a zona de degola, com o empate do Engenhão. Aos 30, quase o São Paulo faz, mas Marlos faz tabela com Washington e chuta, contrariando Caio, que queria que o meia-atacante devolvesse para o W9, livre. Aos 32, Jônatas entra e Renato sai, contundido, no lado botafoguense. E a reportagem da Globo informa que Washington é o maior goleador do Brasileirão em atividade, com 111 gols nas edições das quais o “Coração Valente” participou. Aos 35, Jõnatas arriscou de longe, mas a bola foi para fora. Aos 36, Rodrigo Dantas entrou em lugar de Fahel, contundido. Aos 37, a bola vai para lá e para cá até chegar aos pés de Jônatas, que mandou para boa defesa do bem colocado Ceni. Aos 38, o número de jogadores fica igual para as duas equipes, porquanto Juninho, o zagueiro que cobrava as faltas na barreira, deu de entrar para arrebentar Wellington, ganhando cartão vermelho de forma direta e inapelável. Aos 39, Ricardo Gomes, treinador são-paulino, arrisca tudo e põe Henrique para ocupar a vaga de Marlos. Aos 41, Henrique recebe, gira e chuta, mas Jefferson defende. Aos 43, Hernanes bate bola perigosíssima, de longe, com bola raspando a trave. Aos 44, Jóbson recebe na velocidade, só ele e Miranda. O atacante dá um drible desconcertante em Miranda e manda a bomba, sem defesa para Rogério Ceni, decretando o 3 a 2 para o Fogão. Na comemoração, o artilheiro da tarde tirou a camisa, levando o segundo cartão amarelo e consequentemente o vermelho, sendo expulso de campo. O árbitro deu quatro minutos de acréscimo, e tudo poderia acontecer. O São Paulo não conseguiu novos lances perigosos, mas quase perde Zé Luís, que levou um pontapé perigoso de Rodrigo Dantas, imediatamente expulso de campo pelo árbitro, bastante elogiado por Cléber Machado, o narrador, e Arnaldo, o comentarista de arbitragem. Aos 49, em cima da marca, Sua Senhoria apitou pela última vez no Engenhão, encerrando a epopéica vitória do Botafogo, que saía de novo da zona de rebaixamento, voltando a respirar fora do cadafalso, pelo menos até a próxima rodada. O São Paulo teve que torcer muito para não perder a liderança, e contou com a apatia do Flamengo e a força do Goiás, num jogo empatado no Maracanã lotado. E se tivesse que ter um vencedor, o Goiás seria o merecedor dessa conquista. O Tricolor segue líder e a dois passos de mais um título, o sétimo brasileiro de sua história de quase 74 anos, disparando na liderança como o maior conquistador de campeonatos nacionais.

     Nos outros jogos do fim de semana, os resultados foram Corinthians 2X3 Náutico (do jeito que está, o Corinthians deve perder para o Mengo, mesmo sem entregar o jogo, pois está em péssima fase, com o elenco sem nenhuma empolgação para o campeonato), Atlético Paranaense 1X1 Cruzeiro (resultado complicou as duas equipes, nos seus objetivos de Libertadores e fim da ameaça de rebaixamento), Santos 4X0 Coritiba (Peixe só pensa no ano que vem, enquanto Coxa se preocupa com possível rebaixamento, ainda mais depois de levar uma goleada dessas), Santo André 4X2 Avaí (fim de sonho de Libertadores para o Avaí, e realidade de série B para o Ramalhão), Sport 0X3 Fluminense (na próxima rodada, com mais uma vitória, o Flu deixará matematicamente a zona de degola), Vitória 2X1 Barueri (Leão Baiano escapa da degola e fica a um ponto da Abelha, no marasmo da tabela), Flamengo 0X0 Goiás (em jogo de apatia do Mengo e maturidade do Goiás, que dominou o jogo e levou com tranquilidade, tendo até mais chance de vencer que o Urubu) e Atlético Mineiro 0X1 Internacional (pior que a derrota só a desculpa de Celso Roth, segundo o qual o Galo tem dificuldade contra times fechados). Com esses resultados, as chances matemáticas de título são para São Paulo (62 pontos), Flamengo (61), Palmeiras (59) e Internacional (59). Alético Mineiro e Cruzeiro, ambos com 56, ainda dizem lutar por vaga na Libertadores, mas perderam o gás na reta final. Depois de sete times no marasmo da tabela, dizendo brigarem por vaga na Copa Sul-Americana, vêm, com a corda no pescoço, Coritiba (44), Atlético Paranaense (44), Botafogo (44), Fluminense (42), Santo André (38) e Náutico (38). Um paranaense ou carioca fará companhia ao Ramalhão e aos pernambucanos, ao fim das duas próximas decisivas rodadas.

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Em clássico português, Lusa ganha do Vasco no Maraca, mas permanecerá na série B em 2010

     Em jogo festivo no sábado, em pleno Maracanã, o campeão por antecipação, Vasco da Gama, enfrentou o seu rival paulista também com origens portuguesas, exatamente a Portuguesa de Desportos. E com um calor de fazer urubu voar com uma asa, utilizando a outra para abanar a cara, os times se arrastaram em campo, por sinal o Maracanã, tomado de assalto pelo torcida vascaína. Os paulistas eram representados por um grupo que aparentava caber numa Kombi. E foram os componentes da Kombi que festejaram a vitória, mas o sabor foi amargo, mesmo assim, pois o time ficou sabendo da vitória do Atlético Goianiense, o quarto colocado, que garantiu antecipadamente o acesso à série A para a disputa em 2010. No ano que vem, todos poderemos ver a equipe da Lusa desfilando pelos gramados da série B novamente. Muitos apontam a “balada do pistoleiro”, que suspendeu mandos de campo da Lusa, como principal responsável pela ausência do acesso à série A, mas o fato é que o time em nenhum momento mostrou a força necessária para estar no seleto grupo. Jogou bem algumas vezes como visitante, mas perdeu jogos importantes, inclusive no Canindé. De nada adiantou conseguir a vitória contra o Vasco, no modorrento jogo no quente Maraca. Ainda assim, a vitória foi justa, pois o Vasco foi uma nulidade em campo, um fantasma do time arrasador de toda a série B, principalmente a partir do momento em que conseguiu a liderança.

     No primeiro tempo, a partida começou sonolenta, e isso se devia em grande parte à lua que atacava os jogadores no Maracanã, explodindo de tanto calor. O Vasco começou atacando um pouquinho mais, aproveitando-se dos buracos deixados pelos laterais da Lusa, que avançavam e não voltavam a tempo. O jogo seguia carente de grandes chances, modorrento, até que aos 22, depois de muito tentar, surge o primeiro chute a gol, em direção à meta vascaína, mas o narrador da Redetv, Sílvio Luiz, não soube identificar o autor luso. Aos 25, outro jogador da Lusa, Fabrício, ajeita e chuta firme, mas Tiago defende com categoria. Aos 29, Carlos Alberto cria uma jogada para o Vasco e deixa para Elton, que chuta e vê o beque desviar para escanteio, atiçando os milhares de vascaínos presentes. Aos 38, Marco Antônio, da Lusa, chuta de longe, e Tiago espalma para escanteio. Aos 42, Héverton recebeu na entrada da área e chutou para bela defesa de Tiago, o reserva de Fernando Prass. Aos 45, em cima da marca, o árbitro encerrou a primeira etapa, um deserto de emoções. O jogo só era bom para os vendedores de água e picolé, que faturaram muito na tarde de sábado.

     Para o segundo tempo, Dorival Júnior escalou Allan em lugar de Fumagalli, tentando melhorar o poder de fogo do Vascão. E o segundo tempo começou um pouco mais corrido, talvez pelo fato de o sol estar mais ameno. Aos 11, o Vasco cobra uma falta e um jogador da Portuguesa desvia o perigo, mandando a bola para escanteio. Novamente Sílvio Luiz disfarça, mas não identifica o jogador. Aos 17, Henrique entra em lugar de Rafael, na Lusa. Aos 19, lançamento para um jogador não identificado do Vasco, mas Muriel sai em cima do lance, encaixando a bola e salvando o perigo. O público, de 27.319 presentes, sem contar os eternos penetras, sempre em grande número no Maracanã, viram o goleiro e artilheiro Tiago cobrar uma falta aos 23, mas a bola foi desviada pela barreira, indo para escanteio. Aos 24, Philippe Coutinho entrou em lugar de Adriano, e Aloísio, o Chulapa, foi para o campo na vaga deixada por Elton. Aos 26, sai o gol da Lusa: Fellype Gabriel recebeu na esquerda, entrou na área com a bola dominada, levou dois na conversa, ajeitou para o meio e bateu sem dó, para estufar a rede de Tiago, fazendo Lusa 1 a 0. Logo em seguida, o artilheiro da tarde foi premiado com a saída, para a entrada de Piraju. Os jogadores do Vasco, mal acostumados , tentavam cavar um pênalti como último recurso para igualar o marcador, mas o árbitro não caiu nessa tática, mandando o jogo seguir algumas vezes. Aos 32, Zé Carlos recebeu e tentou driblar o goleirão vascaíno Tiago, que foi preciso no lance, desarmando o atacante luso. Aos 36, Jéfferson entrou em lugar de Héverton, o exausto meia da Portuguesa. A Lusa segurava a vitória, apesar de os demais resultados não favorecerem a disputa da equipe pelo acesso. A Rubro-Verde jogou toda fechadinha até escutar o apito final do árbitro, aos 49 do segundo tempo, decretando o encerramento das chances lusas de acesso à série A. Fica para o ano que vem a tentativa de subir e jogar contra Flamengo, Cruzeiro, Grêmio, São Paulo etc.

     Nos outros jogos da rodada, todos disputados no sábado, os resultados foram Ponte Preta 1X2 Ceará (Vozão sobe, depois de muitos anos só na tentativa), Bragantino 1X2 Brasiliense (morto, o Braga ajudou o Jacaré a sair da zona de degola), Campinense 3X1 ABC (vitória tirou o time de Campina Grande da lanterninha), América 1X0 Ipatinga (o Mecão ultrapassou o Ipatinga com a vitória, ficando próximo de se livrar da série C), Bahia 2X0 Guarani (Bora Bahêeeea, saindo de perto do rebaixamento), Juventude 1X3 Atlético (com casa cheia, o Verdão da serra gaúcha decepcionou e entrou na zona de degola, enquanto o Dragão confirmou o acesso), Figueirense 1X2 Duque de Caxias (derrota do Figueira ajudou Dragão a confirmar acesso), Vila Nova 2X2 Paraná (jogo não valia absolutamente nada) e Fortaleza 1X2 São Caetano (outro jogo que pouco valia, pois o Fortaleza, mesmo que vencesse, estaria rebaixado). Os quatro que já estão na primeira divisão em 2010 são Vasco (76 pontos), Ceará (67), Guarani (66) e Atlético Goianiense (65). Portuguesa e Figueirense morreram na praia e vão voltar à carga em 2010, na tentativa de subir para a primeira divisão. Os ameaçados pelo rebaixamento são América (45), Brasiliense (45), Ipatinga (45) e Juventude (44). Um desses fará companhia a Fortaleza (37), Campinense (36) e ABC (35), todos na série C em 2010. E os jogos que valem alguma coisa na última rodada são apenas Guarani X Juventude, Ipatinga X Vasco, Brasiliense X Vila Nova e Ceará X América, todos marcados para sábado, às 17 horas. O único que não depende só de si é o Juventude, mas pega um apático Guarani, com rendimento bem abaixo do esperado na reta final, mesmo quando joga em Campinas. Sábado tem emoção, e uma das quatro torcidas vai chorar ao final da rodada: mineiros, gaúchos, brasilienses ou potiguares? Veremos.

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LDU é impiedosa com River Plate genérico e vai à final contra Flu

     Na quinta-feira magra, em que nada aconteceu no Brasil em termos de futebol, o único jogo do dia, envolvendo a sorte de um clube brasileiro, o Fluminense, foi LDU e River Plate do Uruguai. E a partida decidia quem seria o finalista da Sul-Americana, o adversário do Fluminense. E pelo que jogou, a LDU merecia até ter feito mais que os sete gols a zero que mandou para a caixa do River Plate, não “La Maquina”, como o time portenho era chamado nos anos 1940, mas o genérico uruguaio, com poucos torcedores, pois o povo uruguaio se divide entre Nacional e Peñarol, os grandes campeões da história do campeonato uruguaio. Com atuação impecável de Méndez, o meia equatoriano, a LDU realmente passeou em campo, sem tomar conhecimento do adversário, que vencera a primeira partida, em Montevidéu, por 2 a 1. Foi uma goleada para ninguém botar defeito, com direito a olé e tudo o mais.

     No primeiro tempo, a LDU logo de cara se lançou ao ataque, com William Araujo, que bateu falta, aos quatro minutos, mas a bola foi longe do gol. Aos cinco, um jogador do River Plate chutou de longe, e Domínguez fez a boa defesa. Aos nove, Varela faz um salseiro na área da LDU, mas é desarmado por Espínola, na hora “h”. Aos 11, a bola cai nos pés de Méndez, que manda ver no chute, assustando o goleiro Luciano dos Santos, do River. A LDU começa a pressionar bastante e fica próxima do gol inaugural. E logo acontece o lance que abre a porteira para os gols equatorianos: aos 16, Reasco cisca pela direita e sofre pênalti do zagueiro Diego Souza, brasileiro. Bieler cobra com força, sem chance para Dos Santos, fazendo 1 a 0 para a LDU. O Estádio Casa Blanca foi ao delírio, já antevendo uma revanche diante do Fluminense, vítima da LDU na final da Libertadores 2008. Aos 19, Rizotto chuta para longe do gol de Domínguez, sem grande susto para o goleiro da LDU. Aos 22, Bolaños manda bem uma bola de longe, mas Luciano dos Santos faz a defesa. O time equatoriano, mais técnico, jogava melhor, dominava a partida. Aos 27, escanteio bem cobrado encontra a cabeça de Espínola, no segundo andar, e o zagueirão faz 2 a 0, resultado muito bom para o time do Equador. Lédio Carmona, comentarista do Sportv, viu falha do goleiro no lance, mas cabeceio foi muito próximo do gol, soando mais como exagero do analista. Só dava LDU; pressão total. Aos 29, Calderón limpou Dos Santos e chutou, mas o goleirão se recuperou a tempo de impedir o terceiro gol equatoriano. Um minuto depois, foi a vez de Bieler quase fazer o terceiro do time da casa, gol que já estava maduro, maduro. Aos 35, contra-ataque mortal cai nos pés de Méndez, que mandou na trave, assustando os uruguaios. O River, de vez em quando, ameaçava com algumas jogadas de ataque, mas sem qualquer perigo. Aos 46, o gol maduro caiu do galho e se transformou em 3 a 0, quando a LDu fez linha de passe no ataque, culminando com toque de cabeça para Bolaños fuzilar o goleiro Luciano dos Santos. Foi o último ato do primeiro tempo, que já definia praticamente o outro finalista da Sul-Americana, adversário do Fluminense.

     No segundo tempo, o River tentou uma bela jogada aos dois, mas Rizotto, seu mais perigoso jogador, mandou bola com curva, raspando a trave defendida por Domínguez. A LDU tocou a bola no começo do jogo, vendo o sparring entregue em campo, sem muita condição de esboçar reação na altitude de Quito. E aos 11, o Estádio Casa Blanca veria o início de uma goleada monumental, quando Méndez, o craque do jogo, mandou um torpedo no canto, sem chance para Luciano dos Santos, que foi buscar a quarta bola no fundo do gol. Reiniciado o jogo, aos 14 já havia novo perigo de gol a favor da LDU, mas Calderón chutou de longe e viu Dos Santos defender bonito. Aos 16, um respiro para o River, quando Rizotto, sempre ele, bateu uma falta perigosa, mas para fora. Aos 18, bola na área da LDU, e Córdoba perdeu gol feito, ao chutar para defesa de Domínguez, desperdiçando a chance do gol de honra. A LDU matava o tempo, tocando a bola e esperando o relógio correr. Lédio Carmona não se cansava de falar da fragilidade defensiva do River Plate. Aos 32, Jorge Fossati, técnico da LDU, trocou Calderõn por Estupiñan, isso com o jogo já resolvido, pois a essa altura os uruguaios precisavam fazer três gols para conquistar a vaga na final. E ainda aos 32 veio mais um golpe na frágil defesa uruguaia: De La Cruz, da entrada da área, ajeitou  e deu o chute seco, no canto, sem defesa para Luciano dos Santos, computando 5 a 0 no placar. Lédio Carmona disse que dava para defender mais essa, implicando com o goleiro dos uruguaios. Rufavam os tambores dos torcedores equatorianos, à espera da final contra o Flu, confiantes em mais uma vitória sobre os brasileiros. Aos 36, Salas entra em lugar de Bolaños, ainda pelo lado da LDU. Aos 38, o atacante argentino Bieler faz 6 a 0, após receber passe do descansado Salas e mandar o pé na bola, sem chance para o goleiro do River. E a LDU seguia com a bola nos pés, tocando e gastando o tempo, à espera de uma nova chance de torpedo em direção ao gol adversário. Aos 43, Salas, descansado e arrasador, dá o passe para Bieler fazer 7 a 0, numa bela conclusão. Dois minutos depois, com pena dos uruguaios, o árbitro encerra a peleja, sem nenhum desconto, pois o River não merecia mais que os sete gols que já levara, uma verdadeira coça. No fim do jogo, se perguntasse a cor da bola ao goleiro dos uruguaios, diria que era azul ou verde, mas não saberia definir bem, pois participara de um baile, promovido por Bieler, Méndez, Bolaños e companhia.

     Como um dia antes o Fluminense vencera novamente os paraguaios do Cerro Porteño, desta vez por 2 a 1, no Maracanã, a final da Copa Sul-Americana 2009 será uma reedição da final da Libertadores 2008, vencida pelos equatorianos. A primeira decisão será na quarta-feira, em Quito, no belíssimo Estádio Casa Blanca. Será que dessa vez o Flu vai esmorecer de novo? Pelo que vem fazendo no Brasileirão e na própria Sul-Americana, os tricolores cariocas esperam nada menos que o título. Vejamos o que Fred, Conca, Alan e companhia vão aprontar nesta final.

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Verdão luta muito, mas perde a cabeça e o jogo no Olímpico

     O que o Palmeiras mais fez foi lutar ontem, em partida diante do Grêmio, no Olímpico. Lutou durante todo o primeiro tempo atrás de um gol, que poderia ser salvador, porquanto o time, com boa defesa, poderia segurar uma vitória magra no segundo tempo. Quando a etapa inicial estava quase no fim, eis que surge o Sobrenatural de Almeida para eliminar as chances de título do Palmeiras em dois minutos. Primeiro, o Grêmio fez um gol legítimo, saindo na frente, indo para o vestiário com uma importante vantagem, mas reversível, caso o Palmeiras não se mexesse no intervalo. Só que Maurício e Obina sairam de campo discutindo asperamente e, mesmo contido pelos companheiros, chegaram às vias de fato: Maurício tentou dar um tapa em Obina, que teve boa esquiva, como se fosse um lutador de boxe, e como tal aplicou um soco no rosto do companheiro, que não teve a mesma esquiva que o bom baiano. Sua Senhoria viu tudo, e após o intervalo comunicou que os dois brigões estavam expulsos de campo, para delírio não só de gremistas, mas de são-paulinos e palmeirenses, interessados no jogo do Palmeiras. No segundo tempo, o Palmeiras lutou bravamente, mas não dava para atacar logo o Grêmio, no Olímpico, com dois a menos. Mesmo assim, o time resistiu e só tomou mais um gol, piorando seu saldo de gols e dando adeus à disputa pelo título. Agora, os torcedores terão que encher o Parque Antártica no domingo da próxima semana, mas para ajudar o time na caminhada rumo à Libertadores, diante do Atlético Mineiro. E o Verdão, além das suspensões dos dois pavios curtos, jogará sem Armero e Pierre, que receberam o terceiro cartão amarelo, e também provavelmente não contará mais uma vez com Maurício Ramos e Cleiton Xavier, contundidos. Que pelo menos esses dois consigam se recuperar a tempo de ajudar na batalha por uma vaga no G4, hoje assegurada, mas ameaçada nas duas próximas decisivas rodadas. Ao Grêmio, sem chances de vaga no G4, resta manter a invencibilidade em seu estádio, coisa que fez com maestria ontem, e agora só tem mais um jogo para sacramentar esse feito: contra o Barueri. Será que a Abelha vai picar o Imortal em pleno solo gaúcho? Veremos.

     O primeiro tempo foi de um abissal truncamento. As duas equipes preferiram se estudar a atacar com agressividade. Ninguém quis se abrir muito, talvez esperando pelo segundo tempo, quando poderiam arriscar um pouco mais. Aos 11 minutos, a primeira grande chance veio dos pés de Diego Souza, que dominou bonito e ajeitou para um perigoso chute, raspando a trave de Marcelo, goleiro gremista. Aos 18, uma bela jogada do Grêmio culminou com um péssimo chute de Maxi López, na área, bem no momento em que Fábio Rochemback chegava para chutar firme. Aos 25, Douglas Costa, um dos melhores em campo, fez bela jogada pela esquerda, seu território, e cruzou para Maxi López, que conseguiu um bom cabeceio, assustando São Marcos, o paredão verde. Aos 26, Willian Thiego lançou para Maxi López, que ajeitou para Fábio Rochemback acertar um canudo, mas a bola foi por cima do travessão. O jogo seguia meio truncado, com as defesas bem trancadas. Tanto que só aos 38 surgiria uma nova chance, com cabeceio errado de Réver, dentro da área palmeirense. Aos 41, Rafael Marques lançou a longa distância o lépido Douglas Costa, para o atacante se livrar da marcação e sentar o pé, exigindo boa defesa de Marcos. Aos 46, novamente Douglas Costa mandou uma bola perigosa, que desviou e passou perto do gol de Marcos. No mesmo minuto, Lúcio mandou uma bola da esquerda para Maxi López dominar, tirar Maurício da jogada e mandar colocado, mas Marcos espalmou e deixou para Rafael Marques encher a rede com um chute definitivo, fatal: 1 a 0 para o Grêmio. Logo em seguida, o árbitro apitou o fim do primeiro tempo. A caminho do intervalo, deu-se a cena de pugilato relatada acima, entre Obina e Maurício, jogadores palmeirenses. Dava para prever que as coisas não acabariam bem para o Verdão, como tem sido nos últimos duelos verdes.

     Na volta para o segundo tempo, Muricy foi avisado que os brigões foram expulsos. O Palmeiras jogaria o segundo tempo com nove jogadores, contra os 11 do Grêmio. O Verdão já de cara fez uma substituição, tirando Ortigoza e colocando Marcão para recompor a defesa. O Grêmio só tocava a bola no começa da etapa final, até irritando um pouco sua torcida. Aos nove, Herrera entrou em lugar de Maílson. Aos 11, surpreendentemente Diego Souza recebe uma bola na direita do ataque, de onde desferiu um belo golpe, exigindo boa defesa de Marcelo Grohe. Aos 14, Pierre faz falta e leva amarelo, completando uma sequência de três amarelos, que o eliminam do próximo jogo do Verdão. Armero já tinha levado o seu terceiro no primeiro tempo, também desfalcando o Palmeiras diante do Galo. O Grêmio seguia sonolento, deixando descontente sua exigente torcida, que queria ver o time indo para cima, enfiando gols no adversário. Aos 19, Lúcio cruza da esquerda, e Pierre trava na hora “h”, quando Rochemback chegava para afundar a rede. O Grêmio seguia matando o tempo com toques marotos, aproveitando a vantagem no número de jogadores. Aos 25, o golpe fatal: Maxi López recebeu passe perto da área verde, brigou com os zagueiros palmeirenses e São Marcos, saiu limpo da jogada e chutou a bola, que bateu em Marcão e foi para o barbante. Era o tiro de misericórdia. Perdido por dois, perdido por mil, e o Palmeiras lutou heroicamente até o fim. Os 14 mil pagantes viram um time que não se entregava nunca, mesmo com poucos em seu exército. Aos 35, o jogo foi parado após uma disputa de cabeça entre Marcão e Herrera. Quando foi retomado, o jogo teve mais uma substituição, com saída de Lúcio e entrada de Bruno Collaço, do lado gremista. Caio, comentarista da TV Globo, contemporizava com o Palmeiras: “com dois a menos é muito complicado”, repetindo o discurso do óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues. E como nada mais havia a ser feito, o árbitro nem deu descontos, encerrando a peleja exatamente aos 45. A derrota foi um tiro no peito dos palmeirenses, que certamente lotarão o Palestra Itália no próximo domingo, pois a vaga na Libertadores é questão de honra. O Grêmio segue garantido na Sul-Americana e bem distante do G4. Vejamos o que vai acontecer no complemento da rodada, principalmente no domingo, dia dos jogos Botafogo X São Paulo, Flamengo X Goiás e Atlético Mineiro X Internacional. Uma coisa é certa: o título vai para São Paulo, o favorito, ou Flamengo, o azarão.

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Mengo supera Timbu e segue no encalço do Tricolor

     O Flamengo conseguiu uma grande proeza no Estádio dos Aflitos, em Recife, domingo. A equipe conquistou uma vitória por 2 a 0 em cima do Náutico, uma equipe com a corda apertada em seu pescoço, assombrada pelo fantasma do rebaixamento. Com o resultado, o Mengão segue firme na luta para superar o São Paulo e conquistar o título brasileiro, o sexto segundo os flamenguistas, mas o quinto segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Os demais se dividem, pois alguns consideram o título de 1987 para o Flamengo, que conquistou a Copa União, com os 16 times que se rebelaram contra a CBF e organizaram o torneio, fundando o Clube dos 13, encorpado com Coritiba, Santa Cruz e Goiás. A CBF organizou o módulo amarelo e considerou a Copa União como módulo verde, marcando as finais do Brasileirão entre os dois finalistas da Copa União (Flamengo e Internacional) e os dois do módulo amarelo (Guarani e Sport). Como Mengo e Colorado perderam por W.O., a CBF organizou a final entre Guarani e Sport, em decisão vencida pelos pernambucanos. Até hoje segue essa indefinição, mas nada disso será resolvido agora, nem nunca, ou por outra, entra para sempre no folclore do futebol no Brasil, recheado de fatos curiosos como esse. No jogo contra o Timbu, os rubro-negros jogaram melhor, apesar do domínio de posse de bola dos alvirrubros, que a bem da verdade não souberam bem o que fazer com a pelota nos pés.

     O Náutico começou com mais posse de bola, tocando, tocando e tocando, mas sem conseguir criar uma chance de gol. E o Mengou deu logo o bote aos oito minutos, quando Adriano recebeu e mandou o pé na bola, assustando Gledson, goleiro do Náutico. Depois disso, o Náutico até arriscou alguma coisinha, mas nada de bola defendida por Bruno, a muralha flamenguista. Até que aos 16 o Flamengo veio com tudo pela direita e a bola foi cruzada para Adriano, o Imperador. Ele ajeitou para Léo Moura chutar e ver Gledson rebater, mas bem no pé de Petkovic, que não perdoou, mandando a bola para encher a rede do time alvirrubro. Aos 20, o Náutico respondeu com Carlinhos Bale, que recebeu cruzamento e, mesmo com sua baixa estatura, ganhou a jogada de cabeça e mandou perigosamente para fora, assustando Bruno e a massa flamenguista, presente ao Estádio dos Aflitos. Aos 25, o Náutico fez um gol, mas Claudio Luiz, o zagueiro, estava impedido no lance, acarretando confusão generalizada e muita discussão com o árbitro e o bandeirinha, que anulou corretamente o lance. A partida ficou paralisada por cinco minutos, e quando voltou era o Flamengo que tomava as rédeas do jogo. Aos 32, Adriano cobrou uma falta perigosa, mas mandou a bola para fora. Aos 34, Pet e Adriano cobram falta com jogada ensaiada, mas Gledson defende com brilhantismo. O Náutico se esforçava, pois a corda lhe doía no pescoço, mas o time parecia mesmo destinado ao cadafalso, pois lhe faltava toda a técnica que sobrava ao Mengo, com Adriano, Zé Roberto, Petkovic e companhia. Aos 40, Adriano recebeu, chamou dois adversários para dançar e chutou, para defesa de Gledson, observado por dois flamenguistas à espera de um rebote. E de tanto perder boas oportunidades, o Mengo fez o segundo gol da tarde: aos 46, Léo Moura lançou Zé Roberto pela direita, e o Zé cruzou para Adriano entrar como uma flecha, desferindo um bote certeiro na bola, que foi rolando gostosa, suave, direto para o fundo do gol de Gledson e do Náutico. Logo que o árbitro encerrou a primeira etapa, Lúcio Surubim, comentarista do PFC, canal de pay-per-view, disse que o Náutico teve mais posse de bola, mas quando o Flamengo chegou, foi para decidir. Ele matou a charada, pois o Timbu se enrolava com a bola nos pés, enquanto o Rubro-Negro dava o bote na hora certa, com categoria, sem dó.

     No segundo tempo, o Timbu veio com Juliano em lugar de Asprilla. Aos três, pressão do Náutico, quando Aílton ajeita para Irênio chutar, mas Bruno faz defesa cinematográfica. Aos quatro, resposta do Mengo, e Willians cruza para Léo Moura definir, Mas Gledson espalmou. Aos dez, Willians tabelou com Adriano e chutou rente ao travessão. Aos 14, Adriano recebeu lançamento, tirou goleiro e zagueiro para deixar “mamão com açucar” para Zé Roberto perder o gol mais feito do jogo, pegando de canela, mandando por cima do gol. Aos 15, Nílson arriscou rasteiro, de longe, mas Bruno novamente defendeu. Aos 16, Geninho, treinador do Timbu, colocou Anderson Lessa e tirou Ailton em campo. Aos 22, ao receber cruzamento da direita, Anderson Lessa cabeceou, e Bruno defendeu o lance. Aos 23, a última mexida do Timbu, com a entrada de Tuta e a saída de Irênio. Aos 27, Juliano arriscou de longe, e Bruno defendeu no cantinho, espalmando para escanteio. O Náutico era só pressão, merecia um gol, segundo Surubim, comentarista e ex-jogador do Náutico, aflito com o iminente rebaixamento de sua ex-equipe. E o público foi o maior do ano no estádio: 19.798 pagantes, sem contar os penetras, verdadeira praga nos campos de futebol de todo o Brasil, do Oiapoque ao Chuí. O tempo passava, e aos 42 Zé Roberto deu lugar a Uellinton. O Timbu seguiu na pressão, tentando cavar uma jogadinha de gol, mas ficaria mesmo só na intenção. Aos 45, Léo Moura lançou Bruno Mezenga, que chutou com efeito, mas para fora. Aos 49, o árbitro deu fim ao excesso de tentativas dos pernambucanos e mandou o Flamengo direto para a vice-liderança do Brasileirão, na cola do Tricolor Paulista. Faltam só três jogos, e o Urubu tem que se virar para alcançar o Paul Tergat do Brasileirão, o Tricolor, líder e embalado na reta final da Brigadeiro.

     Nos outros jogos domingueiros, os resultados foram Barueri 3X0 Botafogo (Fogão se complica e deixa Fluzão encostar na briga para não cair), Avaí 3X1 Corinthians (catarinenses mereciam mais, pois pegaram o desanimado Timão, mesmo com Ronaldo em campo), Internacional 3X1 Santos (Colorado volta ao G4 com a vitória, e Mário Sérgio fez as pazes com a torcida), Goiás 3X1 Santo André (Periquito finalmente ganha uma e joga Ramalhão perto da série B) e Fluminense 2X1 Atlético Paranaense (agora o Fluzão encostou no Fogão, podendo até deixar a zona de degola na próxima rodada). Com o encerramento da rodada 35, os primeiros classificados são os seguintes: São Paulo (62 pontos), Flamengo (60), Palmeiras (59), Internacional (56), Atlético Mineiro (56), Cruzeiro (55) e Avaí (53). Os ameaçados pelo rebaixamento são Vitória (44), Coritiba (44), Atlético Paranaense (43), Botafogo (41), Fluminense (39), Santo André (35) e Náutico (35). Com 31 pontos, o Sport está matematicamente na segunda divisão de 2010. E na próxima rodada, os destaques são Grêmio X Palmeiras, na quarta, e Botafogo X São Paulo, Flamengo X Goiás e Atlético Mineiro X Internacional, no domingo. Faltam só tres fins de semana.

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São Paulo não toma nem conhecimento do Vitória

     O Tricolor Paulista não viu nem rastro do Vitória no Morumbi, em partida de sábado, vencida com facilidade pelo São Paulo, por um placar até esquálido: 2 a 0. Pelo que foi o jogo, o Sampa merecia sorte maior, mas seu artilheiro Washington, ansioso por fazer mais gols no campeonato, não estava numa jornada de sorte, desperdiçando a chance mais clara de gol, no segundo tempo. Só que o “Coração Valente” fez a bela jogada do primeiro gol; então, está em estado de glória junto à torcida. Hugo, Arouca, André Dias, Miranda, Rogério Ceni e os demais fizeram uma partida brilhante, jogando com raça, valentia e bravura, sem preocupação com a falta de capacidade do adversário em sufocar o São Paulo. Foi um sparring bem desnutrido o Vitória. Foi como se colocassem o Mike Tyson, dos áureos tempos, para lutar contra o Popó, também dos áureos tempos: um é muito maior e mais forte que o outro. O único a destoar um pouco foi Richarlyson, que se recuperou de uma contusão, entrou no meio do jogo e não mostrou muito serviço, descumprindo as ordens de Ricardo Gomes, que queria o jogador como volante, mas o atleta insistia em se mandar para a ponta-esquerda. No fim, nada de susto, pois o São Paulo ganhou um dos jogos mais fáceis que teve no campeonato, e isso porque o time transformou a partida nisso, nesse marasmo, que o torcedor espera que sejam as três próximas partidas, contra Botafogo, Goiás e Sport. O título se aproxima.

     No primeiro tempo, como em todo o jogo, só deu São Paulo, que aos cinco minutos já assustava, com bela jogada de Miranda e cruzamento para Jorge Wagner, que cabeceou para fora, agitando a galera tricolor. Aos sete, Viáfara, o goleiro colombiano do Vitória, discípulo de Higuita, vacila na saída de bola, e a pelota sobra para Washington, que manda ver, arriscando de longe e assustando os baianos. Aos nove, Jorge Wagner arma para González, o bom lateral-direito argentino; este deixa para Arouca mandar para o ceú paulistano, em direção às estrelas. O Vitória arriscou, no início, uns poucos lances, mas sem intensidade ou grande perigo. Após a bola ir para escanteio a favor do Vitória, uma discussão feia na área do São Paulo: André Dias e Hugo se exaltam e trocam mão no rosto um do outro, mas depois disseram que não foi nada disso, que são muito amigos etc. Na batida do escanteio, a bola é defendida à queima-roupa por Rogério Ceni, e no rebote um pé baiano mandou a bola para fora, assustando a torcida tricolor. Aos 19, Washington, em jogada de ponteiro, cruza e a bola passa poucos centímetros acima da cabeça de Hugo. Aos 24, a bola sai da esquerda e chega aos pés de Washington, que leva dois zagueiros na conversa e chuta cruzado, mas Viáfara espalma para o lado, deixando a sobra para Jorge Wagner fuzilar o time da sua terra, estufando a rede baiana, levando 60 mil pessoas ao delírio no Morumbi. O São Paulo, que já dominava o jogo, ficou mais tranquilo ainda depois do gol de abertura dos trabalhos. Aos 31, Viáfara vacila de novo e lança a bola nos pés de Washington, para este tabelar com Hugo e finalizar de canela, para fora. Depois disso, o jogo entrou num certo marasmo de chances claras de gol, quase todas a favor do São Paulo no primeiro tempo. O Vitória não se arriscava a sair, ou por outra, não conseguia sair, pois o São Paulo aparentava jogar com 14 ou 15 atletas, em vez de 11. Aos 40, Jackson resolveu experimentar de longe, mas a bola foi por cima do gol de Rogério Ceni. Aos 43, González cruza na medida para Hugo cabecear no chão, mas a bola pingou e foi defendida de forma estupenda por Viáfara, de ponta de dedo, no puro reflexo. Depois disso, nenhum lance de gol até que o árbitro encerrase a primeira metade do jogo, aos 47.

     No intervalo, Vagner Mancini, treinador do Vitória, mandou Neto Berola para o campo, tirando Gláucio, que sequer aparecera no primeiro tempo. O São Paulo seguiu dominando amplamente o jogo. Aos dois, Júnior César cruzou e Fábio Ferreira interceptou no meio da área, tirando gol certo. Aos três, Hernanes recuperou uma bola na ponta esquerda e cruzou, com açucar e afeto, na medida para Hugo cumprimentar de cabeça o time inteiro do Vitória e ver Viáfara até relar na bola, mas sem conseguir impedir a trajetória já traçada: fundo do gol baiano. Com o 2 a 0, ficou ainda mais fácil para o Tricolor. O Vitória não conseguia sair da sua defesa, e o máximo que fazia eram dois ou três passes trocados, logo perdendo a bola para a marcação implacável do São Paulo. Aos 11, Leandro Domingues entrou em lugar de Carlos Alberto, pelo lado do Vitória. No mesmo minuto, Júnior César cruzou uma bola na área baiana, mas Washington chegou um pouco atrasado, reclamando posteriormente de um pênalti do seu marcador. Aos 13, Hernanes cobrou falta perigosa, com bola que passou perto da trave de Viáfara. Aos 21, Richarlyson entrou em lugar do bastante aplaudido Jorge Wagner, o maestro. Logo em seguida, Hernanes avançou na corrida com a bola, como se fosse um Usain Bolt, e soltou o pé na entrada da área, mas Viáfara fez a bela defesa. Aos 24, Arouca arriscou de longe, mas Viáfara encaixou com firmeza. Um minuto após, Washington dominou no peito e cruzou, mas Viáfara defendeu mais essa. Para dar uma trégua no massacre tricolor, Leandro Domingues deu um chute a gol aos 28, após receber bola de Magal, mas Rogério Ceni defendeu com facilidade. Aos 30, Marlos entrou em lugar de Hernanes. Aos 34, foi a vez de Hugo ouvir seu nome cantado pela torcida, assim que foi substituído pelo jovem e talentoso Oscar. O São Paulo seguia dominando a posse de bola, tocando-a de pé em pé, jogando com facilidade, gastando o tempo, e a torcida podia ver Ricardo Gomes agitado no banco, mas não era com ninguém alé de Richarlyson, que se mandava para o ataque, descumprindo as ordens do comandante, que o queria na marcação. Aos 41, Leandro Domingues arriscou de longe novamente, e Rogério Ceni defendeu mais uma vez. Aos 43, o gol mais feito do jogo foi perdido por Washington, que recebeu passe magistral dentro da área, dominou e chutou, mas para fora, perdendo chance incrível. E assim como no primeiro tempo, o árbitro encerrou o jogo aos 47 minutos. Toda a torcida tricolor saiu satisfeita com o que viu no Morumbi: um massacre, um bombardeio de bolas na direção do gol baiano, um domínio territorial incrível. Se mantiver o bom futebol, dificilmente vão tirar mesmo o título do São Paulo.

     Nos outros jogos do sábado, os resultados foram favoráveis ao Tricolor, pois o Atlético Mineiro deu adeus à disputa do título ao perder em Curitiba, por 2 a 1, para o Coritiba. Na outra disputa da noite, o Cruzeiro, ex-aspirante ao título, vencia o Grêmio no Mineirão até os 47 minutos do segundo tempo, com dois jogadores a mais que os gaúchos, quando o argentino Herrera empatou a peleja. Agora, os mineiros brigam por vaga na Libertadores, no máximo. Como adversários do São Paulo, só restariam Palmeiras e Flamengo na disputa pelo título. Isso dependia também do que conseguiria o Mengo no domingo, quando enfrentaria o Náutico, nos Aflitos.

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Vasco comemora a conquista da série B sobre o Mecão

     Não foi uma atuação de gala, muito menos uma partida de muitos gols, mas o Vasco da Gama conquistou o título na sexta-feira, mesmo, em partida com direito a Maracanã lotado, diante do América de Natal. O Bacalhau venceu por 2 a 1, e o placar do primeiro tempo foi 1 a 0 para o Mecão, gerando muita vaia e muitos protestos dos cruzmaltinos, num total de quase 60 mil pagantes. O Vasco realmente mereceu sair perdendo no fim do primeiro tempo, porém, no segundo tempo, a entrada de Fumagalli botou fogo no jogo, tanto que com menos de um minuto o Vasco já conquistou um pênalti, desperdiçado. Logo em seguida, a pressão continuaria e o time empataria, com pênalti, e depois viraria, conseguindo o resultado que matematicamente garantia po título para o Gigante da Colina. E Lédio Carmona deu a senha: “os torcedores têm mais é que comemorar”. E as avenidas próximas ao Maracanã viram muita festa, que se espalhou pela capital do Rio e depois por todo o Estado, além de todos os cantinhos do Brasil onde bate um coração vascaíno. A equipe já começa a se preparar para a temporada 2010, que muitos querem tornar inesquecível, pois a torcida vem junto com o bom time, ainda insuficiente para um G4 de série A, mas com alguns reforços, quem sabe?

     No primeiro tempo, quem começou assustando foi o Mecão, com chute de longe de Ricardo Oliveira, mas a bola tomou o rumo da linha de fundo. Aos nove, a primeira chance perigosa do Vascão, em cruzamento de Ernani, mas Elton chegou um puco atrasado para empurar a bola para a rede americana. Aos 13, melhor em campo, o América conseguiu o seu gol: Lúcio, o perigoso atacante alvirrubro, recebeu perto da área, girou e mandou para a rede vascaína, sem chance de defesa para Fernando Prass. E o América seguia marcando muito forte, impossibilitando o gol vascaíno, esperado pelos quase 60 mil torcedores presentes ao Maracanã. Aos 24, André Luís chegou com a bola dominada, ajeitou e chutou com perigo para Fernando Prass. Aos 27, Ernani bateu falta, mas a bola foi para o alto, irritando os vascaínos, que vaiaram bastante o ex-atleta do Americano de Campos. Aos 33, falta em Carlos Alberto, do Vasco, mas Lédio Carmona, o comentarista, não viu nada. Nilton desperdiçou a cobrança de falta. O árbitro marcou muitas faltas esquisitas a favor do Vasco, mas não seria decisivo para a virada cruzmaltina. Aos 40, lance de craque, e logo dos pés de Carlos Alberto, que lançou Ernani, mas o ex-Americano chutou como um perna-de-pau costuma chutar, torto, de rosca, para fora. O jogo não teria mais nada digno de nota do primeiro tempo, exceto a vaia descomunal da torcida alvinegra, esperançosa de que os apupos fizessem o time acordar no vestiário e voltar aceso no segundo tempo.

     Na etapa final, Dorival Júnior mandou Fumagalli para o campo, em lugar do apagado Ernani. E a substituição deu resultado logo a 20 segundos, pois Fumagol disputou uma bola na área do Mecão e conseguiu um pênalti, um dos muitos que o Vasco teve a seu favor nas 36 rodadas de série B. O zagueiro Leandro, o infrator, foi expulso imediatamente de campo. Em vez de Carlos Alberto, quem cobrou foi Elton, aos três minutos, mas Rodolpho defendeu bravamente. O Vasco seguiu na pressão, sufocando o Mecão. Aos sete, Ramón arriscou de longe, mas a bola subiu muito. Aos nove, Dorival troca de novo: entra Philippe Coutinho e sai Vílson. Aos 11, Carlos Alberto arriscou uma bola com curva, desviada num beque, mas perigosa para o goleiro Rodolpho, do Mecão. Aos 13, Carlos Alberto cai na área, em lance claro de pênalti, marcado pela arbitragem. E contrariando as ordens de Dorival Júnior, Elton resolveu bater novamente, mas dessa vez cobrou com perfeição, sem chance para Rodolpho: Vasco 1X1. O resultado era insuficiente para sacramentar matematicamente o título vascaíno. E Carlos Alberto parecia estar liberado para distribuir pontapés e cotoveladas, logo ele, o melhor jogador em campo, habilidoso, de nível de seleção brasileira. O Charles Albert aproveitava quase todos os lances para abrir os braços e acertar rostos, pernas e peitos adversários. Aos 22, Ramirez entrou na vaga de Júlio III, do lado do Mecão. Aos 27, Lúcio cobrou falta a favor do Mecão, mas sem perigo nenhum para os vascaínos. Aos 30, jogando melhor, com um a mais, o Vasco pressiona, e Fumagalli arriscou de longe, mas a bola só raspou a trave. Aos 31, Aloísio, o Chulapa, entrou no lugar de Fagner, lateral-direito. E parecia que o Mecão botaria água no chope cruzmaltino, tanto que aos 36 Somália arriscou de longe, exigindo boa defesa de Fernando Prass. Só que aos 40 veio o frenesi no Estádio Mário Filho, abarrotado de gente: Carlos Alberto armou a jogada pela direita do ataque do Vasco, mandou para Alex Teixeira e viu o companheiro sambar para um lado e para o outro, ficando livre para chutar rente à trave, deslizando a bola na rede, chegando ao fundo do gol, arrebatando o coração dos vascaínos. Cria do Vasco, o menino correu para a galera, que soltou o grito, pois àquela altura o Mecão não tinha nem tempo, muito menos disposição para buscar um empate. O Vasco tocou a bola até o jogo acabar, dando a alegria de volta à torcida, que viu o time sobrar na série B, com um começo meio trôpego, mas com uma facilidade incrível a partir do final do primeiro turno. O time tem muitos bons valores para manter em 2010: Fernando Prass, Fagner, Ramón, Nilton, Carlos Alberto, Alex Teixeira etc.

     Nos outros jogos da rodada, a antepenúltima da série B, os resultados foram Portuguesa 1X1 Duque de Caxias (Lusa praticamente dá adeus ao acesso), Paraná 3X0 Campinense (jogo entre um morto e um rebaixado), ABC 6X2 Brasiliense (o Jacaré surge forte na briga para cair), Ponte Preta 1X3 Bahia (o Bahêeeea começa a deslanchar e deve permanecer na série B em 2010), São Caetano 0X0 Juventude (o Alviverde Gaúcho briga arduamente para permanecer na segundona), Figueirense 2X1 Bragantino (o Figueira não se entrega e parece que vai lutar até a última rodada por uma vaga no G4), Ceará 2X2 Guarani (o resultado ainda não deixou nenhum dos dois matematicamente na série A), Vila Nova 2X1 Fortaleza (resultado praticamente rebaixa o Fortaleza) e Ipatinga 1X0 Atlético Goianiense (resultado complica o Dragão, pois o time fica próximo do Figueira, o quinto colocado). A classificação atualizada aponta a seguinte sequência entre os primeiros: Vasco (76 pontos), Guarani (66), Ceará (64), Atlético (62), Figueirense (60) e Portuguesa (58). Os ameaçados de rebaixamento são Bahia (45), Ipatinga (45), Juventude (44), América (42), Brasiliense (42) e Fortaleza (37). ABC (35) e Campinense (33) já estão rebaixados. A próxima rodada será toda disputada no sábado, com destaque para América X Ipatinga, Bahia X Guarani, Juventude X Atlético e Figueirense X Duque de Caxias. Ainda falta coisa para definir na série B. Os próximos jogos serão decisivos.

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River uruguaio sai na frente contra LDU

     O River Plate, não aquele famoso time argentino, mas uma espécie de Juventus da Mooca uruguaio, fez história em 2009. O clube chegou à semifinal da Copa Sul-Americana, mas não sastisfeito, foi além: venceu o campeão da Libertadores 2008, a LDU de Quito, na primeira partida, no histórico Estádio Centenário, em Montevidéu. A partida foi muito elogiada pelo comentarista do Sportv, Carlos Eduardo Lino, admirador do futebol ofensivo jogado pelo time uruguaio. O lendário estádio recebeu um público insignificante, típico de um Canindé, com menos de 3 mil pagantes. É que no Uruguai só Nacional e Peñarol lotam aquele gigantesco estádio. Lino fez uma ressalva, pois o time do River propicía muitos contra-ataques com toda a sua ofensividade. E foi dessa forma que a LDU aproveitou para empatar o jogo no primeiro tempo, após sair atrás. No segundo tempo, o River garantiu a épica vitória, que deixa a equipe a um empate da final. E como vai ser difícil segurar um empate em Quito, na próxima quinta-feira. Definitvamente será uma batalha épica, sempre no bom sentido, claro.

     No primeiro tempo, a equipe do River Plate dominou na maior parte do tempo, mas o primeiro grande lance veio da LDU, com Bieler ajeitando para Mendez, aos quatro, mas o arremate foi para fora. Aos oito, em contra-ataque fulminante, a marca registrada do River, a bola chegou para Porta, e ele dominou e arrematou com força, no alto, sem chance para Dominguez, goleiro da LDU. Aos 15, Porta novamente teve chance de gol, mas mandou a bola para fora. Aos 16, defesa de Dominguez em chute de Varela, do River. Aos 18, Silva levou perigo, mas chutou para fora do gol da LDU. A tônica do primeiro tempo era essa: a bola ficava grande parte do tempo nos pés dos jogadores da LDU, mas quem atacava com perigo era o River. O zagueiro brasileiro do River, Ronaldo Conceição, marcava bem os atacantes da LDU, e só daria sopa aos 33, quando um cruzamento da direita do ataque da LDU encontraria o meia Mendez, que não bobearia e desviaria para a rede do River Plate. Aos 36, quase sai mais um da LDU, quando Bieler recebeu e chutou quase sem ângulo, assustando os poucos torcedores presentes ao Centenário. Aos 40, Rizotto chutou com perigo ao gol da LDU, mas não conseguiu retomar para o River a vantagem no placar. Aos 42, a zaga da LDU desvia um cruzamento e manda a bola na trave, mas no rebote o goleirão Dominguez agarra. No final do primeiro tempo, Porta, autor do gol uruguaio, saiu para a entrada de Zambrana. O primeiro tempo terminou com o injusto placar de 1 a 1, quando dava para ser pelo menos 3 a 1 para o aberto time do River.

     No segundo tempo, entrariam Torrecilla e Andrezinho no time do River Plate, além de Calle, Lara e Estupinan na LDU. Uma peça importante a sair de campo seria Reasco, o ex-atleta são-paulino, muito mal em campo, deslocado para a lateral-esquerda, comprometendo a marcação da Liga de Quito. No segundo tempo, a LDU se retrairia mais, vendo o time do River tentar o gol de ouro. E a grande jogada para esse gol aconteceria aos 14, quando Varela levou vantagem pela direita e mandou para a área, onde estava Córdoba, pronto para decidir a parada, colocando o River Plate novamente à frente do marcador. A pequena torcida do time uruguaio foi à loucura, pois o resultado era uma boa vantagem para brigar por uma vaga na final, inédita para a desconhecida equipe. E o time do River continuou atacando, criando algumas boas chances, mas a melhor chance do segundo tempo, depois do gol da vitória do River, foi um ataque da LDU, aos 30, salvo por Diego Silva, na hora “h”, Depois disso, apesar de o River ter continuado sua sanha de atacar, atacar e atacar, o clube não levou novos sustos em contra-ataques, talvez porque a LDU está confiante que o resultado de que necessita para se classificar, vitória de 1 a 0, será conquistada com facilidade na altitude de Quito, com estádio cheio. A LDU confia em seu currículo de campeã da Libertadores, torneio que disputou por muitas vezes. Do outro lado, o River segue sua epopéica participação no torneio continental. A partida, terminada com vitória do River por 2 a 1, mostrou um resultado até injusto, pois a saga do time uruguaio merecia melhor sorte. Veremos como se comportará o time que é o queridinho de Carlos Eduardo Lino na próxima quinta.

     O adversário de LDU ou River Plate deverá mesmo ser o Fluminense, que ganhou na quarta-feira do Cerro Porteño, em Assunción, por 1 a 0. O gol, para variar, foi de Fred, em jogada individual, em que o craque levou do meio de campo a bola, avançando e fuzilando o goleiro paraguaio, sem chance de defesa. Fred fez seu nono gol nos últimos nove jogos. Agora, o Flu jogará num Maracanã lotado na próxima quarta-feira, precisando de um empate por qualquer resultado. As batalhas entre brasileiros, uruguaios, equatorianos e paraguaios seguem na próxima semana, com estádios abarrotados. Vem muita emoção por aí.

Add comment Novembro 13, 2009

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